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Uma lição de São João Paulo II

© ARTURO MARI / OSSERVATORE ROMANO / AFP

Iglesia Viva - publicado em 05/05/14

O papa polonês nos mostrou que é possível perdoar os inimigos

No último dia 27 de abril, foram canonizados dois grandes homens, dois magníficos pastores da Igreja Católica: João Paulo II e João XXIII.

Vale a pena recordar uma das lições que João Paulo II nos deu, pois é muito oportuna e diz respeito a nós diretamente.

No dia 13 de maio de 1981, o jovem turco Mehmet Ali Agca, pago por não sei quem, tentou assassinar João Paulo II em plena Praça de São Pedro. Tudo estava calculado detalhadamente. O atirador havia se preparado para não falhar, a poucos metros do alvo. Mas ele falhou.

Agca continua se perguntando o porquê de ter errado e não encontra uma resposta humana coerente para a sua frustração. A bala assassina não chegou a atingir órgãos vitais de João Paulo II, ainda que tenha lhe deixado sequelas que foram, pouco a pouco, diminuindo suas forças.

O frustrado assassino foi condenado à prisão perpétua em Roma. Mas o Papa foi visitá-lo para dizer-lhe que o perdoava.

Qual terá sido o diálogo entre eles? Não sabemos. Este é um segredo que João Paulo II guardou para si; não o escreveu nem revelou a ninguém, porque faz parte do sigilo do sacramento da Confissão.

Esta é a lição que podemos resgatar: perdoar, por mais dolorosa que seja a emoção que se sente quando se vive alguma dessas contradições que fazem parte da nossa existência. Perdoar como decisão pessoal, não só uma vez, mas setenta vezes sete (cf. Mt 18, 22). E esta aparente hipérbole não acaba aqui: “Amem seus inimigos (…) sem esperar nada em troca” (cf. Lc 6, 35).

Claro, João Paulo II era o principal pastor da Igreja e tinha de dar exemplo – replicaram alguns. Mas ele não deixava de ser homem, com todas as fraquezas humanas. Era uma situação limite. Naquele dia, sua vida esteve a um passo da morte, mas ele soube perdoar.

Como se não bastasse, durante sua vida sacerdotal e como Sumo Pontífice, João Paulo II sofreu inúmeras demonstrações de desprezo. A Rússia, por exemplo, havia lhe fechado as portas, mas Gorbachev o reconheceu como o maior humanista do século 20.

Apesar de todos os obstáculos, ele não se amedrontou e continuou pregando a favor da paz, pedindo aos jovens que escancarassem as portas do seu coração para Deus, certos de que o perdão e o amor são a chave da felicidade.

Há momentos nos quais nos parece muito difícil perdoar, inclusive um pequeno desdém. É que, quando nos sentimos feridos, somos incapazes de raciocinar e aceitar que aquilo que consideramos uma ofensa pode ser simplesmente produto da fraqueza humana.

Mas nosso ego parece querer devolver multiplicado o sentimento de raiva, decepção, frustração, e todos esses sentimentos encontrados que nos tiram o sono e a possibilidade de ser felizes. Tal tensão emocional não nos permite analisar, colocar os pés no chão e entender a traição de Judas, as negações de Pedro, a covardia de Pilatos, e menos ainda a ingratidão das pessoas que nos são mais queridas.

Nunca antes vimos episódios tão cruéis como durante o século passado e o presente, como se o ódio fosse o melhor instrumento para a conquista do poder. Os pestilentos discursos diários vertem veneno nos corações dos menos precavidos, que alegram o dragão apocalíptico, cuja retórica é somente uma apologia da vingança. E o mais decepcionante é que as vítimas somos nós.

(Artigo publicado originalmente por Iglesia Viva)

Tags:
Joao Paulo IIPerdão
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