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O que o Papa Francisco tem em comum com Steve Jobs?

Papa Francisco y Steve Jobs – pt

Steve Jobs/© Danny Novo

César Nebot - publicado em 31/05/14

Os segredos de um bom CEO, também para Anne Mulcahy, que recuperou a Xerox: escuta, transparência, audácia, enfrentar as crises e... senso de humor

Nas escolas de negócios do mundo inteiro, estudam-se as estratégias que diferentes diretores executivos (mais conhecidos como CEO) utilizaram para chegar ao sucesso empresarial. Há inúmeros casos de diretivos que recuperaram com êxito companhias que estavam falindo. Alguns casos notáveis são Steve Jobs na Apple, Lou Gerstner na IBM, Segio Marchionne na Fiat etc.

Como o caso de Steve Jobs na Apple, podemos lembrar de exemplos como o de Anne Mulcahy na Xerox.

No final do século passado, a Xerox Corporation parecia estar no topo do mundo do comércio mundial e com produtos tecnologicamente mais avançados que a concorrência. No entanto, em apenas dois anos, esteve a ponto de desaparecer. As vendas e o lucro despencaram, enquanto os rivais igualavam as máquinas de alto nível da xerox a preços mais competitivos.

As perdas da Xerox durante o primeiro ano do século 21 somaram um total de 384 milhões de dólares. A dívida aumentou para 18 bilhões de dólares. As ações despencaram de 64 para 4 dólares frente à iminente falência. Em um período de 18 meses, os acionistas da Xerox perderam 38 milhões de dólares. Cerca de 22 mil funcionários da Xerox ficaram desempregados.

Anne Mulcahy conseguiu reverter a situação. Em um famoso discurso de 2004, na Stanford Graduate School of Business, Anne Mulcahy destacou quais foram os segredos do sucesso:

Escutar todos os integrantes da empresa, para poder entender os sintomas que a colocaram em uma situação difícil. Um líder não pode se limitar a receber relatórios de diretivos de alto nível ou de nível intermediário.

A transparência e a franqueza na comunicação são chaves, porque não apenas fazem tomar consciência da realidade da empresa, senão que, ao mesmo tempo, levam seus integrantes a envolver-se mais.

Abordar a crise como uma oportunidade motivadora para a mudança, para a melhoria.

Ser capaz de voltar ao ponto de partida e refletir profundamente sobre todos os aspectos, desde a fundação da empresa. Isso facilita saber o porquê e o como de se ter chegado a determinada situação. A solução costuma se esconder no simples.

Ser capaz de seguir o instinto, muito além daquilo que a razão nos diz.

Ser consciente da importância da cultura organizativa empresarial. É preciso levar em consideração os valores e as práticas comuns dos funcionários da companhia.

Orientar-se aos clientes. A relação com os clientes deve ser um pilar fundamental; sem eles, o sucesso da empresa não existe.

Manter e crescer a visão da empresa. Ter uma visão clara sobre como a empresa tem de ser no futuro, para motivar e crescer de forma positiva.

Ter um bom grau de autocrítica construtiva e veraz. Cercar-se de pessoas que só elogiam não é uma boa estratégia. É muito importante que os funcionários sejam honestos e falem a verdade na frente do seu manager, quando este lhes pergunte sobre o seu trabalho.

Ter grande senso de humor. O bom humor relaxa e gera bom ambiente. Isso permite a identificação com a empresa e que os trabalhadores se sintam à vontade com o trabalho durante seu expediente.

Se você estudar atentamente esta experiência e cada uma das estratégias mencionadas, surpreendentemente as identificará, sem sombra de dúvida, com este primeiro ano de pontificado do PapaFrancisco.

Permitam-me fazer um paralelismo. Quando Jorge Bergoglio foi eleito como CEO da empresa mais longeva da história, a Igreja Católica não passava pelos seus melhores momentos. Atravessava uma profunda e arraigada crise. O produto que ela oferecia havia perdido muito terreno a favor de competidores. Certos escândalos e uma má política de comunicação corporativa afastavam os clientes, e a força das vendas se tornava cada vez mais difícil.


Além disso, as finanças eram um caos, não isentas de opacidade e suspeitas de corrupção. A divisão estava instalada no próprio conselho administrativo. Para piorar, o CEO anterior havia acabado de renunciar ao cargo, algo que não ocorria há cerca de 600 anos, e parece ter sido por sugestão do presidente e fundador da empresa.

Em um ano, o novo CEO mudou a política de comunicação corporativa, está solucionando os escândalos, melhorou a gestão e a proximidade com o cliente, deu um novo impulso às vendas, conferiu transparência às finanças e está facilitando a unidade da empresa.

Em apenas 12 meses, parece que o panorama da multinacional Igreja Católica mudou radicalmente. Sob o comando do novo CEO, PapaFrancisco, a empresa dá sinais de vitalidade. Se repassarmos cada estratégia, descobriremos suas frases e gestos mais notáveis.

– Escutar todos os integrantes da empresa para poder entender

27 de novembro de 2013, na Evangelii gaudium: “O pregador deve também pôr-se à escuta do povo, para descobrir aquilo que os fiéis precisam de ouvir. (…)O maior risco dum pregador é habituar-se à sua própria linguagem e pensar que todos os outros a usam e compreendem espontaneamente. (…) Hoje mais do que nunca precisamos de homens e mulheres (…) para, no meio de todos, defender as ovelhas a nós confiadas dos lobos que tentam desgarrar o rebanho. Precisamos de nos exercitar na arte de escutar, que é mais do que ouvir”.

– A transparência e a franqueza na comunicação

Em outubro de 2013, o Vaticano aprovou a lei da transparência financeira. Em maio de 2014, o PapaFrancisco pediu “coragem e determinação” ao novo Conselho para a Economia do Vaticano, de recente criação, e exortou: “Este percurso não será simples e exige coragem e determinação. (…) O Conselho para a economia desempenha um papel significativo neste processo de reforma. (…) Não devemos sair deste caminho. Transparência, eficiência. Tudo com este objetivo”.

– Abordar a crise como uma oportunidade motivadora

Em 1º de janeiro de 2014, no Dia Mundial da Paz, o Papa disse: “As sucessivas crises económicas devem levar a repensar adequadamente os modelos de desenvolvimento económico e a mudar os estilos de vida. A crise atual, com pesadas consequências na vida das pessoas, pode ser também uma ocasião propícia para recuperar as virtudes da prudência, temperança, justiça e fortaleza”.

– Ser capaz de voltar ao ponto de partida

O PapaFrancisco faz alusão constantemente à pobreza do Evangelho como ponto de partida para a reforma da Igreja Católica.

– Ser capaz de seguir o instinto

Em maio de 2014, o Pontífice disse: “Quem somos nós para fechar as portas ao Espírito Santo?”. São muitas as referências que ele faz ao Espírito Santo como promotor de que a Igreja saia do seu egocentrismo.

– Ser consciente da importância da cultura organizativa empresarial

O PapaFrancisco faz referência constante à atitude dos católicos para reformar a Igreja. Em julho de 2013, pediu que os jovens “fizessem bagunça” para levar a Igreja às ruas: “Quero que saiam, quero que a Igreja saia pelas estradas, quero que nos defendamos de tudo o que é mundanismo, imobilismo, nos defendamos do que é comodidade, do que é clericalismo, de tudo aquilo que é viver fechados em nós mesmos. As paróquias, as escolas, as instituições são feitas para sair; se não o fizerem, tornam-se uma ONG e a Igreja não pode ser uma ONG. Que me perdoem os Bispos e os sacerdotes, se alguns depois lhes criarem confusão. Mas este é o meu conselho”.

– Orientar-se aos clientes

Em 27 de março de 2013, em sua primeira audiência pública, ele disse que a Semana Santa significa “sair de nós mesmos para ir às periferias, ao encontro dos mais afastados, os esquecidos e daqueles que precisam de compreensão, conselho e ajuda”.


– Manter e crescer na visão da empresa

Em 16 de março de 2013, em seu primeiro encontro com os jornalistas, o PapaFrancisco desabafou: “Como eu gostaria de ver uma Igreja pobre e para os pobres!”.

– Ter um bom grau de autocrítica construtiva e veraz

Em janeiro de 2014, ele pediu “menos monsenhores e mais pastores com o cheiro das ovelhas”.

– Grande senso de humor

Em março de 2014, após os exercícios espirituais, explicou que “todos nós somos pecadores, mas temos o desejo de seguir Jesus mais de perto, sem perder a esperança na promessa e sem perder o senso de humor, e às vezes cumprimentando de longe: ‘Obrigado, Pai’”.

São inúmeras as histórias curiosas e simpáticas presentes nas intervenções do PapaFrancisco. Ele chegou até a dar passagem ao rei Juan Carlos I, com a frase: “Os coroinhas primeiro”.

Em maio de 2013, disse: “Às vezes, estes cristãos melancólicos têm cara de pepinos em conserva, ao contrário das pessoas alegres que têm uma vida bela”.

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