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Quais são as expectativas em Israel pela visita do Papa?

Papa Francesco e il buon cristiano – pt

© Andreas SOLARO / AFP

Corrado Paolucci - publicado em 21/05/14

A espera do Papa na Terra Santa, no Estado de Israel e a expectativa do povo

Quais são os números da viagem do Papa à Terra Santa? Responde-nos Sergio Della Pergola, professor israelense de origem italiana, reconhecido como a principal autoridade no tema da demografia e da estatística relacionadas à população judaica em todo o mundo. Aleteia o entrevistou para conhecer de perto os números do povo israelense (judeus e cristãos) e para ter um olhar especial sobre a chegada do Papa na Terra Santa. 

Quantos são hoje os judeus que vivem em Israel e por quem é feita a população judaica?

A população judaica superou os 6.100.000 de pessoas, às quais é preciso adicionar cerca de 350.000 membros de famílias judaicas que são provenientes da ex-União Soviética, onde uma parte da família é membro de outras religiões ou não tem pertença religiosa.

Existem cerca de 160.000 cristãos em Israel e cerca de 130.000 drusos. Destes cristãos, 125.000 / 130.000 são de etnia árabe, e os outros provêm de casamentos mistos entre judeus e imigrantes mais recentes registrados como cristãos, mas na vida fazem parte mais ou menos da comunidade judaica. Estes são os números.

Em relação à queda demográfica relativa às comunidades cristãs em Israel e nos territórios Palestinos, o senhor pode nos dizer algo?

Aqui precisamos fazer uma distinção clara. A comunidade cristã em Israel está em constante aumento, e nos últimos 40 anos dobrou. Do contrário, os cristãos nos territórios palestinos estão em constante diminuição. Existe infelizmente perseguição e desconforto com as comunidades cristãs, no mundo islâmico. Vemos os massacres que aconteceram no Egito, no Iraque, a situação está muito difícil no Líbano, para não falar da Síria. Também nos territórios palestinos teve uma grave pressão sobre as comunidades cristãs devido ao poder excessivo dos fundamentalistas muçulmanos em âmbito palestino. 

Em Gaza não vive quase mais nenhum cristão. Na Cisjordânia duas cidades importantes como Belém, sede da Natividade, e Ramallah-El Bireh tiveram uma grande queda, por meio da islamização forçada dos territórios palestinos e a fuga dos cristãos. Ou seja, atenção: Israel é ainda um regime que se pode definir “democrático” e as diversas comunidades desfrutam da liberdade de expressão e proteção. Pode-se naturalmente estigmatizar as formas de vandalismo que existem, porque infelizmente existem tolos em todas as sociedades, como em todos os povos. 

Existe, por exemplo, um episódio em relação a Nazaré, a mais importante cidade árabe cristã do estado de Israel. Ali tem uma grande catedral na praça principal, e os muçulmanos querem construir uma mesquita na frente da catedral. O governo israelense permaneceu junto aos cristãos e deliberou que não se pode construir uma mesquita em frente a uma catedral. Isso só para esclarecer que são duas tendências bem diversas: Em Israel, na Palestina e todo o Oriente Médio. Seria mais oportuno que a Igreja Católica enfatizasse que o lugar no qual as comunidades cristãs podem se expressar livremente é o estado de Israel. 

© Sergio Della Pergola

Diz-se que a maior parte dos judeus vive ainda fora de Israel. Isto é verdade? Como o senhor comenta este fato?

O fato em si é exato, mas existem as premissas fundamentais. Em 1948, quando foi fundado o Estado de Israel, no seu interior viviam 5% do povo judeu e os outros 95% viviam em outros lugares. Hoje, em 2014, cerca de 45% do povo judeu vive em Israel e os 55% em outras partes. Existiu um rápido crescimento da comunidade judaica em Israel, em parte compensada por uma diminuição no número dos judeus da Diáspora. Permanece o fato de que Israel, que vivia um papel marginalizado quando alcançou a independência, é hoje a maior comunidade judaica do mundo. Esta tendência está em crescimento líquido, por isso na eventualidade onde se possa chegar a uma maioria do povo judeu que reside em Israel há uma perspectiva de 10 a 20 anos.

Todos com expectativas diversas esperam a chegada do Papa Francisco. Na sua opinião o que pode levar, de fato, a presença do Papa para o povo israelense?

Existe muita expectativa e grande interesse. Ousarei dizer que há um tempo era um fato marginalizado, agora se tornou quase uma rotina, faz parte do mapa, das grandes visitas pontifícias, este obviamente é um elemento positivo. Francisco é um personagem muito interessante, muito positivo, restaurou uma grande capacidade midiática que tínhamos visto com o Papa Wojtyla, o qual a visita a Israel foi memorável. Por isso existe este confronto, tem muita curiosidade e muita simpatia.

Existem algumas observações que gostaria de fazer: a primeira é que se espera que o Papa mencione o fato de visitar o Estado de Israel. Não queremos sentir uma referência somente à Terra Santa (sem subestimar a importância ecumênica que terá a visita), mas o fato de pronunciar de maneira explícita que existe o Estado de Israel e que faz parte desta visita. A mim não é claro se isto faz parte das mensagens que o Papa Francisco irá explicitar durante a sua visita. Este fato é muito importante porque as relações diplomáticas e o reconhecimento oficial da parte da Igreja existem já dos anos 90 e cresceram com São João Paulo II e com o Papa Emérito Bento XVI, que falaram explicitamente durante suas visitas. Não foi assim em 1964 durante a primeira visita de Paulo VI, que evitou cada referência.

Penso que o Papa Bergoglio será sensível a esta sutileza que tem um valor não apenas político, mas de identidade. Ou seja, existe grande expectativa no seu programa de visita. 

Gostaria de fazer uma outra consideração. O Papa Bergoglio traz consigo uma experiência de uma profunda amizade com a comunidade judaica de Buenos Aires. Entre as pessoas que viajarão no mesmo período está o rabino Skorka, grande amigo do Papa.

O Papa Francisco tem uma personalidade solar aberta às relações humanas. Estou certo que também ele, quando falamos do diálogo católico-judeu, queira fazer e dizer alguma coisa que ajude a levar adiante este relacionamento de fraternidade.

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