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10 coisas que você precisa saber sobre a fertilização in vitro antes de optar por ela

Stefan Pasch

Elizabeth Kirk - Aleteia Vaticano - publicado em 12/04/14

É bom e normal desejar filhos. Mas... a qualquer custo?

Um em cada seis casais sofrem de infertilidade. Meu marido e eu nascemos em famílias grandes, com muitos irmãos, sobrinhos e sobrinhas. Jamais imaginamos que enfrentaríamos a infertilidade. Aliás, durante os nossos três anos de namoro, discutimos cada possível problema que poderíamos enfrentar: como lidar com finanças conjuntas, como equilibrar família e carreira, como gerenciar conflitos de personalidade, como lavar a louça… Pensamos em tudo, menos no que acabou virando o maior desafio do nosso casamento.

Pois é. E, por isso, nós entendemos muito bem o quanto um diagnóstico inesperado de infertilidade pode ser devastador.

Alice Domar, uma pesquisadora médica de Harvard, relata: "A maioria das mulheres inférteis afirma que a infertilidade é a experiência mais desoladora da sua vida. Mulheres inférteis apresentam níveis de ansiedade e depressão equivalentes aos de mulheres com câncer, aids ou doenças cardíacas".

Diante desse panorama, procedimentos como a fertilização in vitro (FIV) aparentemente oferecem uma esperança real para quem desesperadamente deseja ter filhos. Neste procedimento, a mulher toma hormônios para estimular os ovários a produzirem muitos óvulos em um único ciclo. Os óvulos maduros são removidos através de aspiração transvaginal (o que é feito sob sedação) ou mesmo mediante cirurgia laparoscópica. Os espermatozoides são coletados do homem, geralmente, através da masturbação. O médico, em seguida, submerge cada óvulo no sêmen, na tentativa de criar embriões. Quando a fecundação ocorre, um ou mais embriões são transferidos para o útero da mulher, na esperança de que ao menos um se implante com sucesso.

A propósito, o que é um "embrião"?

Um embrião é o novo ser que se forma a partir da junção de espermatozoide e óvulo. É uma pessoa humana completamente nova, em estágio muito inicial de desenvolvimento. No ambiente e circunstâncias adequadas, o embrião continuará crescendo: de feto para recém-nascido, bebê, criança, adolescente, até, se sobreviver ao turbilhão da puberdade e do ensino médio, se transformar em adulto. Um embrião, grosso modo, é simplesmente uma pessoa muito, muito jovem.

A maioria das pessoas acha difícil acreditar que possa haver implicações morais e éticas num procedimento médico realizado para atender o natural e bom desejo de ter um filho. Eu tive que explicar a inúmeros amigos e familiares por que optamos por não usar a FIV.

Compartilho, assim, dez coisas que aprendi sobre a FIV (fertilização in vitro) que podem levar alguns casais a repensar esta alternativa:

1. A FIV foge à nossa noção consolidada de paternidade.

A maneira tradicional de gerar bebês envolve a união física de um homem e de uma mulher. Já a FIV, mesmo na sua versão mais básica, envolve outras pessoas nesse ato de criação: médicos e técnicos que recolhem os óvulos e o esperma, os fertilizam em laboratório e os transferem para o corpo da mulher. E ainda podem entrar em cena outros atores: a doadora de óvulos, a “barriga solidária”, o doador de esperma, as crianças concebidas a partir do esperma congelado e armazenado de pais falecidos, as tecnologias envolvendo três conjuntos de DNA que parecem vindas do Admirável Mundo Novo… Talvez nada disso incomode você, mas pode confundir e perturbar as crianças concebidas por FIV: a ciência social sugere que as crianças concebidas a partir da doação de óvulos ou de sêmen relatam crises de identidade e de origem, além de serem mais propensas à depressão e ao abuso de substâncias tóxicas.

2. A FIV é uma forma de eugenia.

Falando de “Admirável Mundo Novo”, a célebre obra de Aldous Husley, já temos versões da "sala de fertilização" e da "sala de engarrafamento". Será que próxima seria a "sala de predestinação social"? Por que indago isso? Porque, para aumentar as chances de sucesso, a FIV adota procedimentos de diagnóstico e triagem voltados a gerar o "melhor" bebê. No sêmen colhido, por exemplo, são isolados os espermatozoides mais saudáveis e rápidos ou selecionados os que permitem escolher o sexo do bebê. Os óvulos podem ser rastreados para evitar anomalias cromossômicas. E as clínicas de FIV podem usar o diagnóstico genético pré-implantação (DGPI) para detectar condições genéticas e mutações cromossômicas (ou mesmo “traços indesejados”, como o simples fato de o embrião ser uma menina!). Na DGPI, uma ou mais células são removidas do embrião em desenvolvimento e avaliadas a fim de se descobrir alguma característica "indesejável". Só os embriões "saudáveis" serão usados. Isso pode ser tentador se você está tentando engravidar desesperadamente e quer otimizar as chances de ter um bebê saudável. Mas, ao fazer isso, você estará eliminando bebês "indesejados" na busca de um filho "perfeito". Acontece que, quando triamos seres humanos adultos, seja com base em deficiência física, em sexo ou em raça, chamamos isso de eugenia…

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