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“Frozen” é um filme cristão?

© DR

Felix James Miller - publicado em 14/05/14





Para quem contextualiza a música adequadamente, deveria ficar claro que o "reino de isolamento" da rainha Elsa não é o lugar certo para ela. Ela não precisa mais manter os seus poderes escondidos do mundo, mas está completamente carente de companhia humana. Durante a maior parte da vida, Elsa viveu o mantra "esconda-se, não sinta"; agora, ela decide "deixar acontecer", "fugir e bater a porta". Ela canta: "É hora de ver o que eu posso fazer, testar os limites e rompê-los, sem certo nem errado; sem regras para mim… Eu sou livre". Acontece que, assim como a ideia de Anna sobre a liberdade é falha, a de Elsa também é: a “liberdade” que ela ganha na Montanha do Norte é uma liberdade desprovida de relacionamento. Na canção, Elsa afirma que "o passado está no passado", mas ela continua tão isolada em seu castelo de gelo quanto estava antes, em sua casa.

As duas canções parecem muito diferentes quando ouvidas pela primeira vez, mas a letra de "Let It Go" lembra com força o dueto da irmã, "O amor é uma porta aberta". A semelhança fica especialmente evidente quando examinamos as imagens presentes nas canções. Portas, liberdade e deixar o passado para trás são conceitos mencionados de maneira semelhante. Em suas canções​​, as duas irmãs revelam duas reações possíveis à dor do isolamento. O que vem à mente, quando se consideram as ações das duas irmãs, é a máxima de que “a virtude está no meio de dois extremos”, um conceito que herdamos do filósofo pagão Aristóteles. Correr impensadamente para os braços de um homem, como fez Anna, ou isolar-se da sociedade com a desculpa de tentar "ser ela mesma", como fez Elsa, são duas atitudes que não podem trazer felicidade. Nos casos de Elsa e de Anna, “Frozen” e a Igreja estão perfeitamente de acordo. Ambas, afinal, questionam: qual é o propósito do poder quando ele não é usado como uma forma de amor sacrificial?

Para o cristão, o amor é um ato realizado com a consciência de que a outra pessoa é valiosa, boa e bela. O dueto de Anna e Hans, que contém versos como "Eu nunca conheci ninguém que pensasse de maneira tão parecida comigo" e "A nossa sincronia mental tem que ter uma explicação", parece mostrar uma atração de um pelo outro não baseada no que o outro é, mas apenas no quanto ele é parecido consigo próprio, o que faz com que cada um se sinta livre e aparentemente feliz. Parece um romance agradável, mas será que não é um tipo de narcisismo? Elsa também mostra algo semelhante ao narcisismo quando toma a decisão de se isolar na montanha, ainda que por razões compreensíveis, já que os seus cidadãos, supostamente leais, estão apavorados com ela. Ela corta todo contato humano, podando a própria capacidade de amar verdadeiramente os outros. Como C.S. Lewis escreveu, as portas do inferno são trancadas por dentro.

Depois de ser ferida por Elsa, Anna ouve dizer que só um ato de amor verdadeiro pode salvar a sua vida. Assim, pensando que Hans está apaixonado por ela, Anna procura ser beijada por ele, mas ele a trai: ela precisa, então, encontrar outro ato de amor verdadeiro. Mas a questão permanece: o que é o amor? De acordo com a tradição cristã, o tipo de amor que leva à realização humana é o dom de si mesmo. Mas será que “Frozen” concorda com isso?

Olaf, o boneco de neve responsável pelo lado cômico do filme, atua como professor de Anna no tocante ao amor. Depois que Hans trai Anna e a tranca no quarto (evocando o contrário da canção-tema do casal, “Love is an open door”), Olaf usa o nariz para abrir a porta e mostrar a Anna o que é o verdadeiro amor, salvando a vida dela. Ao falar com Olaf, ela finalmente admite: "Eu nem sei o que é o amor". E ele responde: "O amor é… colocar as necessidades de outra pessoa na frente das suas, como, você sabe, quando Kristoff trouxe você de volta para cá, para Hans, e deixou você para sempre".
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ArteCinemaEntretenimento
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