Aleteia logoAleteia logoAleteia
Sexta-feira 03 Dezembro |
São Cromácio de Aquileia
Aleteia logo
Atualidade
separateurCreated with Sketch.

Segurança é reforçada em Copacabana após noite de violência

<p>Homem com bola de futebol passa em frente a policiais que montam guarda nas proximidades da favela Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, durante violentos protestos pela morte de um morador</p>

AFP - publicado em 23/04/14

Nos últimos meses, a estratégia de pacificação do governo tem sido posta à prova por uma série de ataques do tráfico a várias UPPs

A segurança foi reforçada nesta quarta-feira em Copacabana, um dos bairros mais turísticos do Rio de Janeiro, no dia seguinte a violentos enfrentamentos e cenas de destruição que deixaram pelo menos um morto a 50 dias da Copa do Mundo no Brasil.

A violência em uma das áreas mais ricas e turísticas da cidade desperta dúvidas sobre a capacidade das autoridades de garantir a segurança das centenas de milhares de pessoas que visitarão o Rio de Janeiro durante o Mundial, entre 12 de junho e 13 de julho, mas também sobre o sucesso da estratégia de "pacificação" das favelas, impulsionada pelo governo.

Dezenas de policiais militares, entre eles integrantes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), patrulhavam nesta quarta-feira os acessos e a comunidade Pavão-Pavãozinho, localizada entre os bairros de Copacabana e Ipanema, constatou uma jornalista da AFP.

Após a violência na noite desta terça-feira, o clima era de aparente calma na região durante o feriado de São Jorge, padroeiro dos policiais, dos bombeiros e seguranças, entre outros, e muito venerado no Rio de Janeiro.

Surfistas chegavam à praia com suas pranchas caminhando entre policiais de elite fortemente armados e dezenas de garis que limpavam os destroços das barricadas que queimaram durante horas nos acessos à favela.

– Tiros versus pedras –

Ao anoitecer desta terça-feira, a morte violenta do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, de 25 anos, que se apresentava no programa Esquenta, da TV Globo, supostamente nas mãos da polícia, como acusaram alguns moradores do Pavão-Pavãozinho, foi o estopim para a revolta de dezenas de jovens, que desceram o morro em Copacabana e Ipanema e foram confrontados com disparos de armas de fogo, bombas de efeito moral e gás de pimenta pelas forças de ordem.

"A polícia disparava tiros de verdade e os moradores se protegiam como podiam, atirando pedras e garrafas, com caixotes de madeira", contou à AFP nesta quarta-feira uma testemunha dos protestos, um morador de Copacabana que se identificou como Fabio.

Este morador e outros vizinhos contam que um menino de 12 anos também teria morrido nos confrontos, mas a polícia não confirma.

Um jovem de 27 anos com problemas mentais levou um tiro na cabeça e morreu durante o protesto na favela pela morte do dançarino.

"Morreu após levar um tiro no rosto. Estava desarmado, assim como o resto da comunidade que protestava", disse à AFP Alexandre Cicconelo, assessor de Direitos Humanos da Anistia Internacional Brasil, que acompanha o caso.

A polícia informou, na noite de ontem, que Douglas foi encontrado morto, e que seus ferimentos indicavam que ele poderia ter "sofrido uma queda".

Mas o relatório dos médicos legistas, publicado nesta quarta-feira pela imprensa, destaca que sua morte foi causada por "hemorragia interna a raiz de uma laceração pulmonar", causada por ferimento perfurante do tórax. O ferimento poderia ter sido provocado por um tiro.

A violência começou "com manifestações violentíssimas por parte de moradores (da favela), certamente incentivados por marginais, o que culminou com cenas de violência, depredação, objetos queimados, carros queimados", disse nesta quarta-feira à AFP o coronel Frederico Caldas, coordenador geral das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), instaladas em favelas do Rio desde 2008.
Para o assessor da Anistia, no entanto, "há muitos indícios de que a morte de Douglas foi causada pela polícia".

"Não sabemos ainda o que aconteceu, mas houve tentativas de alterar a cena do crime e parece que lavaram o corpo", acrescentou.

– Pacificação questionada –

"Estamos muito longe de alcançar o ideal de que a comunidade se sinta protegida pela polícia. O objetivo das autoridades, de recuperar o controle do território (nas mãos de traficantes ou milicianos), está em questão em algumas favelas", disse à AFP Ignacio Cano, do Laboratório da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

  • 1
  • 2
Tags:
MorteMundoViolência
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia