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Um “brasileiro infiltrado no Vaticano”, a serviço da Igreja e da verdade

Cardinal João Braz de Aviz – pt

© Sabrina Fusco / ALETEIA

Emanuele D'Onofrio - Aleteia Vaticano - publicado em 20/05/14

Assim o Papa Bergoglio definiu brincando o cardeal João Braz de Aviz

O vento que da América do Sul chegou a Roma não começou a soprar com a eleição do Papa Francisco. Foi talvez o início de uma fase de renovação que já há tempos se ouvia. Podia-se ler em diversas pregações do pontificado de Bento XVI e já era promovido há algum tempo por algumas figuras ativas no Vaticano. Uma destas era João Braz de Aviz, cardeal brasileiro prefeito da Congregação para os Institutos da Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, nomeado pelo Papa Ratzinger e confirmado em tal cargo também pelo papa atual.

Como Bergoglio, sua história é carregada de rostos e de cheiros de periferias, desta vez aqueles do Brasil, mais pobre e que leva os rostos e cheiros até os palácios que são o coração da Santa Sé. Ler a biografia “Das periferias do mundo ao Vaticano: a história para a Igreja de amanhã”, escrita em colaboração com Michele Zanzucchi, diretora da revista Città Nuova, quer dizer compreender mais os passos que estão formando a Igreja de hoje. Aleteia entrevistou a autora Michele Zanzucchi.

Quando Francisco define rindo “um brasileiro infiltrado no Vaticano”, falando do cardeal Aviz em um encontro público durante a JMJ do Rio, o que ele quis dizer?

Antes de tudo que permanece ancorado no seu Brasil. Ele vem do Sul, de Curitiba, ou seja, de uma região de grande migração, e tem no sangue quase três quartos de sangue alemão. É um homem que permaneceu enraizado no Brasil, ainda mais, está enraizado no Evangelho. No fundo é um bispo que sempre esteve disponível cada vez que lhe pediam alguma coisa. Em poucos anos mudou quatro vezes de dioceses. Os bispos brasileiros, seus colegas, diziam a ele: “mas você aceita sempre?”. E ele respondia: “Se a Igreja chama eu vou”. Eis aí a extrema disponibilidade, e também agora permanece assim. Com um amor extraordinário pela verdade e a franqueza: não é um que pertence aos salões, que realiza grandes cerimônias. Tudo o que faz é ligado à comunidade, ` Igreja como povo de Deus e, diria, ao rebanho que deixa o próprio cheiro nas vestes dos pastores. 

Qual ideia de cardeal nos propõe Aviz?

Um cardeal, se assim posso dizer, que não se leva muito a sério. Ele mesmo diz de si: “eu não tenho as qualidades para ser cardeal, mas a Igreja me chama”. Se volta um pouco àquela ideia de “vocação objetiva”, onde é a Igreja quem chama. Mas, no entanto, existem qualidades muito belas no João Braz de Aviz, se pensarmos sobretudo naquelas que o Papa Bergoglio ressaltou quando o indicou ao cardeal Bertone como possível nome. É um homem do povo, que está em meio ao povo, nascido da comunidade, que vive da comunidade, que vive como um pastor em meio ao rebanho. Também como cardeal é assim, e tem uma ligação particular com o papa. Mostra também, no colaborar com ele, uma fraqueza, uma simplicidade de relação, no modo de relacionar-se, de enfrentar os problemas sem medo da verdade. Este é um ponto muito característico: máxima caridade, mas máximo respeito pela verdade. No livro, por exemplo, conta como por tantos anos a história do fundador dos Legionários de Cristo permaneceu engavetada. Com ele, sinceramente não acontecerá mais isto. Estão aparecendo histórias, também dolorosas, por este seu desejo de não esconder e de se colocar ao serviço da verdade. Certo de salvar o salvável, mas também de dizer as coisas assim como são. Existem páginas muito lindas, nas quais se fala dos filhos das Congregações que se encontram traídos pelo fundador: ele busca estar próximo a eles, avaliar todas as possibilidades para salvar e valorizar o serviço que esses prestam à Igreja.

Este amor pela verdade motivou também seu relacionamento próximo com Bento XVI?



Com Bento XVI ele teve menos possibilidades de proximidade. Não por culpa de ninguém, mas por tradição, pelas condições de saúde do papa – de Bento XVI -,  por sua idade avançada e a dificuldade de ter tudo em mãos. Dom João diz que tinha dificuldades de chegar até ele. Com efeito, após um ano e meio que se tornou cardeal, viu Bento XVI somente duas vezes. As questões delicadas foram vividas longe do papa. Esta certamente foi uma nota que prefigurava a chegada de Francisco, o qual pediu o apoio dos seus colaboradores mais próximos. A ele disse várias vezes: “ajuda-me porque eu não sei, você deve me dizer como estão as coisas”. E aqui tem o mistério da comunhão em Cristo que lhe permite ver através dos nomeados.

Quais são os traços característicos da Igreja brasileira, da qual provém, em comparação à Igreja argentina?

Isto ainda não me perguntei até agora, mas tenho a impressão que existem características diferentes entre as duas Igrejas. A Igreja argentina é talvez ainda mais ligada à Europa comparando com a outra. A brasileira é muito mais popular e menos intelectual, em relação à argentina. O comum é o continente latino-americano, a proximidade com o povo, com os mais pobres, com os deserdados: o pastor não tem sentido se encontrando longe do seu rebanho. Esta é a nota que as unifica, a sensibilidade por todos os temas sociais que nascem, pela imigração, pelas famílias que estão se arruinando: as periferias de Bergoglio são as periferias de Braz de Aviz. Certamente com situações diferentes. Entre outras, as duas nasceram próximas uma da outra.

Dom João teve um relacionamento muito próximo com os Focolares?

Ele conheceu os Focolares ainda no Seminário. Comoveu-se pelos simples testemunhos de vida evangélica de um focolarino. Não dos outros, não dos discursos que faziam, porque também isto não se lembra. Mas se lembra desta figura, um focolarino italiano, missionário, que o comoveu porque falava somente do Evangelho. Isto ele tem em comum com Bergoglio, e ainda é próximo dos focolarinos. Quando veio em Roma a 1968, teve uma crise normal como momento de crescimento e que a superou rapidamente, por isso praticamente permaneceu ligado aos Focolarenos desde o início. Mas a ligação entre os Focolares e os bispos é muito espiritual; está longe do pensamento de Chiara Lubich e deles mesmos, o ato de fazer lobby. Eles servem o papa e a Igreja, ponto. Isto Dom João me repetiu mil vezes com uma extraordinária força. Testemunham, mas sempre sobre o Evangelho, não sobre grupos de poder.

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