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Francisco canoniza João XXIII e João Paulo II

<p>Papa Francisco durante cerimônia de canonização de João Paulo II e João XXIII, em 27 de abril de 2014 na Praça de São Pedro</p>

AFP - publicado em 27/04/14

Pela primeira vez em dois mil anos de história da Igreja, uma canonização foi concelebrada por dois Papas vivos para elevar aos altares dois pontífices muito diferentes

O papa Francisco proclamou neste domingo santos João Paulo II e João XXIII, dois pontífices que "não se deixaram vencer pelas tragédias do século XX", durante uma cerimônia na praça de São Pedro que também contou com a presença de seu antecessor, Bento XVI.

"Declaramos e definimos como santos os beatos João XXIII e João Paulo II e os inscrevemos no Catálogo dos Santos, e estabelecemos que em toda a Igreja sejam devotamente honrados entre os Santos", foi a fórmula pronunciada em latim pelo primeiro papa latino-americano da história, após a qual a multidão rompeu em aplausos.

Francisco entrou às 10h00 locais (05h00 de Brasília) na praça em procissão, seguido por cardeais e bispos que entoavam a ladainha dos santos.

O papa emérito Bento XVI, que renunciou ao trono de Pedro em 2013, participou vestido com a batina branca da cerimônia concelebrada por 150 cardeais e mil bispos.

Em sua chegada, foi recebido por calorosos aplausos e saudado com um abraço especial tanto no início quanto no fim da cerimônia por Francisco, em um gesto de fraternidade.

Pela primeira vez em dois mil anos de história da Igreja, uma canonização foi concelebrada por dois Papas vivos para elevar aos altares dois pontífices muito diferentes, mas cujos pontificados foram muito populares.

"Foram sacerdotes, bispos e Papas do século XX. Conheceram as suas tragédias, mas não foram vencidos por elas. Mais forte, neles, era Deus", declarou o Papa argentino, comprometido com uma reforma profunda da instituição após anos de escândalos provocados pelo silêncio da Igreja diante das denúncias de pedofilia de padres, de intrigas internas e de questões financeiras.

João XXIII e João Paulo II colaboraram com o Espírito Santo para "restabelecer e atualizar a Igreja segundo a sua fisionomia originária, a fisionomia que lhes deram os santos ao longo dos séculos", ressaltou Francisco.

A dupla canonização, do italiano João XXIII – considerado um progressista ao convocar o Concílio Vaticano II em 1962 para modernizar a Igreja – e do polonês João Paulo II – que enfrentou o comunismo e foi inflexível em temas morais – foi, segundo analistas, um golpe de mestre para Francisco, para unir os diferentes setores da Igreja.

Também encarnam duas imagens diferentes: o primeiro humilde e próximo do povo; o segundo um comunicador nato, carismático e capaz de seduzir tanto os poderosos quanto as multidões.

As relíquias dos dois novos santos, uma ampola de sangue de João Paulo II e um pedaço de pele de João XXIII extraída durante sua exumação no ano 2000, foram colocadas junto ao altar.

A mulher costarriquenha Floribeth Mora, de 50 anos, cuja cura de um aneurisma cerebral foi considerada o segundo milagre do Papa polonês, foi a encarregada de entregar a de João Paulo II.

Cerca de 800.000 pessoas acompanharam a cerimônia, segundo números oficiais, 300.000 delas através de 17 telões instalados em locais chave de Roma.

"João Paulo II foi o grande protetor de meus filhos", comentou entre lágrimas a peruana María Cardoza, que chegou muito cedo ao Vaticano para poder acompanhar a histórica canonização.

– "Dois Papas santos no céu, dois Papas na praça" –

Um enorme cartaz na praça resumia o significado do dia para os católicos: "Dois Papas santos no céu, dois Papas na praça" de São Pedro.

No total, 98 delegações lideradas por 24 chefes de Estado e de governo, entre eles os reis da Espanha, os presidentes de Equador, Honduras, El Salvador, assim como o controverso presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, acompanharam a canonização.

A cerimônia, que durou duas horas, também foi assistida por representantes de todas as religiões, entre eles uma importante delegação judaica, para homenagear dois Papas que lutaram contra os preconceitos contra os judeus.

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