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Divorciados novamente casados: um desafio para as comunidades cristãs

© Nina

Aleteia Vaticano - publicado em 28/04/14

Esta questão é um dos grandes sofrimentos da Igreja de hoje. E não há receitas simples, dizia Bento XVI

“Quando deixa seu pai e sua mãe para unir-se a uma mulher, tonar-se uma só carne e seguir adiante, e este amor falha (porque muitas vezes ele falha), precisamos sentir a dor do fracasso, acompanhar essas pessoas que vivenciaram este fracasso no amor. Não condenar! Caminhar com elas!” (Papa Francisco)

A atenção pastoral a quem se encontra em uma situação matrimonial difícil, especialmente os que voltaram a se casar, não é uma preocupação nova para a IgrejaCatólica, pelo contrário: é um problema complexo que sempre foi tratado com seriedade e que atualmente se tornou uma urgência, devido ao aumento dos divórcios e dos casais que vivem em união livre.

As comunidades cristãs têm o grande desafio de abrir-se àqueles casais que estão unidos pelo sacramento do matrimônio, mas também àqueles que receberam este sacramento, se divorciaram e voltaram a se casar, para mostrar-lhes a vida de fé, esperança, caridade e união que a Igreja lhes oferece.

Os últimos papas mostraram sua preocupação diante da dor dos que sofrem o fracasso do projeto do seu amor conjugal. O Papa João Paulo II destacou que “estes homens e mulheres precisam saber que a Igreja os ama, que não está longe deles, que sofre pela sua situação. Os divorciados novamente casados são e continuam sendo membros seus, porque receberam o Batismo e conservam a fé cristã”.

Bento XVI, no Encontro Mundial das Famílias de 2012, também explicou que “este problema é um dos grandes sofrimentos da Igreja de hoje. E não temos receitas simples”, destacando a importância de dizer a estas pessoas que “a Igreja as ama, e elas precisam ver e sentir este amor”.

Este tema também é foco da atenção do Papa Francisco, que convida a Igreja a caminhar com as pessoas divorciadas, a sentir dor junto delas pelo fracasso em seu amor; e convocou para o próximo mês de outubro um sínodo de bispos sobre o tema “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”, que inclui o desafio da atenção pastoral aos divorciados novamente casados.

O Catecismo da IgrejaCatólica pede respeito aos divorciados novamente casados que conservam sua fé e desejam educar seus filhos no cristianismo, e pede aos padres e a toda a comunidade que os acolham, para que não se sintam separados da Igreja.

Em sua exortação apostólica “Familiaris consortio”, o Papa João Paulo II comenta que a pastoral dos divorciados precisa acompanhar este grupo de casais na caridade, levando em consideração que alguns aspectos, como o da indissolubilidade, não os impede de ser membros do povo de Deus e de receber graças.

É verdade que tais pessoas não podem receber a comunhão sacramental nem exercer certas responsabilidades eclesiais (ser padrinhos, exercer ministérios litúrgicos estáveis ou ser catequistas), mas podem participar da comunhão espiritual, da oração e das obras de caridade.

Os agentes que realizam ações a favor dos divorciados novamente casados precisam manifestar-lhes a misericórdia de Deus com uma mensagem de motivação e esperança, e mostrar-lhes que eles continuam ocupando um lugar no coração da comunidade cristã.

A empatia para com os casais em situação matrimonial irregular precisa ser vivida na caridade. Muitos desses casais se sentam afastados, separados e inclusive rejeitados pela Igreja. Evidentemente, isso não pode ser assim. A Igreja é mãe e nunca rejeitará seus filhos.

É necessário que haja uma atitude de respeito e abertura a todos os casais que se encontram nesta situação; as paróquias podem organizar um serviço personalizado para acolher todos os casais que precisem de orientação para consolidar sua unidade e sua fé.

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