Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Quarta-feira 28 Outubro |
São Sálvio
home iconAtualidade
line break icon

O novo filme "Godzilla" não vai decepcionar os fãs

Courtesy of Warner Bros

David Ives - publicado em 21/05/14





Ótimo! Então Godzilla tem outras criaturas com quem lutar! Isto significa que o filme está cheio de monstros lutando com outros monstros, certo? Bom, mais ou menos. No que poderia ser um obstáculo para um bom número de espectadores, o diretor Gareth Edwards toma a decisão consciente de ser “meio tímido” com as suas criaturas durante os primeiros dois terços do filme. Depois que Muto vai até um aeroporto do Havaí e começa a destroçar o local, o Rei dos Monstros faz a sua primeira aparição em toda a sua glória régia! É uma entrada em cena espetacular, que faz o sangue do espectador ferver à espera da batalha imediata. Mas… Em vez de focar nos monstros, Edwards faz as suas câmeras seguirem as pessoas em fuga. Você vê partes da luta em andamento por cima dos ombros das pessoas ou em aparelhos de televisão à medida que as câmeras dos telejornais vão chegando. E é isso.

Espere aí: você está dizendo que não vamos ver o máximo de Godzilla num filme de Godzilla? Mais ou menos isso. Fisicamente, pelo menos, não. Isso não quer dizer que a presença dele não seja sentida ao longo do filme todo. Além disso, todos os filmes de Godzilla gastam boa parte do tempo mostrando seres humanos correndo em meio aos ataques de monstros; nenhum dos filmes consistiu unicamente em 90 minutos de monstros derrubando prédios. Mas Edwards realmente quer investir no elemento humano: por isso, mesmo quando há ataques de monstros já no início do filme, ele se concentra nas pessoas, especialmente nos personagens de Ford e da esposa Elle (Elizabeth Olsen). Infelizmente, porém, seja por culpa do material, seja por culpa dos atores, as cenas de pessoas não são tão envolventes quanto o diretor gostaria que fossem.

Então as partes sem monstros são ruins? Não, não são ruins, apenas medianas. Parte da razão disso é que é quase sempre assim nos filmes de Godzilla. Afinal, os seres humanos não são a atração principal. Mas a outra razão, creio eu, pode se dever à interpretação do caráter de Godzilla. Ao longo das décadas, Godzilla tem sido retratado como uma metáfora de muitas coisas: desastres naturais, realização do desejo das crianças e até como um avatar dos vingativos espíritos de soldados japoneses mortos na Segunda Guerra Mundial. Ele é muito versátil para um lagartão de 100 metros de altura. Sua incursão mais bem-sucedida no simbolismo, porém, veio na estreia, em 1954, quando o monstro era uma metáfora óbvia das consequências deixadas pelas bombas atômicas lançadas contra o Japão. Eu escrevi na minha resenha daquele filme: "Gojira foi o primeiro filme a abordar abertamente o fato de que, para os japoneses, a questão nuclear não era uma memória se desvanecendo, nem uma ameaça potencial, mas sim um pesadelo contínuo que já durava toda uma década. O público japonês reconheceu imediatamente a raiva, a tristeza e o sentimento de desamparo retratados no filme. É quase como se Gojira representasse alguma forma de terapia para a nação inteira, ressoando tão fortemente a ponto de receber uma indicação ao prêmio de Melhor Filme pela Academia Japonesa". Neste novo filme, Godzilla não representa algo tão pessoal para a audiência: por isso, o investimento nos personagens humanos não é tão forte.

Então, quem ou o que é o Godzilla neste novo filme? O personagem de Ken Watanabe explica que Godzilla, desta vez, não é apenas uma força da natureza, mas um agente real dela. Quando surge algo como Mutos e ameaça o equilíbrio já precário da natureza, Godzilla aparece e tenta acertar as coisas. Isso faz dele um defensor nosso, em certo sentido, mas não necessariamente um nosso herói. Ele vai machucar as pessoas que não saírem do caminho enquanto ele estiver fazendo o seu trabalho. Basicamente, existem coisas mais importantes acontecendo no mundo do que os nossos interesses humanos mesquinhos: Godzilla aparece de vez em quando para nos lembrar disso.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Tags:
Cinema
Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
TRIGEMELAS
Esteban Pittaro
A imagem de Nossa Senhora que acompanhou uma ...
Philip Kosloski
3 poderosos sacramentais para ter na sua casa
Aleteia Brasil
Quer dormir tranquilo? Reze esta oração da no...
Aleteia Brasil
O milagre que levou a casa da Virgem Maria de...
No colo de Maria
Como rezar o terço? Um guia ilustrado
Pe. Zezinho
Francisco Vêneto
Duas emissoras brasileiras deturpam fatos em ...
Reportagem local
Corpo incorrupto de Santa Bernadette: o que o...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia