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“É uma armadilha”: bilhete salva casamento de adultério a 10.000 metros de altitude

Marisa Pereira

Marisa Pereira - publicado em 21/04/14

Eu mesma já me deparei com homens comprometidos interessados ​​em provocar na minha vida o mesmo estrago. Por graça de Deus, um bom tempo atrás, um jovem que estava morrendo me deu um presente de valor inestimável: ele me fez um elogio que eu aprecio até hoje. Ele me comparou com uma “Santa Maria terrena”. Eu sei que parece presunçoso e até sacrílego, mas esse elogio me abençoou de muitas maneiras. Ajudou a minha autoestima, inexistente naquela época, e me incentivou a viver de forma condizente com as virtudes de alguém que lembra Nossa Senhora.

Afinal, o Gênesis nos diz que todos fomos “feitos à Sua imagem”. Eu percebi que, se me vejo como uma verdadeira “lady”, sou menos propensa a tratar o sexo como um esporte sangrento e mais capaz de me comportar com respeito por mim mesma e pelos outros. Acredito que acontece o mesmo com os homens que se conduzem como cavalheiros.

Eu me vi rezando, durante aquele voo, para que o homem do 7B não sucumbisse à missão de destruição que a mulher do 7A estava executando. Para que ele percebesse que alguns minutos de prazer não valiam a dor da esposa, dos filhos e de todos aqueles que o amavam. Eles confiavam nele. Eles acreditavam que ele enxergava mais do que os próprios prazeres egoístas. Eles confiavam no amor sincero dele.

Isso levanta, para mim, duas questões:

Primeira questão: o que é, afinal, o amor? Na maioria das vezes, o amor é definido como romance, ou como sentimento, ou como atividade sexual. Podemos ir além e dizer que “amar é estar disposto a dar a vida por alguém“, ou que “o amor é uma decisão“. É verdade, mas quantas vezes, na prática, vamos ser chamados a “dar a vida por alguém“? Soa bonito, mas é improvável.

Já o amor como decisão é, sim, uma definição muito boa. O amor é uma decisão quando um amigo precisa de mim para ir ao hospital às duas da manhã; quando eu mesma estou doente e tenho que cuidar do meu filho pequeno; quando um cônjuge não está bem e o outro tem que se abster do sexo; quando estou de folga e alguém precisa da minha ajuda; quando digo uma verdade difícil para ajudar alguém a superar um vício, mesmo que essa verdade me valha o ostracismo.

Um amigo me contou, recentemente, que desafiou um jovem “católico” que estava morando com a namorada. Ele disse ao rapaz que estava surpreso ao ver que, apesar de toda a sua educação “católica”, ele não amava a namorada o suficiente para compartilhar com ela o alto grau de compromisso e entrega que a fé católica atribui ao relacionamento amoroso sério.

Segunda questão: “Por acaso eu sou guardião do meu irmão?”. Se eu realmente amo o meu irmão ou irmã, ou namorado ou namorada, a resposta é um sonoro “sim”.

E quanto a um estranho no avião? Eu quase agonizei pensando em fazer alguma coisa. E pensei que, no fim das contas, eu só arriscaria o meu ego ferido se o homem do 7B me respondesse: “Não é da sua conta“. Mas se eu pudesse poupar a dor da família dele, valeria a pena arriscar o meu ego.

Sim, eu me tornei guardiã do meu irmão. Quais eram as probabilidades de que aqueles dois passageiros fossem estar justamente ao meu lado? O rapaz que o meu amigo desafiou se irritou, mas, alguns dias depois, ligou para agradecer. Sejamos leigos ou consagrados, eu acredito que é através de cada um de nós que Deus age na vida de todos. Não seria bom deixarmos o ego de lado e agirmos sempre com amor?

Afinal, “o amor tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Coríntios 13,7).

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CasamentoMulher
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