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A “Madre Teresa” do Brasil

© Manos Unidas

CELAM - publicado em 18/05/14

A história da Irmã Genoveva que salvou um povo

O caso da Irmã Genoveva e suas companheiras, como o de Charles de Foucauld e Madre Teresa, são experiências que demonstram como o desejo de fraternidade se realiza verdadeiramente, graças ao amor heróico de poucos.

Genoveva, mais conhecida como Veva, viveu 60 anos com os Tapirapé, perto de Confresa, no Mato Grosso. A missionária vivia no vilarejo de Urubú Blanco. Junto com duas irmãs, chegou ao Brasil no dia 24 de junho de 1952, para viver com os Apyãwa da tribo Tapirapé, em condições parecidas àquelas dos nativos, tendo a mesma alimentação e estilo de vida deles.

O antropólogo Darcy Ribeiro considera esta experiência “uma das mais exemplares da história da antropologia”, e o teólogo Leonardo Boff a propõe como modelo para a verdadeira “evangelização”. 

As freiras aprenderam a língua, os costumes e a fé local, conseguindo evitar que aquele povo se extinguisse. Quando chegaram, havia apenas 43 membros na tribo. O chefe disse a elas com tristeza que ali tudo tinha um valor, menos eles: “A terra vale, os peixes valem, a madeira vale, somente os Apyãwa não valem”, dizia quase chorando.

O amor destas freiras reforçou a auto-estima  dos Apyãwa, e convenceu as mulheres a se unirem aos seus homens.

No dia 24 de setembro de 2013, quando Genoveva morreu aos 90 anos, o vilarejo Tapirapé do Araguaia tinha cerca de cinco mil Apyãwa. Genoveva viveu como um membro da tribo. No dia de sua morte, um grande desânimo invadiu o vilarejo, os cantos fúnebres se escutavam ao longo da noite e nos dias sucessivos. 

A missionária foi sepulta na casa onde vivia segundo o rito da tribo Apyãwa. A notícia de sua morte levou visitantes de várias partes ao local. Alguns viajaram 1.100 quilômetros para vê-la. O chefe Tapirapé ressaltou o respeito com o qual o seu povo foi sempre tratado pelas freiras nestes sessenta anos de convivência. “Nós Apyãwa devemos a nossa sobrevivência a estas freiras”, disse. 

Assim, Genoveva se tornou um “monumento de coerência, silêncio e humildade, de respeito e reconhecimento do diferente”, observou Antonio Canuto, “provando como é possível, com ações simples e pequenas, salvar a vida de todo um povo”. 

Se o cristianismo é um projeto comunitário de salvação, estas Pequenas Irmãs de Jesus estão demonstrando que o projeto é possível entre bancos e aborígenes, no nordeste de Mato Grosso. Assim como fez Charles de Foucauld no início do século XX, no deserto da Argélia. E Madre Teresa na Índia, acompanhando cada moribundo a morrer na própria fé. Eles foram como todos aqueles que se aproximam do diferente não para falar do amor de Deus, mas para ser aquele amor, para conviver, conhecer e valorizar a cultura e religião diferente.

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