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Indignação internacional por sequestro de 200 meninas na Nigéria

<p>A comunidade internacional subiu o tom nesta terça-feira contra o grupo islamita nigeriano Boko Haram, que sequestrou mais de 200 meninas há três semanas e ameaça vendê-las como escravas.</p>

AFP - publicado em 07/05/14

Os pais das meninas criticaram a atuação do Exército, e acreditam que, no início, ele não agiu com a urgência que a situação exigia

A comunidade internacional subiu o tom nesta terça-feira contra o grupo radical islâmico nigeriano Boko Haram, que sequestrou mais de 200 meninas há três semanas e ameaça vendê-las como escravas, com o presidente americano, Barack Obama, manifestando sua "indignação".

No mesmo estado de Borno (nordeste), feudo do grupo islâmico, homens armados, supostamente integrantes do Boko Haram, sequestraram outras oito jovens, denunciaram nesta terça-feira seus habitantes.

Em um vídeo recebido pela AFP na segunda-feira, Abubakar Shekau, líder do grupo, reivindicou a autoria do sequestro, ocorrido no dia 14 de abril no distrito de Chibok, no estado de Borno (nordeste).

No vídeo, Shekau declarou: "Por Alá, venderei-as no mercado", acrescentando que o Boko Haram as considera como escravas.

"Estivemos todo este tempo imaginando o que poderia acontecer com nossas filhas estando nas mãos dessa escória", declarou à AFP em Chibok Lawal Zanna, mãe de uma das 223 sequestradas.

– "Contrário aos ensinamentos do Islã" –

O ato desencadeou a indignação internacional.

O presidente americano, Barack Obama, disse que o sequestro em massa é "chocante" e pediu uma resposta rápida.

Ao confirmar em uma entrevista à rede ABC que a Nigéria havia aceitado a oferta de Washington de enviar uma equipe de especialistas para ajudar a encontrar as crianças e adolescentes raptadas, Obama denunciou que o Boko Haram é "uma das piores organizações terroristas".

Nos Estados Unidos, alguns já chegaram a pedir uma intervenção.

"Não podemos fechar os olhos diante da evidência da barbaridade que está ocorrendo diante de nós na Nigéria", disse a senadora democrata Amy Klobuchar na segunda.

Centenas de manifestantes -muitos deles de origem nigeriana- se reuniram nesta terça diante da embaixada da Nigéria em Washington, gritando "Devolvam nossas meninas" e "Abusos nunca mais".

O protesto coincidiu com o anúncio do Departamento de Estado de que os Estados Unidos haviam oferecido uma equipe de especialistas para ajudar o governo a tentar localizar as vítimas.

Em um comunicado divulgado no Cairo, a prestigiosa universidade islâmica de Al-Azhar indicou que qualquer agressão a essas adolescentes é "completamente contrária aos ensinamentos do Islã e aos seus princípios de tolerância" e pediu a "sua libertação imediata".

O ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, declarou nesta terça que Londres está oferecendo à Nigéria ajuda prática para a libertação das meninas.

Com um tom mais ousado, a ONU advertiu ao grupo islâmico que o sequestro pode ser um crime contra a Humanidade.

"A legislação internacional proíbe absolutamente a escravidão, seja sexual ou não. Estes atos podem ser, sob certas circunstâncias, um crime contra a humanidade", declarou Rupert Colville, porta-voz da Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay.

"O rapto das meninas na Nigéria é de uma crueldade inimaginável", disse em Paris a atriz Angelina Jolie, conhecida também por seu trabalho como embaixadora da Boa Vontade da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

O grupo extremista sequestrou 276 adolescentes estudantes em Chiboks. Delas, 223 continuam em cativeiro, enquanto outras 53 conseguiram escapar, segundo a polícia.

Os pais das meninas criticaram a atuação do Exército, e acreditam que, no início, ele não agiu com a urgência que a situação exigia.

Os militares se defendem declarando ter lançado uma ampla operação de busca, incluindo na selva de Sambisa, no estado de Borno, onde o Boko Haram tem acampamentos fortificados.

– Levadas para o exterior? –

O Departamento de Estado indicou na segunda-feira que havia indícios de que as crianças poderiam ter sido levadas para países vizinhos, com base nas declarações não confirmadas das autoridades locais indicando que as crianças tinham sido vendidas a combatentes islâmicos como esposas em Camarões e no Chade.

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