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Ser celibatário significa ser solteiro?

Jeffrey Bruno
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O celibato não significa falta de oportunidade, assexualidade, indiferença, falta de compromisso com as pessoas ou incapacidade de entrega

Será que existe um estado de vida no cristianismo que poderíamos chamar propriamente de “solteirice”? Ao ler a Sagrada Escritura, descobrimos que não. A Palavra de Deus nos apresenta somente dois estados possíveis: matrimônio e celibato. Este último, para alguns, equivaleria a ser solteiro, mas celibato e solteirice não são a mesma coisa.
 
Observemos: no Evangelho de Mateus 19, 12, Jesus nos diz: “Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda”.
 
A palavra “eunuco” equivale a “celibatário”; então, podemos entender três possibilidades de celibato:
 
1. Que a natureza os faça, ou seja, que alguma circunstância fisiológica ou psíquica os impeça de contrair matrimônio.
 
2. Que sejam feitos pelos homens: que alguma circunstância legal regulamentada pelo Estado ou pela Igreja os impeça de contrair matrimônio por não cumprirem os requisitos mínimos para isso, ou seja, não basta querer casar-se, é preciso poder fazê-lo sem, com isso, violar uma lei estabelecida que regulamente a união.
 
3. Que façam a si mesmos pelo Reino dos céus. Neste último caso, Jesus se refere àqueles que, tendo encontrado no Reino dos céus um tesouro que vale mais que todos os reinos deste mundo, entregam-se à sua consecução e construção.
 
Pois bem, que a natureza os faça, que os homens os façam ou que eles mesmos se façam celibatários não significa que tal estado deva ser visto no mesmo sentido que a solteirice. De fato, tanto o matrimônio como o celibato são estados de “esponsalidade”, pois ambos buscam a fecundidade humana para a construção do Reino de Deus, cada um a partir da sua própria maneira de ser “esposo”.
 
O estado de solteirice, por chamá-lo de alguma maneira, é um estado de solidão; muitas vezes mal assumido, pode se tornar um estado de amargura, frustração e sem sentido; o celibato, por sua vez, é um estado de permanente companhia do Senhor, de alegria e plenitude da existência.
 
Ambos, tanto o matrimônio quanto o celibato, são um chamado do Senhor, uma vocação, pois é dessa maneira que se consegue empregar todas as forças para trabalhar por uma causa que nos supera e que é maior que a própria existência.
 
Os celibatários foram chamados pelo Senhor Jesus a dar ao mundo uma visão que ultrapassa o puramente fisiológico, ajudando a re-compreender aquela opção que nos apresentam os que vivem na carne e venderam a ideia de que não é possível viver sem um parceiro ou que todos, absolutamente todos os seres humanos, estão chamados a procriar e gerar, dando cumprimento ao mandato do Senhor “Crescei e multiplicai-vos”, que aparece no Gênesis.
 
O celibato é uma nova forma de fecundidade, e a prova mais tangível disso é o próprio Jesus, que “gerou” um novo povo com toda a sua vida dedicada ao Pai Deus.
 
Mas, para que tudo isso adquira seu verdadeiro sentido e plenitude, é importante a experiência de Jesus no coração, pois só nele se entende este estado de vida; só nele deixamos de ser presas volúveis das paixões desordenadas, da angústia da solidão, pois um verdadeiro celibatário nunca é uma pessoa em solidão, já que conhece perfeitamente quem é o seu Senhor, sua companhia, Aquele a quem entregou sua vida e com quem semeia uma nova semente para fazer o Reino dos céus crescer entre os homens.
 
O celibato nunca é um estado de abandono, de falta de oportunidade, de assexualidade, de indiferença diante do outro, de falta de compromisso com as pessoas, de incapacidade de entrega; muito pelo contrário: nele, nós nos fazemos “tudo com todos para ganhar todos”, vivendo a condição de esposo em Cristo.
 
O celibato de Jesus, seu estado de vida, sua opção fundamental pelo Reino dos céus é nossa referência, à qual deve apontar nossa visão, para nunca perder de vista quem é Aquele que nos conquistou e seduziu nosso coração.
 
“Esposos celibatários”: esta seria nossa figura, nossa vocação.
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