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Os papas que amam os judeus

© ALESSIA GIULIANI / CPP

<span>May 11, 2009: Pope Benedict XVI in Jerusalem.</span>

Miguel Cuartero Samperi - publicado em 27/05/14

Nunca a Igreja, em toda a sua história, esteve tão próxima do povo semita e da religião de Abraão como nas últimas décadas

Já se passaram quase 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Mas uma suposta polêmica relação entre papas e nazismo parece ainda existir. Qual foi o real papel dos pontífices no período do nazismo e na luta contra o extermínio do povo judeu?

Pio XI, a sentença do Nazismo

Em março de 1937, o papa Pio XI, Achille Ratti, escreveu a memorável Encíclica Mit Brennender Sorge (“Com viva ansiedade”), endereçada a todos os bispos católicos. O pontífice encorajou os fiéis e, sobretudo, os sacerdotes alemães a permanecerem fiéis a Cristo e à missão concedida a eles, a “servir à verdade, à verdade inteira, desmascarar e refutar o erro, qualquer que seja a sua forma e o seu disfarce”. Esta Encíclica foi um ato de condenação do governo de Hitler, do racismo, da discriminação e das perseguições do regime nazista. Esta corajosa Encíclica foi definida como “a mais dura crítica que a Santa Sé já expressou na confrontação contra um regime político”. A reação de Hitler foi furiosa: a Igreja Católica se opunha frente ao seu programa político.

Pio XII, o silêncio e a ajuda aos judeus

Tornou papa em março de 1939. A acusação que ainda hoje se eleva sobre Pio XII é de não ter se exposto com força e de modo explícito contra Hitler, denunciando as deportações e a política de extermínio. Por trás do silêncio estaria escondida uma cumplicidade criminosa com o líder nazista. Aqueles que acusam o papa Pacelli ignoram diversos documentos, correspondências e todas as estratégias diplomáticas que o papa (político eminente e experiente), colocou em ação naqueles anos difíceis, com a finalidade de proteger a população judaica.

Hoje a Igreja reconheceu oficialmente as virtudes heróicas do papa Pacelli: ele está em processo de beatificação. A figura do Papa Pio XII ganhou um largo consenso também fora do mundo católico, demonstrando o quão real era a sua oposição a Hitler, e o quanto são ideológicas as acusações contra este papa. Não somente estudiosos católicos, mas também autores de origens judaicas como Martin Gilbert, Pichas Lapide, Jeno Levai e David Dalin defenderam o papa, colocando à luz as razões históricas que privam qualquer valor científico das falsas acusações feitas contra Pio XII.

João XXIII e Paulo VI, os papas do Concílio: uma nova estação de diálogo

A partir do Concílio Vaticano II, na Igreja Católica se inaugurou um novo clima de abertura e de diálogo nos diálogos com o povo judeu, graças sobretudo ao impulso dado pelos pontífices italianos que guiaram o Concílio: João XXIII e Paulo VI. O último assinou, em 28 de outubro de 1965, um documento fundamental que representou um momento decisivo no diálogo com as religiões de Abraão: a declaração conciliar “Nostra Aetate”. Os padres conciliares condenaram oficialmente, em nome de toda a Igreja Católica, todas as violências e perseguições contra o povo judeu por motivos de raça e de religião. Foi muito significativo que Paulo VI, seis meses depois de sua eleição, tenha ido a Israel (janeiro de 1964), na primeira de suas nove viagens apostólicas. Foi o primeiro pontífice a visitar a Terra Santa.

João Paulo II, do Mudo das Lamentações a Auschwitz: os judeus, os irmãos mais velhos

Foi o primeiro papa a visitar o campo de concentração de Auschwitz, onde, em 1979, fez homenagem as vítimas do Shoah. Em março de 2000, esteve em Israel para rezar no Mudo das Lamentações, pediu perdão a Deus, em nome de toda a humanidade pelos horrores do Holocausto.

Um outro significativo ato foi a visita de João Paulo II à sinagoga de Roma em 13 de abril de 1986. Um momento histórico, no qual o pontífice se voltou ao rabino Toaff com palavras de profunda estima: “vocês são os nossos irmãos prediletos (…), os nossos irmãos mais velhos”. Foi o primeiro papa a visitar uma Sinagoga.

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