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Por que os católicos amam as teorias da evolução e do Big Bang?

Brian Wright

Daniel McInerny - Aleteia Vaticano - publicado em 03/04/14

A série de documentários "Cosmos", de Carl Sagan, pode não ser tudo o que gostaríamos, mas não pelas razões que você imagina

O título deste artigo não pretende ser jocoso. O catolicismo é mesmo apaixonado pelas teorias da evolução e do Big Bang. Nós, católicos, não temos nenhuma razão para nos unir aos protestos recentes dos nossos irmãos cristãos em defesa dos relatos bíblicos da criação e contra a série de documentários "Cosmos", da rede FOX.

Quem espera que os católicos se juntem às vozes que condenam o programa, organizado pelo astrofísico norte-americano Neil deGrasse Tyson, deve estar se perguntando por que nós preferimos explicar o nosso amor pelas teorias evolucionistas e pelo Big Bang.

Já vou tentar explicar. Mas, antes, proponho que você leia estes breves excertos de dois documentos importantes:

"Hoje, as novas descobertas levam ao reconhecimento da teoria da evolução como mais do que uma hipótese. É notável que esta teoria tenha sido progressivamente aceita pelos pesquisadores com base em uma série de descobertas em vários campos do conhecimento. A convergência dos resultados de trabalhos realizados de forma independente já é, em si mesma, um argumento significativo a favor dessa teoria".

Quem faz esta declaração é o papa João Paulo II, em sua mensagem de 1996 para a Academia Pontifícia das Ciências. Ele afirma que a teoria da evolução é "mais do que uma hipótese": é o melhor relato que nós temos sobre a emergência e o desenvolvimento material das espécies.

Agora leia também a seguinte passagem de uma homilia do papa emérito Bento XVI, na Festa da Epifania de 2011:

"Não devemos deixar que as nossas mentes sejam limitadas por teorias que só chegam até certo ponto, e que, se olharmos com mais atenção, estão longe de competir com a fé, porque não conseguem explicar o sentido último da realidade. Não podemos deixar de perceber, na beleza do mundo, o seu mistério, a sua grandeza e a sua racionalidade, a eterna racionalidade; nem podemos dispensar, sob a sua orientação, o único Deus, criador do céu e da terra".

O contexto desta passagem, uma meditação sobre a estrela seguida pelos reis magos até a manjedoura de Belém, indica com força que, quando menciona as "teorias que só chegam até certo ponto", Bento XVI está pensando na teoria do Big Bang. À primeira vista, ele parece rejeitá-la. Mas continue lendo: ele afirma que essas teorias "estão longe de competir com a fé".

Isto nos leva à razão pela qual os católicos não só não têm problema algum com as teorias da evolução e do Big Bang, como também as amam positivamente. Por quê? Porque os católicos amam a verdade e acreditam que a verdade é fundamentalmente una: assim, a verdade científica, sendo verdade, não pode contradizer a verdade teológica. Em outras palavras: os católicos acreditam na absoluta harmonia entre fé e razão.

É por isso que não temos medo de abraçar as teorias científicas bem fundamentadas.

Outra coisa crucial a entender sobre a visão católica da ciência é que ela enxerga as teorias da evolução e do Big Bang como "causas materiais". A teoria da evolução, por exemplo, explica como as espécies vieram a ser e como, em determinados contextos, elas deixaram de ser. A teoria do Big Bang explica como a matéria formou fisicamente o universo. Ambas as teorias, no entanto, ficam bem aquém de explicar tudo o que precisa ser explicado, em particular sobre os seres humanos.

Como o papa João Paulo II observa na mencionada mensagem à Pontifícia Academia das Ciências, a teoria da evolução não explica a natureza do ser humano, dotado de uma alma intelectual que anseia por sobreviver à morte do corpo. Essa lacuna da ciência, no entanto, é aceitável, já que uma explicação dessas é tarefa da filosofia e da teologia, e não dos cientistas.

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CiênciaVirtudes
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