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Como discernir a minha vocação?

© djgis/SHUTTERSTOCK

Afonso Gatti - publicado em 25/03/14

A imposição ou o equívoco no discernimento da vocação tende a gerar pessoas frustradas. Mas como acertar e buscar aquela vida feliz, cheia de sentido, de quando se realiza a vocação?

Quando uma pessoa realiza sua vocação, ela realiza o sentido da vida.

O discernimento da vocação exige o confronto pessoal e a percepção mais profunda de si. Quem se sente confuso, deve buscar ajuda em pessoas sólidas, que tenham boa formação. Isso para realizar um trabalho de organização interna, pelo qual se criam as condições de enxergar mais profundamente dentro de si. Para o cristão, o discernimento implica ainda a oração, a relação de intimidade com Deus. Cada pessoa é chamada (vocação vem do latim ‘vocare’ – chamar) por Deus a ter uma vida realizada e plena.

A seguir, transcrição da conversa com Iamara Porcelli, psicóloga clínica e hospitalar, especialista em logoterapia, membro consagrado da Comunidade Senhor da Vida (Brasil).

A definição mais simples de vocação é: chamado. Trata-se de um chamado a um estado de vida. Mas, primeiramente, é o chamado de Deus despertando para a própria vida.

Tomar consciência de que a vocação é um chamado de Deus à vida deve levar à percepção de como se vive este chamado, esta vida que lhe foi dada não só como dádiva, mas também como incumbência; não só como dom, mas como tarefa. Ou seja, como você vai desenvolver esta vocação, este chamado que recebeu na sua concepção.

Vocação é algo diferente de aptidão. As aptidões definem, por exemplo, a profissão de uma pessoa. Já a vocação define um estado de vida. Isso significa que o chamado da vocação ocorre num nível mais profundo dentro de nós: o existencial. Não é só o psicológico. Ou seja, ele é mais abrangente, porque compreende um todo: a pessoa em sua realidade física, psíquica e espiritual.

Hoje as pessoas têm muita dificuldade de perceber a sua vocação fundamental, ou seja, se vão se casar ou ser consagradas. Isso porque elas têm dificuldade de se perceber na sua própria vida, na sua própria existência. Sendo assim, fica ainda mais difícil perceber como vão se desenvolver.

Por exemplo, se a pessoa quer discernir se o chamado dela é viver a vida celibatária, ela tem de conhecer a sua realidade física, enquanto necessidades, enquanto manifestações.

É preciso também ter consciência da realidade psicológica, no sentido do seu desenvolvimento, ou seja, se existe o chamado a querer viver um relacionamento específico com alguém, ou o chamado a viver a afetividade de uma forma geral, na partilha com todos.

O sentido espiritual é outro elemento. Em Mateus 19, lemos: “aqueles que se tornaram eunucos livremente por causa do Reino”. Isso quer dizer que, por causa do Reino, no sentido mais profundo, espiritual, quer-se viver a vida exclusiva de intimidade, de amor e de serviço a Deus. Quem está nessa condição vai abraçar a vida consagrada. Já para a vida conjugal, é necessário o discernimento para ver se existe a disposição interior de dividir a sua vida com alguém, de forma exclusiva.

O discernimento sincero da vocação só acontece a partir do momento em que a pessoa se dispõe a se confrontar. O ser humano só se conhece quando se confronta. Quando não há essa confrontação, acaba-se correndo o risco de se enganar e se iludir. Para o cristão, a oração é algo fundamental nesse processo.

A confrontação implica estar atento no seu dia-a-dia, dando passos concretos em direção àquilo que, em princípio, se sente chamado. Ou seja, é preciso enfrentar as realidades que existem dentro de nós. Porque a partir do momento em que há o confronto e o enfrentamento interior, vai-se descobrindo se tem ou não a disposição interna para viver aquela realidade.

Para se criar de forma confiável o espaço do confronto pessoal no discernimento vocacional, é necessário buscar o conhecimento em pessoas sólidas, que tenham boa formação. E também realizar um trabalho pessoal.

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