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O pacifismo radical também mata

@DR

Jason Jones e John Zmirak - publicado em 01/06/14



autoproteção humana também alimenta, saiba disso ou não, os nossos piores e mais belicosos impulsos.

Como assim? A parte óbvia da resposta é que quando as classes líderes em países livres como a Inglaterra declaram, como a União de Oxford declarou em 1933, que "não vão lutar pelo rei nem pelo país", eles estão enviando uma mensagem clara aos líderes de outros países, como a Alemanha que tinha acabado de dar as boas-vindas a Hitler como chanceler. A mensagem inglesa de cinismo, autocongratulação e cansaço de guerras não passou em branco para os milhões de alemães que, além de indignados com a injustiça do Tratado de Versalhes, não tinham saído da Primeira Guerra Mundial com o pensamento de "nunca mais", e sim com a ideia de que "na próxima vez não vamos ser covardes sentimentais".

A parte menos óbvia e mais importante da resposta pode ser encontrada em Elizabeth Anscombe. Em seu ensaio clássico "War and Murder" [Guerra e Assassinato], Anscombe demoliu a base bíblica e filosófica do pacifismo. E mais importante: ela mostra como o pacifismo permite e promove a causa da guerra total:

O pacifismo ensina as pessoas a não distinguir entre o derramamento de sangue inocente e o derramamento de qualquer sangue humano. Assim, o pacifismo corrompeu um número enorme de pessoas que não agem de acordo com os seus princípios. Elas se convenceram de que uma série de coisas são más, quando não são; e, ao não verem maneira alguma de evitar a maldade, elas não impõem limite nenhum ao mal. Os pacifistas reafirmam infinitamente que toda guerra é extrema e que nenhuma acaba enquanto houver tecnologia que permita continuar destruindo o inimigo. Como se as guerras napoleônicas tivessem sido forçosamente mais repletas de massacres do que a guerra de Henrique V da Inglaterra. O que ocorreu foi o contrário. O avanço tecnológico não é particularmente relevante, considerando-se os enormes massacres cometidos “à mão” no passado.

O pacifismo e o respeito pelo pacifismo não são a única coisa que provocou o esquecimento universal das leis contrárias ao assassinato de inocentes, mas são uma boa parcela desse fenômeno.

O pacifismo apresenta às pessoas uma escolha do tipo 8 ou 80, entre a crueldade absoluta e a rendição passiva. Sem uma terceira (ou quarta, ou décima) alternativa, as pessoas normais ​​que não são gnósticas nem agem com afetação moral vão escolher sempre a “crueldade”. Mas esta escolha extrema é totalmente falsa. Ela surge porque a nossa moral foi reduzida e entorpecida pela nossa metafísica medíocre, que é outro mau legado, aliás, do sub-humanismo.

Em “To End All Wars”, o talentoso escritor e moralista Adam Hochschild apresenta um retrato vívido e profundamente humano de um pequeno grupo de pessoas de princípios, que se manifestaram na Inglaterra contra a Primeira Guerra Mundial. É impossível não admirar aqueles homens e mulheres que enfrentaram o desprezo e o ostracismo, a penúria e a prisão, para se opor a uma chacina inútil e fútil. Elevação moral à parte, porém, outra coisa que se deve tirar do livro é a sensação de que os esforços deles também foram fúteis. E você é levado a se perguntar por quê. Com os comentários de Anscombe em mente, a resposta aparece: em vez de argumentar embasadamente que aquela guerra era desnecessária e apresentar razões para o consenso entre liberais e cristãos, aqueles ativistas instavam contra a guerra em razão de absoluto pacifismo. Em alguns casos, eles invocavam também o socialismo, dizendo que a classe trabalhadora de todas as nações deveria se unir contra os seus governantes em vez de lutar contra si mesma. Com suas ações alicerçadas em duas premissas falsas (e não convincentes, além de tudo), não é nenhuma surpresa que os seus “slogans” tenham sido facilmente abafados pelo patriotismo, que logo se transformou em ufanismo e em sede de sangue.
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Tags:
GuerraPaz
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