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O que o Papa Francisco tem em comum com Steve Jobs?

Steve Jobs/© Danny Novo

César Nebot - publicado em 31/05/14


Além disso, as finanças eram um caos, não isentas de opacidade e suspeitas de corrupção. A divisão estava instalada no próprio conselho administrativo. Para piorar, o CEO anterior havia acabado de renunciar ao cargo, algo que não ocorria há cerca de 600 anos, e parece ter sido por sugestão do presidente e fundador da empresa.

Em um ano, o novo CEO mudou a política de comunicação corporativa, está solucionando os escândalos, melhorou a gestão e a proximidade com o cliente, deu um novo impulso às vendas, conferiu transparência às finanças e está facilitando a unidade da empresa.

Em apenas 12 meses, parece que o panorama da multinacional Igreja Católica mudou radicalmente. Sob o comando do novo CEO, PapaFrancisco, a empresa dá sinais de vitalidade. Se repassarmos cada estratégia, descobriremos suas frases e gestos mais notáveis.

– Escutar todos os integrantes da empresa para poder entender

27 de novembro de 2013, na Evangelii gaudium: “O pregador deve também pôr-se à escuta do povo, para descobrir aquilo que os fiéis precisam de ouvir. (…)O maior risco dum pregador é habituar-se à sua própria linguagem e pensar que todos os outros a usam e compreendem espontaneamente. (…) Hoje mais do que nunca precisamos de homens e mulheres (…) para, no meio de todos, defender as ovelhas a nós confiadas dos lobos que tentam desgarrar o rebanho. Precisamos de nos exercitar na arte de escutar, que é mais do que ouvir”.

– A transparência e a franqueza na comunicação

Em outubro de 2013, o Vaticano aprovou a lei da transparência financeira. Em maio de 2014, o PapaFrancisco pediu “coragem e determinação” ao novo Conselho para a Economia do Vaticano, de recente criação, e exortou: “Este percurso não será simples e exige coragem e determinação. (…) O Conselho para a economia desempenha um papel significativo neste processo de reforma. (…) Não devemos sair deste caminho. Transparência, eficiência. Tudo com este objetivo”.

– Abordar a crise como uma oportunidade motivadora

Em 1º de janeiro de 2014, no Dia Mundial da Paz, o Papa disse: “As sucessivas crises económicas devem levar a repensar adequadamente os modelos de desenvolvimento económico e a mudar os estilos de vida. A crise atual, com pesadas consequências na vida das pessoas, pode ser também uma ocasião propícia para recuperar as virtudes da prudência, temperança, justiça e fortaleza”.

– Ser capaz de voltar ao ponto de partida

O PapaFrancisco faz alusão constantemente à pobreza do Evangelho como ponto de partida para a reforma da Igreja Católica.

– Ser capaz de seguir o instinto

Em maio de 2014, o Pontífice disse: “Quem somos nós para fechar as portas ao Espírito Santo?”. São muitas as referências que ele faz ao Espírito Santo como promotor de que a Igreja saia do seu egocentrismo.

– Ser consciente da importância da cultura organizativa empresarial

O PapaFrancisco faz referência constante à atitude dos católicos para reformar a Igreja. Em julho de 2013, pediu que os jovens “fizessem bagunça” para levar a Igreja às ruas: “Quero que saiam, quero que a Igreja saia pelas estradas, quero que nos defendamos de tudo o que é mundanismo, imobilismo, nos defendamos do que é comodidade, do que é clericalismo, de tudo aquilo que é viver fechados em nós mesmos. As paróquias, as escolas, as instituições são feitas para sair; se não o fizerem, tornam-se uma ONG e a Igreja não pode ser uma ONG. Que me perdoem os Bispos e os sacerdotes, se alguns depois lhes criarem confusão. Mas este é o meu conselho”.

– Orientar-se aos clientes

Em 27 de março de 2013, em sua primeira audiência pública, ele disse que a Semana Santa significa “sair de nós mesmos para ir às periferias, ao encontro dos mais afastados, os esquecidos e daqueles que precisam de compreensão, conselho e ajuda”.

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Tags:
Igreja CatólicaPapa Francisco
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