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Sem propriedade privada pode haver dignidade humana?

John Perivolaris
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Nós afirmamos que não. Mas por quê?

 
As implicações da propriedade privada não são essencialmente políticas nem econômicas, mas morais. Quando aceitamos este princípio, vemos que a diferença entre um pedaço de terra fértil e um pedaço de pão é vencida apenas por meio do trabalho de seres humanos, cada um dos quais é uma criação única e insubstituível. Cada pessoa na cadeia de produção, do agricultor que planta as sementes até os investidores da John Deere, cujas fábricas produzem o trator, tem o direito de dispor do seu próprio trabalho e riqueza e de ser o seu principal beneficiário. Cada hora de trabalho que uma pessoa realiza e cujos frutos são arrancados dela pela força equivale a trabalho forçado.
 
Assim, quando tiramos a riqueza de uma pessoa para gastá-la com outra pessoa, devemos admitir para nós mesmos o que estamos fazendo: estamos obrigando pessoas a trabalharem contra a sua vontade em benefício de um terceiro. Uma sociedade justa deve evitar sequestrar o trabalho das pessoas ou parte da sua riqueza, em primeiro lugar por deferência à sua dignidade humana e à sua liberdade de ação.
 
Os impostos que retiram parte da riqueza de uma pessoa só podem ser cobrados se a sua utilização for exigida por um dos princípios essenciais do desenvolvimento humano, como a sacralidade da vida ou a ordem moral transcendente. A riqueza dos cidadãos deve ser vista não como uma piscina comum em que os governantes mergulham a seu bel-prazer, mas como uma extensão da liberdade dos cidadãos, que não pode ser agredida nem sequer de leve.

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