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Religião

A criança que levava água aos ceifeiros

Àncora Editrice

Àncora Editrice - publicado em 28/05/14

Padre Raniero Cantalamessa conta sua vida ao serviço da Palavra

Nascido em julho de 1934, o padre Raniero Cantalamessa continua rodando o mundo para pregar a Palavra de Deus. Em comemoração aos seus 80 anos, a editora Ancora publicou “O menino que levava água. Uma vida a serviço da Palavra”.

Um livro-entrevista no qual as perguntas do jornalista Aldo Maria Valli acompanham o padre Raniero na história de sua vida, levada pelo fio condutor do chamado a ser “o portador da água viva da Palavra de Deus”. 

“Durante o verão, quando era menino, tinha a responsabilidade de levar água aos ceifeiros. Ao encontrá-los, todos endireitavam as costas, secavam o suor do rosto e bebiam uma garrafa inteira de água. Em uma de minhas primeiras pregações na presença de João Paulo II, lembrei como na verdade eu tenha continuado a fazer por toda a vida o humilde ofício que fazia quando era menino: levar água aos ceifeiros. Mudaram apenas os ceifeiros, que agora são os operários da vinha do Senhor, e a água que levo, que agora é a Palavra de Deus”, afirma o pe. Cantalamessa.

Percorrendo as páginas da vida do sacerdote, pode-se reler o período intenso e extraordinário da “transformação” do Concílio Vaticano II, do qual foi testemunha, mas também protagonista, graças a sua sensibilidade ecumênica, sua atenção aos sinais do Espírito e a dedicação ao serviço da Palavra. Como pregador da Casa Pontifícia, a partir de 1980, padre Cantalamessa voltou sua meditação a três papas (João Paulo II, Bento XVI e Francisco), atravessando fases decisivas da vida recente da Igreja. Pregou para um papa santo, para o papa que entrou para a história pela escolha humilde da renúncia ao papado, para o primeiro papa latino, jesuíta e de nome Francisco. Um verdadeiro homem de recordes.

O diálogo entre o entrevistado e o entrevistador revela-se uma experiência preciosa não somente para aprofundar o conhecimento de um grande homem de fé e grande comunicador, mas também para entrar melhor no ensinamento do papa que veio da outra parte do mundo.

“Nós não somos uma ‘razão’ de idéias, de pura teologia, de coisas belas, de mandamentos. Não, nós somos um povo que segue Jesus Cristo e dá testemunho”, afirmou o Papa Francisco, na homilia em Santa Marta dia 6 de maio de 2014.

“Com este papa, volta o desafio maior que a fé cristã deixa a todos: crer que Deus se tenha feito homem e tenha sido morto e ressuscitado por cada um de nós. Espiritualmente, a maior parte de nós vive ainda no Antigo Testamento: a primeira lei de tudo. Mas a lei sozinha não pode nada e corre o risco de secar o homem. Quando a sociedade inteira era cristã, não tinha necessidade de colocar em primeiro plano a fé, ou seja, a razão profunda do comportamento moral, mas agora, numa realidade pós-cristã que é muito parecida àquela pré-cristã, é preciso voltar às raízes. Os apóstolos no Pentecostes não receberam o Espírito Santo porque eram fervorosos, mas se tornaram fervorosos por terem recebido o Espírito Santo”, diz pe. Raniero. “Uma coisa é certa: qualquer que seja a duração do seu papado, não será fácil voltar atrás. E eu acrescento: felizmente”.

Em uma conversa com poucos amigos, ou uma transmissão televisiva com muitos espectadores, ou diante do papa e da cúria romana, o pe. Cantalamessa tem sempre as mesmas armas: a verdade, a sinceridade, a autenticidade e a liberdade. 

Os recursos mais importantes de Cantalamessa são os interiores, alimentados pela maravilha inesgotável que continua a experimentar ante a face de Jesus e as Escrituras. Um amor pelo anúncio que “sequestrou” o padre “da cátedra ao púlpito”, do estudo à pregação, para seguir aquela que ele mesmo define sua vocação. No coração, sempre aquele menino que levava água, mas que continua ainda – sempre – a ter sede.

Padre Raniero Cantalamessa é franciscano capuchinho, italiano. Formado em Teologia e em Letras clássicas, foi professor de História das origens cristãs na Universidade Católica de Milão, membro da Comissão Teológica Internacional e em 1979 deixou o ensino acadêmico para dedicar-se inteiramente à pregação em várias nações do mundo, com forte sensibilidade ecumênica. Desde 1980 é Pregador da Casa Pontifícia. 

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