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Francisco colocará uma nova peça na ligação entre cristãos e judeus

© Corrado Paolucci/Aleteia

Corrado Paolucci - publicado em 24/05/14

O rabino italiano Rav Punturello fala da relação entre cristianismo e judaísmo à luz da visita do Papa Francisco à Terra Santa

Todos, com expectativas diversas esperavam a chegada do Papa Francisco à Terra Santa. Na sua opinião, o que um pontífice como ele pode trazer ao povo judeu?

Devemos distinguir dois elementos: o primeiro é o Pontífice enquanto cargo oficial, independentemente da pessoa. A sua visita a Israel é importante, trata-se de um Chefe de Estado, ou seja, uma visita política; é também o Chefe da Igreja Católica, ou seja, uma visita espiritual, de um Credo que mais do que qualquer outro tem as raízes e ligações profundas com o judaísmo.

Em segundo lugar, temos especificamente Bergoglio, que tem demonstrado desde o primeiro momento uma atenção a relação pessoal com o mundo judeu, que depois ele levou ao mundo institucional. Não é porém um simples relacionamento institucional, é também um relacionamento de Chefe da Igreja Católica frente ao mundo judeu.

O que vê um rabino na figura do Papa, em particular aquela de Papa Francisco?

De um ponto de vista puramente espiritual e teológico a figura do Papa não tem nenhum valor, como por exemplo Dalai Lama que é o guia espiritual para o mundo Budista.

É claro que as palavras do Papa, ditas de Roma, têm uma validade cultural, política e social que não podem ser ignoradas. Mas os judeus não têm figuras institucionais como superiores. O rabino chefe de Roma, ou o rabino chefe da assembléia rabínica italiana não são figuras que têm poder de tomar decisões mais que os outros.

Eu tenho 36 anos, nasci poucos anos antes do famoso encontro entre o Papa Wojtyla e o rabino Toaff, é claro que cada figura de Pontífice que a Igreja escolhe é um peça a mais na estrada do diálogo. A nossa geração não pode voltar atrás nas escolhas, pode simplesmente mantê-las, cuidar delas, levá-las adiante. Existem papas que que têm uma relação mais teológica com o mundo judeu como o Papa Ratzinger e outros que têm uma relação teologicamente mais questionável, mas humanamente mais forte. Esta é a realidade: cada Papa junta um pedaço no caminho do diálogo. Isto significa que o diálogo pode mudar, mas não pode ser anulado. A cada passo, com cada Pontífice que se apresenta no mundo católico como guia espiritual, o povo judeu, se pergunto qual será a nossa nova ligação. Não me pergunto mais se haverá uma ligação, ou não.

Como o senhor comenta os gestos de intimidação nos confrontos dos cristãos em alguns locais de Israel, em particular os cristãos de Nazaré? O que pensa destes fatos, também como rabino?

Temos duas realidades de presença cristã em Israel e na Palestina, muito distintas entre elas. A presença cristã em Israel é uma presença absolutamente tranquila do ponto de vista político, dos direitos e das liberdades de expressão e religiosa. O que pode suceder é, ao interno de uma democracia como aquela de Israel, que existem grupos menores que lançam pedras nos diálogos dos judeus, também nos diálogos com os leigos que exprimem seu secularismo porque se vestem de maneira diversa. Eles têm dificuldade em aceitar o outro e, mesmo eu sendo judeu como eles, vejo que exprimem a mesma condenável intolerância nos confrontos com outras culturas.

Ao contrário temos uma realidade em Belém com autonomia palestina, onde a comunidade cristã diminui de ano em ano de maneira terrível, com uma forte imigração dos cristãos para Israel: durante as festividades cristãs é difícil para eles saírem pelas ruas, por causa da proximidade fundamentalista islâmica. Dizia também o custódio da Terra Santa, Pizzaballa, e os próprios números dizem claramente: em 1950 os cristãos de Belém eram cerca da metade da população, hoje reduziram a menos de 12%. Nos anos 70 e 80, lembro que os amigos e parentes judeus contavam que andavam de Belém a Nazaré, porque sendo italianos, gostavam de passear nas praças centrais (dizia também Bento Cruz: “não podemos não nos dizer cristãos”).

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