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Um livro apresenta "as duas mães de João Paulo II"

© DANILO SCHIAVELLA / ANSA / AFP

Roberta Sciamplicotti - Aleteia Vaticano - publicado em 16/04/14

Renzo Allegri conta a história de Emilia Kaczorowska e Gianna Beretta Molla

“As duas mães do papa Wojtyla: Emilia Kaczorowska e Gianna Beretta Molla” é o nome do livro em que Renzo Allegri conta a história dessas duas mulheres de grande importância na vida de Karol Wojtyla, o papa João Paulo II. A primeira é sua mãe e a outra é uma mãe que ele mesmo proclamou beata e depois santa.

Por que juntar essas duas mulheres no título? Porque “as duas viveram um grande drama materno”, explica o autor. “Elas se viram obrigadas a escolher entre a própria vida e a do filho que traziam no ventre. E ambas, lucidamente, escolheram salvar o filho e sacrificar a própria vida. Mães heroicas. Mártires. Santas”.

Gianna era um “jovem mulher moderna”, casada e mãe; “uma mulher que representava quase todas as mulheres do mundo”. Seu estado de mulher casada era quase sem precedentes na categoria das santas, sendo a primeira esposa a ser canonizada pela Igreja católica nos últimos mil anos. “Na longa lista de santos católicos há várias mulheres casadas, mas elas viveram nos primeiros tempos do cristianismo. Da Idade Média em diante, não havia nenhuma. Há várias santas que estiveram casadas, mas elas viveram longo tempo como viúvas ou, depois, como freiras”.

Gianna era uma “mãe heroica”, “mártir pela vida”, que morreu a fim de dar à luz o seu último filho. No segundo mês da sua quarta gravidez, ela foi diagnosticada com um fibroma uterino maligno. A hipótese de intervenção médica para salvar a vida dela envolvia o risco de matar o bebê: ela se opôs, mesmo sabendo que o aborto, nesse caso, não seria o objetivo da “intervenção”: seria um daqueles casos de “aborto indireto” e não procurado por si mesmo, dos quais o papa Pio XII já tinha falado em seu discurso à Frente da Família, no dia 27 de novembro de 1951.

Com grandes dificuldades, ela conseguiu levar a gravidez até o fim e, depois de dar à luz uma menina, faleceu. Era o ano de 1962. “Justo naquele tempo, o Concílio Vaticano II tinha discutido a importância e a necessidade de divulgar o testemunho cristão dos leigos. A Igreja sentiu a necessidade de proclamar a santidade dos leigos. Percebeu que o povo cristão não se impactava mais de modo suficiente com a beatificação de monges, freiras e frades que tinham vivido havia duzentos ou trezentos anos. As pessoas sentiam a necessidade de exemplos contemporâneos, que mostrassem que a santidade é possível sempre”. A história dessa mãe despertou interesse imediato.

Gianna Beretta Molla foi beatificada pelo papa João Paulo II em 24 de abril de 1994 e canonizada em 16 de maio de 2004.

Emilia Wojtyla também tinha sacrificado a vida pelo amor de um filho. Em 1919, quando ela ficou grávida de Karol, o futuro papa João Paulo II, os médicos lhe indicaram o aborto porque ela tinha uma saúde frágil, já comprometida pelas duas anteriores gravidezes, ambas de risco. Mas ela se recusou e deu à luz um bebê saudável. O resto da sua vida, porém, foram nove anos de sofrimento terrível, com internações contínuas, até o dia em que morreu.

Gianna e Emilia são dois exemplos de santidade “normal”. Pietro Molla, marido de Gianna, contou a Allegri que a esposa “era uma mulher linda, mas absolutamente normal. Eu não sabia que estava vivendo com uma santa. A vida cristã da minha esposa não contém episódios espalhafatosos. Gianna não realizou ações mirabolantes​​. A vida dela foi uma sucessão contínua, ininterrupta, de pequenas ações diárias feitas por amor a Deus, de acordo com os ensinamentos do Evangelho”.

Emilia também era uma mulher de grande fé, que, nem sequer por um momento, considerou a possibilidade de abortar. “Com extrema simplicidade, ela se confiou ao bom Deus. Nunca, por nenhuma razão no mundo, ela teria impedido que aquele bebê nascesse; pelo contrário, era ela quem estava disposta a morrer por ele”, diz Allegri. Emilia morreu em 1929, aos 45 anos, quando o pequeno Karol tinha pouco menos de 9. O atestado de óbito fala de miocardite e nefrite, ou seja, de inflamação do coração e dos rins.

“Mesmo sem nunca ter dito isso explicitamente, João Paulo II tinha a certeza de que a mãe dele era santa”, diz Allegri. “Santa na vida conjugal e familiar, santa mártir por ter oferecido heroicamente a própria vida para dar à luz a criança que estava em seu ventre. Por esta razão, quando conheceu a história de Gianna Beretta, ele se impressionou e acompanhou o processo de beatificação com interesse muito especial. Ela viu em Gianna a própria mãe. Exaltando e divulgando ao mundo cristão a vida de Gianna, com o sacrifício heroico que ela fez para salvar a vida do filho que carregava, ele pensava em sua mãe. Emilia também tinha feito aquela escolha. Com plena consciência e com imenso amor. Santificar Gianna era também santificar a sua mãe”.

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