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Papa, presidente, poder e pobreza

Pope Francis Meets President Obama 002 – pt

Gabriel Bouys/AFP

Pe. Dwight Longenecker - Aleteia Vaticano - publicado em 30/03/14

Até que ponto um papa e um presidente têm algo em comum?

Com a visita de Barack Obama ao papa Francisco, os mestres da mídia têm feito todos os esforços para mostrar que os dois são “irmãos de armas”. Que o papa Francisco é um homem dos pobres e Obama também. Que o papa que perguntou "Quem sou eu para julgar?" está do mesmo lado que o presidente, que vem apoiando o casamento entre parceiros do mesmo sexo. A mídia nos diz que o presidente que favorece a redistribuição da riqueza é um companheiro de batalha do papa, que, secretamente, seria um apoiador da teologia da libertação.

Outros analistas, porém, discordam desta versão sonhadora da realidade e apontam que o presidente mais pró-aborto que já foi eleito nos EUA tem pouco em comum com um papa que chamou o aborto de crime abominável e que disse que cada feto tem o rosto de Cristo. Eles ressaltam o contraste entre o papa que viveu com e para os pobres durante a vida toda e um presidente que adotou o estilo mais imperial e extravagante de que se tenha memória entre quaisquer chefes do executivo norte-americano. Eles apontam em Barack Obama um político fracassado, cuja reputação que escorre pelo ralo tenta se agarrar à do papa Francisco, um líder muito mais popular do que o presidente jamais será.

Precisamos contextualizar os pontos de vista extremos e considerar algumas questões básicas.

Por trás dos murmúrios diplomáticos, da troca de presentes e das fotos sorridentes, um papa e um presidente (qualquer papa e qualquer presidente) têm pouco em comum. Um presidente é um político; às vezes, um ideólogo. Como político, ele se preocupa com pesquisas de reeleição e popularidade. Ele é útil ao bolso dos grandes donos do dinheiro: sua agenda é voltada a conseguir e conservar o poder no mundo.
Um presidente pode falar de "esperança e mudança" e de outras platitudes políticas da boca para fora, enfatizando a grandeza do povo e seu desejo de liberdade, ou pode querer de verdade mudar o mundo para melhor. Mesmo assim, ele não tem nenhuma conexão real com um papa, e, para entender por quê, temos que nos lembrar do real poder e propósito do papado.

A Igreja de Jesus Cristo exerce o poder na terra para vencer o mal, perdoar os pecados e abrir as portas do céu. O propósito da Igreja de Jesus Cristo é proclamar o evangelho de Deus, ministrar o perdão aos indivíduos e às sociedades, sanar as almas e combater o mal. É disto que se ocupa a religião cristã. Esta é a tarefa do papa. Esta é a tarefa de todo papa.

Pode até parecer que um papa deve fazer do mundo um lugar melhor: afinal, todo papa se ocupa com a justiça social, com a opção preferencial pelos pobres, com os direitos dos trabalhadores e com a eliminação da crueldade, do crime, da guerra e da morte em todas as suas formas horrendas. Mas tudo isso é consequência da sua principal ocupação: não é a sua principal ocupação. Sua principal ocupação é perdoar os pecados por mandado de Cristo, salvar as almas e derrotar o mal. A preocupação social e a compaixão por quem sofre é resultado da ocupação principal. Temos compaixão do pobre porque amamos e servimos Jesus Cristo. Cuidamos dos corpos dos pobres porque somos chamados a salvar as suas almas.

O papa e o presidente abordam as questões de poder, pobreza, paz e prosperidade. E devem concordar em algumas questões. Mas a divisão entre eles é muito profunda, apesar de não ser muito larga: o papa volta os olhos para uma solução eterna; um presidente, para soluções temporais.

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