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Papa: “Deus nos salva nos nossos erros, não nas nossas certezas”

Pope Francis waves from his car – pt

AFP PHOTO / ALBERTO PIZZOLI

ITALY, Rome : Pope Francis waves as he arrive at Santa Sabina church in Rome on March 5, 2014, to lead the mass for Ash Wednesday, opening Lent, the forty-day period of abstinence and deprivation for the Christians, before the Holy Week and Easter. AFP PHOTO / ALBERTO PIZZOLI

Vatican News - publicado em 24/03/14

"A humildade cristã não é a virtude de dizer: ‘Mas eu não sirvo para nada’ e esconder a soberba ali. A humildade cristã é dizer a verdade: ‘Sou pecador'"

Em sua homilia de hoje na Casa Santa Marta, o Papa Francisco comentou as palavras de Jesus dirigidas aos seus conterrâneos, os habitantes de Nazaré, junto aos quais não pôde fazer milagres porque eles “não tinham fé”.

Ao dizer “nenhum profeta é bem recebido em sua pátria”, Jesus citou dois episódios bíblicos: o milagre da cura da lepra do sírio Naamã, no tempo do profeta Eliseu, e o encontro do profeta Elias com a viúva de Sarepta de Sidônia, que foi salva da penúria. “Os leprosos e as viúvas – explicou Francisco – eram marginalizados naquele tempo”. E mesmo assim, esses dois marginalizados, acolhendo os profetas, foram salvos. Já os nazarenos não aceitam Jesus, porque eles estavam muito seguros de sua fé e não precisavam de outra salvação: 

"É o drama de observar os mandamentos sem fé: 'Eu me salvo sozinho, porque vou à sinagoga todos os sábados, procuro cumprir os mandamentos, mas não venham me dizer que o leproso e a viúva eram melhores do que eu!'. Eles eram marginalizados! E Jesus nos disse: ‘Mas, olhe, se você não se marginalizar, não se colocar à margem, não será salvo’. Esta é a humildade, o caminho da humildade: sentir-se tão marginalizado a ponto de precisar da salvação do Senhor. Somente Ele salva, não o nosso cumprimento dos preceitos. Os nazarenos não gostaram disso, se enfureceram e queriam matá-lo." 

A mesma fúria – comentou o Papa – atinge inicialmente também Naamã, porque considera ridículo e humilhante o convite de Eliseu de banhar-se sete vezes no rio Jordão para ser curado da lepra. O Senhor lhe pede um gesto de humildade, de obediência como o de uma criança, mas ele não aceita. Depois, convencido pelos seus servos, volta e faz o que disse o profeta. “É esta a mensagem de hoje, nesta terceira semana de Quaresma”, afirmou o Pontífice: “Se quisermos ser salvos, devemos escolher a estrada da humildade”: 

"Maria no seu Cântico não diz que está contente porque Deus viu a sua virgindade, a sua bondade e a sua doçura, tantas virtudes que ela tinha. Não. Mas porque o Senhor viu a humildade da sua serva, a sua pequenez, a humildade. É isso que o Senhor vê. E devemos aprender esta sabedoria de marginalizar-nos, para que o Senhor nos encontre. Não nos encontrará no centro das nossas certezas, não. O Senhor não vai ali. Ele nos encontrará na marginalização, nos nossos pecados, nos nossos erros, nas nossas necessidades de sermos curados espiritualmente, de sermos salvos; ali o Senhor nos encontrará."

“E este – reiterou o Papa – é o caminho da humildade”:

"A humildade cristã não é a virtude de dizer: ‘Mas, eu não sirvo para nada’ e esconder a soberba ali, não, não! A humildade cristã é dizer a verdade: ‘Sou pecador, sou pecadora’. Dizer a verdade: esta é a nossa verdade. Mas há outra: Deus nos salva. Mas nos salva lá, quando estamos marginalizados; não nos salva na nossa segurança. Peçamos a graça de ter esta sabedoria de marginalizar-nos, a graça da humildade para receber a salvação do Senhor."

(Rádio Vaticano

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