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Exorcismo, arma contra o mal

Família Cristã

Ilustração: exorcismo

Família Cristã - publicado em 30/05/14

O rito dura cerca de 30 minutos. Quando termina, a Maria retoma a sua voz, corpo e temperamento normais. Em conjunto com eles, o sacerdote vai tentando perceber o que esteve na origem desta situação, e vêm à baila antigas disputas familiares por causa de heranças. «Surgem muitos casos destes, de pessoas que, não se tendo aberto à intervenção do Diabo, são colocadas nesta situação por outras pessoas que recorrem a bruxos e fazem feitiços contra elas», explica o Pe. Sousa Lara, enquanto o marido da Maria explica que já encontraram tigelas com sangue de animais à porta da sua casa, resultado de rituais satânicos. É-lhes então recomendado que não se esqueçam da oração, da Eucaristia e da confissão, e marcada nova sessão para um mês depois.

O caso seguinte é o do João (nome fictício). Antes de ele chegar, colocámos a marquesa bem no centro da sala. «Este é um caso mais complicado, vamos precisar de o deitar, amarrar os pés e segurá-lo bem», diz o sacerdote. Chegado à sala, o João deita-se e só depois de amarrado e seguro por todos os presentes na sala, o Pe. Sousa Lara se aproxima dele e dá início ao rito. De imediato o João deixa de falar e começa a emitir um som contínuo, semelhante a um ladrar de cão. O seu corpo exerce muita pressão sobre todos os que o seguram, sempre na tentativa de se levantar.

Não há qualquer comunicação com ele durante a oração, pois ele limita-se a emitir sons de forma contínua, sendo mais audíveis quando são pronunciadas as mesmas frases que no exorcismo anterior. Ninguém sabe o que o colocou naquela situação, que já se arrasta há alguns anos também, agravada por fenómenos de alcoolismo e automedicação. João frequenta o psiquiatra, mas ainda não lhe disse que tinha procurado um exorcista, e o Pe. Duarte sugere que o faça.

O sucesso do exorcismo depende sempre da vontade do exorcizado. O João afirmava ao Pe. Sousa Lara que se tinha deixado de automedicar, mas a mãe, ali presente, abanava a cabeça com tristeza. «João, não deixaste, não mintas ao senhor padre.» «Esta é a parte mais difícil de conseguir, a conversão sincera de vida. Podemos ir à Missa todos os dias, confessar-nos e tudo, mas se não quisermos verdadeiramente mudar de vida e abandonar o pecado, não nos libertamos do domínio que o demónio tem sobre nós», explica o Pe. Sousa Lara para todos na sala. O João sai com a promessa de que irá mudar.

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Portugal tem poucos exorcistas

A formação dos sacerdotes, diocesanos ou religiosos, não contempla a temática das possessões, com exceção de uma breve referência na cadeira de Liturgia, por causa do Rito do Exorcismo. Um desconhecimento que leva a que muitos considerem o tema tabu e não o queiram abordar. O tabu mantém-se até na nomeação que deveria ser feita pelo bispo da diocese. Apesar de todos os sacerdotes terem o poder de exorcizar demónios, só o fazem licitamente com licença expressa do bispo. «São muito poucas as dioceses que têm um exorcista devidamente preparado para isto, e eu já cheguei a escrever a alguns bispos que têm sacerdotes na sua diocese com alguma experiência nesta área e poderiam fazê-lo, mas nem sempre recebo resposta», lamentou o Pe. Sousa Lara, que adianta que Viseu, Lamego, Funchal e Santarém são dioceses que têm exorcistas preparados para exercer de forma eficaz essa tarefa.

O que diz o «Catecismo da Igreja Católica»

A Igreja Católica defende a existência do Diabo enquanto entidade sobrenatural, não apenas como a ausência de Bem.

O n.º 328 diz que «a existência dos seres espirituais, não-corporais, a que a Sagrada Escritura habitualmente chama anjos, é uma verdade de fé. O testemunho da Escritura é tão claro como a unanimidade da Tradição», para defender já no n.º 391 a existência de uma «voz sedutora» por trás «da opção de desobediência dos nossos primeiros pais». «A Escritura e a Tradição da Igreja veem neste ser um anjo decaído, chamado Satanás ou Diabo. Segundo o ensinamento da Igreja, ele foi primeiro um anjo bom, criado por Deus», diz o mesmo número.

Mais à frente, o n.º 392 explica que alguns destes anjos tiveram uma «queda». «A queda consiste na livre opção destes espíritos criados, que radical e irrevogavelmente recusaram Deus e o Seu Reino.» Finalmente, o n.º 393 explica que estes anjos não se reconciliam com Deus em virtude do «carácter irrevogável da sua opção, e não uma falha da infinita misericórdia de Deus, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado». Neste sentido, os pecados que os homens cometem são sempre passíveis de perdão enquanto o homem tiver em si a disponibilidade para o arrependimento e para a conversão.

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DemônioExorcismo
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