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Escravidão de Montfort e a liberdade do “Eis-me aqui…”

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Fr. Thiago Pereira, SCJ - Reparatoris - publicado em 10/04/14

São Luís Maria supôs que quiséssemos estar junto do Senhor, na casa Dele. E, a única forma de fazer isso seria pela escravidão e não pelo trabalho “terceirizado”. Mas lembremos que esta história de “escravidão” é apenas uma imagem, adotada para representar uma realidade interior, profundamente espiritual e oblativa.

A escravidão na época de Jesus

A escravidão era um meio comum de servidão na época de Jesus e de Montfort. Não tem, portanto, toda a conotação negativa que se encontra hoje, após anos de proclamação dos Direitos Humanos – em nível internacional – e com a Lei Áurea – no Brasil.

Havia algo na sociedade judaica chamado “Código da Aliança” (cf. Ex 21,1-11 e Dt 15,12-18), que regulamentava a escravatura entre israelitas, mesmo apesar do número destes ser bem mais reduzido no período de Jesus – quando se optava mais pelos escravos pagãos (cf. J. JEREMIAS. Jerusalem zur Zeit Jesu. Kulturgeschichtliche Untersuchung zur neutestamentlichen Zeitgeschichte. II Teil: Die sozialen Verhàltnisse, Gõttingen 31962, A. Reich und Arm, pp. 25-26; B. Hochund Niedrig, p. 184.).

O escravo judeu, graças ao Código, não era tratado com tanta aspereza, isto porque tinha uma série de direitos que deveriam ser respeitados. Mas a situação já era inversa para o escravo pagão. Por esse motivo a escravatura hebraica entrou em decadência no período neotestamentário. Como fundamento para tal mudança, muitos resgataram antigos escritos como o que dizia: “O escravo ou a escrava que pretendais adquirir, devem sair dos povos que vos rodeiam” (Lv 25,44).

Escravo: símbolo daquele que espera no Senhor

O escravo era aquele que dependia totalmente do seu senhor. Nada podia adquirir por si só, tudo esperava do seu superior. É assim, confiando na Providência do bom Deus, que queremos trilhar o caminho da santidade. “Pela escravidão, um homem depende inteiramente de outro durante toda a vida, e deve servir a seu senhor, sem esperar salário nem recompensa alguma” (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, 2010, Vozes, p. 74). É dessa forma que somos convidados a agir diante de Deus.

“É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1). Este é o lema da Campanha da Fraternidade deste ano, que trabalha a temática do Tráfico Humano. Dizer-se “escravo de Jesus” (“de Jesus por Maria” ou “de Maria”), em momento algum contrapõe essa afirmação de São Paulo, já que o grau mais alto de liberdade é aquela que se realiza no interior, através da graça divina. Ora, é a graça da liberdade interior, gerada pelo amor, que a consagração à Virgem Maria, segundo o método de Montfort, objetiva.

Servos pelo Batismo

O próprio Cristo “nos associou a Ele pelo batismo”, isto é, “o batismo nos transformou em escravos de Jesus Cristo” (TVD, 2010, p. 73). Portanto, “devemos pertencer a Jesus Cristo e servi-lo, não só como servos mercenários, mas como escravos amorosos” (TVD, 2010, p.78).

Trilhar o caminho da escravidão por amor é viver a vontade de Deus; é fazer o percurso que nos torna livres e santos. “[A vontade de Deus] não é para nós um peso exterior que nos oprime e nos priva da liberdade. Conhecer o que Deus quer, conhecer qual é o caminho da vida, eis a alegria de Israel, eis seu grande privilégio. Esta é também a nossa alegria: a vontade de Deus não nos desvia, mas purifica-nos talvez de maneira até dolorosa e assim conduz-nos a nós mesmos. Desta forma, não servimos só a Ele, mas à salvação de todo o mundo, de toda a história” (BENTO XVI na homilia por ocasião da Eucaristia inaugural do seu pontificado).

(Reparatoris)

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liberdadeMariaPecadoteologiaVirtudes
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