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O que eu aprendi do homem que chutou a porta do meu carro

Wasfi Akab

John Cuddeback - Aleteia Vaticano - publicado em 06/04/14

Ele vai enfrentar o juízo final algum dia. Mas... eu também

Eu nem estava lá. Minha esposa estava dirigindo no centro de Washington quando aconteceu. Nosso Suburban 2004 já teve dias melhores – aliás, bem que eu gostaria que o meu rendimento anual fosse a metade da quilometragem dele… Mas não foi o estrago na porta do lado do passageiro que foi tão perturbador.

Nós tínhamos finalmente conseguido reservar uma tarde para a minha esposa fazer um passeio muito esperado ao Museu Nacional de Arte (uma mãe de seis filhos não tem muitas tardes de folga…). A exposição especial da arte bizantina ia ser a ocasião perfeita. Eu ficaria em casa cuidando das crianças. Tudo estava organizado.

Minha esposa estava fazendo uma curva à direita. O semáforo estava vermelho para os pedestres e aberto para ela. Um homem, vestido com as roupas da moda e com o mais novo iPhone conectado aos ouvidos, tinha acabado de pisar na faixa de pedestres. A realidade da presença do carro da minha esposa o chamou de volta à Terra. Mas, aparentemente alheio ao fato de estar onde não devia, ele gesticulou furiosamente. É claro que os pedestres sempre têm preferência, mesmo quando estão onde não devem. Mas, com outros veículos se aproximando pela esquerda, minha mulher tinha que tomar uma decisão rápida. Como o homem tinha parado, ela recomeçou a dobrar a esquina, mas ele recomeçou a andar também. Quando ela passou em frente a ele, uma série de palavrões explodiu contra o carro, acompanhados por um chute impressionante contra a porta do passageiro da frente. Minha esposa mal podia acreditar no que estava acontecendo. Chocada e confusa, ela lutava consigo mesma para prosseguir com segurança enquanto olhava para os lados entre lágrimas.

Agora imagine que você é o marido que ouve este relato sórdido naquela mesma noite. A minha mente começou naquela hora a listar um número infinito de opções, a maioria das quais incorria gravemente no pecado da ira.

Mas havia um pensamento em particular que teimava em me vir à mente.

Aquele homem estava com raiva. Mas como é que ele ousa descarregar a raiva dele em alguém que inocentemente (e literalmente) só está cruzando o seu caminho? Eu entendo que todos nós sentimos raiva, normalmente despertada pelos nossos próprios problemas, mas não faz parte do básico da decência não despejar essa fúria em quem não tem a menor culpa pelos nossos problemas?

Ao mesmo tempo em que eu ia mais ou menos conseguindo domesticar as minhas inclinações extremas, eu não conseguia parar de querer ver de perto aquele homem para, pelo menos, manifestar de alguma forma o quanto ele tinha sido energúmeno. Meus pensamentos acabaram se voltando, de repente, para o juízo final. Eu podia vê-lo num contexto muito gratificante, onde a justiça perfeita seria aplicada para cada delito, mesmo para os delitos que o próprio réu já tivesse esquecido, perdidos, talvez, no meio de um bom número de outras transgressões.

Imaginei o que eu diria a ele. Eu sentia as palavras se formando nos meus lábios enquanto eu caminhava em direção a ele: "Seu filho….".

E, então, aconteceu.

Foi como se eu realmente estivesse lá, no dia do juízo final, completamente fora do meu universo. E as palavras se preencheram na minha boca: "…de Deus!". "Seu filho de Deus!".

De repente, tudo era luz e tudo desabou em cima de mim. Eu me perguntei quanta gente estaria querendo finalmente acertar as contas… comigo. E, acima de tudo, pensei na condenação específica que a minha consciência tinha sentenciado contra aquele homem.

“Aquele homem estava com raiva. Mas como é que ele ousa descarregar a raiva em alguém que, inocentemente, só está cruzando o seu caminho?”.

Será que os meus próprios filhos não poderiam se perguntar exatamente o mesmo sobre mim? E com muito mais razão do que eu? Querido Deus, eu… também sou aquele homem.

Resolvi não me esquecer mais daquele homem que chutou a porta do meu carro. Talvez eu nunca mais tenha a chance de me ver no tribunal do meu próprio julgamento. Se eu tiver o bom senso de levar a sério o que eu vi, então ainda há esperança: esperança na misericórdia que criou e redimiu o mundo e que pode levar pessoas como eu a verem as coisas como Ele as vê. Basta estarmos dispostos.

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