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Transexuais: será que o corpo humano mente?

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Bioeticaweb - publicado em 28/05/14





É possível tecnicamente armazenar gametas e fecundá-los, mas a herança genética tem sua história, vem de um tronco familiar, com suas predisposições, sua propensão a determinadas doenças, além de sua etnia e as características dos rostos etc. Daí que cada pessoa tenha direito de saber de quem ela procede, e com isso, qual é sua identidade biológica.

A identidade sexual faz parte da identidade biológica de cada pessoa. O “eu” se somatiza no corpo, que é sexuado. O sexo cerebral, psicológico, coincide com o corporal, e dá lugar a uma ampla margem de estilos de homens e mulheres. O cérebro tem sexo.

Isso não supõe ignorar que existem pessoas transexuais, que se sentem do sexo oposto ao do seu corpo, nem ignorar que existem pessoas com um transtorno do desenvolvimento gonadal, que apresentam ambiguidade nas estruturas gonadais e nos genitais.

Hoje sabemos que a causa de ambas as condições é genética. A alteração de um ou mais genes traz deficiência de alguma das enzimas ligadas ao metabolismo dos hormônios sexuais e, com isso, déficit ou excesso na ação que estes exercem sobre a regulação de outros genes.

Durante a fase pré-natal, os genes dos cromossomos sexuais estabelecem as estruturas dos testículos e dos ovários fetais fabricados pelos hormônios. Também o cérebro recebe e metaboliza os hormônios, em momentos adequados e diferentes dos da consolidação das gônadas. Mantém um equilíbrio hormonal que traça as linhas centrais do padrão cerebral feminino ou masculino.

Ao contrário de qualquer outro órgão, o cérebro é plástico a vida inteira. Ele se estrutura e funciona a partir dos hormônios em algumas fases iniciais da vida, e sobretudo a partir de vivências, experiências, adições e decisões. A ação dos hormônios é especialmente intensa na infância e na puberdade.

É possível afirmar que a ação direta dos hormônios sexuais sobre o cérebro é um fator crucial no desenvolvimento da identidade de gênero (masculina ou feminina). Não obstante, não é suficiente. De fato, há diferenças na sensibilidade dos andrógenos, há diferentes níveis hormonais e dos receptores, que as captam para que exerçam sua ação específica nas células, tanto dos órgãos reprodutivos quanto do cérebro.

Por isso, existem pessoas transexuais às quais seu corpo não diz o mesmo que seu “eu”. E existem pessoas (antigamente conhecidas como hermafroditas) cujo corpo lhes transmite uma mensagem ambígua, por sofrer um transtorno do desenvolvimento do óvulo/testículo.

Os conhecimentos atuais apontam, no caso da transexualidade, para uma disfunção na percepção cerebral do próprio corpo, que não é uma simples questão de preferência dependente do ambiente social ou da aprendizagem. Por isso, a pesquisa biomédica questiona a hipótese de que a harmonia entre a psique e a corporeidade seja alcançada com intervenções cirúrgicas e tratamentos hormonais que mudam o sexo genital e as características sexuais secundárias e, por sua vez, afetam o cérebro.

As pessoas com transtorno genético de desenvolvimento gonadal têm estruturas corporais com ambiguidade sexual, sem efeitos cerebrais. Os meninos que nascem genética e hormonalmente como homens se identificam desde a infância como homens, apesar de terem sido, muitas vezes, criados e educados como mulheres, e inclusive se submetido a uma cirurgia no nascimento.

Por outro lado, as meninas submetidas a altos níveis de andrógenos na etapa pré-natal têm genitais masculinizados e, só em casos extremos, apresentam transexualidade. Hoje, podemos saber o que causou a ambiguidade gonadal e educá-la como é na realidade. A época de dúvida de que fosse menina já passou, felizmente.
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Tags:
generoSexualidade
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