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Significado e data da Páscoa cristã

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Zenit - publicado em 03/04/14

O que significa essa festa? E por que essa festa é celebrada cada ano em uma data diferente?

Por Pe. Anderson Alves

Estamos nos aproximando da festa da Páscoa e talvez muitos se perguntem: o que significa essa festa? E por que essa festa é celebrada cada ano em uma data diferente? Para respondê-las temos que fazer uma viagem no tempo. De fato, a origem dessa festa é muito antiga e foi se desenvolvendo e adquirindo significados cada vez mais ricos.

No mundo mediterrâneo, muitos anos antes de Cristo, havia uma festa da passagem do inverno para a primavera, no mês de março. Geralmente esta festa era realizada na primeira lua cheia da “época das flores”.

Os judeus celebravam essa festa no seu início. Mas, por volta do ano 1250 a. C., a dita festa ganhou novo significado: começou a significar uma passagem (Passah): ou a passagem de Deus no Egito, ferindo os primogênitos e libertando o povo escravo do faraó; ou a passagem do povo da escravidão à liberdade, com a importante travessia do Mar Vermelho. A Páscoa se tornou então a festa central do povo de Israel.

Entre os cristãos a Páscoa ganha novo significado: Cristo morreu durante a Páscoa dos judeus, que se celebrava no dia 14 de Nisán do calendário judaico, ou seja entre março e abril no nosso calendário atual. Esse dia sempre coincidia com a primeira lua cheia da primavera.

Os cristãos, nos primeiros anos da vida da Igreja, celebravam o domingo – a páscoa dominical – o dia da passagem da morte à vida nova de Cristo. E a festa cristã da Páscoa anual surge por volta do ano 150. Para determinar uma data anual os cristãos discutiram muito, segundo a forma de compreender o mistério pascal de Cristo.

Por um lado, os asiáticos entendiam que é Cristo que “passa” da morte à vida. Os romanos, por outro lado, acentuavam que somos nós os que passamos da morte à vida através da morte e ressurreição de Cristo. De acordo com essa diferente forma de considerar o mistério pascal, começou a se celebrar a Páscoa em diferentes datas: a maioria dos cristãos (inclusive a Igreja em Roma) a celebrava no domingo seguinte ao dia 14 de Nisán; e os cristãos da região da Ásia Menor celebravam a Páscoa sempre no dia 14 de Nisán.

No ano 325 foi celebrado o Concílio de Nicéia, ou seja, a reunião de todos os bispos católicos do mundo, convocados pelo imperador Constantino, para discutir questões doutrinais que preocupavam os pastores da Igreja. Nessa importantíssima reunião se definiu a data da Páscoa, decisão que segue vigente até nossos dias. Então ficou definido:

1º – Que a Páscoa deve ser celebrada sempre no domingo;

2º – Que jamais possa ser celebrada no mesmo dia que é celebrada pelos judeus; isso implica que quando o dia 14 de Nisán cair no domingo, a Páscoa deverá ser celebrada no domingo posterior;

3º – Que é proibido aos cristãos celebrar a Páscoa duas vezes no mesmo ano.

Dessa forma ficou estabelecido o critério para a celebração da Pascoa cristã, que celebra a ressurreição de Cristo e nossa passagem da vida antiga de escravos do pecado à vida livre dos filhos de Deus e então podemos entender porque a maior festa cristã é celebrada sempre em datas diversas.

A Páscoa sempre foi considerada uma celebração da vida. Da vida nova que nasce na primavera, e da vida nova que nasce de Deus: do Deus que liberta o seu povo por amor e que o faz vencer a morte pela ressurreição de Cristo. Bem posteriormente, se uniu à Páscoa o símbolo do coelho, animal que representa a fecundidade e a beleza da vida. A figura do coelho da Páscoa foi trazida para a América pelos imigrantes alemães entre o final do século XVII e início do XVIII. E os ovos de Páscoa simbolizam a alegria da vida, que nos é dada gratuitamente.

Tags:
CristianismoPáscoaRessurreição
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