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As cooperativas e o mercado competitivo: um toque cristão

Rob
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Movimento para promover o trabalho digno tem grande afinidade com a doutrina social católica

Trinta anos atrás, o presidente norte-americano Ronald Reagan disse a famosa frase "Eu acho que o melhor programa social possível é o emprego".
 
Ele estava certo, é claro, desde que o emprego fosse bom e remunerado com um salário decente. Infelizmente, porém, bons empregos são difíceis de encontrar até nos dias de hoje, particularmente na indústria.
 
Os salários reais não acompanharam os ganhos de produtividade, que são a medida de eficiência do trabalho na produção. Ao mesmo tempo, o poder de compra também não acompanha a inflação. Quem tem a sorte de estar trabalhando ganha salários insuficientes para viver com dignidade numa economia mais vez mais cara. Não admira que o sonho de comprar uma bela casa e garantir a melhor formação para os filhos continue fora de alcance para grande parte da população.
 
Hoje, poderia ser que o melhor programa social fosse o pequeno e sustentável negócio próprio. Mas as barreiras de capital para a criação e, principalmente, para a sobrevivência de pequenas empresas continuam assombrosas, mesmo para os mais hábeis e experientes empreendedores. Neste cenário, há quem esteja se voltando para o próximo “melhor programa social possível”: as cooperativas.
 
No modelo cooperativista, os trabalhadores são os donos da empresa, repartem os lucros e tomam democraticamente as decisões sobre os seus rumos. O formato, bem conhecido em algumas regiões do Brasil, por exemplo, tem se expandido ultimamente em países desenvolvidos, que ainda sofrem os efeitos da atual crise econômica mundial.
 
Nos EUA, o modelo é responsável, hoje, por cerca de 350 empresas, o que é uma gota no oceano para um país com mais de 7 milhões de empresas. Mas, para os envolvidos, participar de uma cooperativa pode gerar renda e ativos, os pilares de uma digna vida de trabalho, além de fornecer um grande campo de desenvolvimento das competências necessárias para se empreender por conta própria.
 
Um exemplo é a Independent Fabrication, uma indústria de bicicletas de New Hampshire. Criada em 1994, a empresa pertence e é gerenciada por ex-funcionários de outra empresa de bicicletas, já extinta. A Isthmus Engineering and Manufacturing, em Madison, no ramo de automação, foi criada como cooperativa em 1980 e hoje tem 50 trabalhadores-proprietários. Algumas empresas, como a Real Pickles, começaram como formas tradicionais de organização empresarial e migraram para o modelo cooperativo.
 
As cooperativas de trabalhadores podem ser motores para o desenvolvimento da comunidade, especialmente as de baixa renda, que possuem concentrações de trabalhadores pouco qualificados. Um exemplo é a Cooperativa de Estofados Wellspring, de Springfield, criada no ano passado por Evan Cohen, um estofador com 40 anos de experiência. A cooperativa presta serviços completos em estofamento e tem foco em clientes comerciais e institucionais. São seis proprietários-funcionários e o número deverá dobrar nos próximos cinco anos.
 
Outro caso interessante é o das Cooperativas Evergreen, de Cleveland, compostas por três cooperativas associadas: uma produz hortaliças para clientes comerciais, outra é uma lavanderia para o mercado institucional e a terceira instala painéis solares fotovoltaicos para clientes institucionais, governamentais e comerciais. Cada empresa das Cooperativas Evergreen se apoia no trabalho anteriormente pouco qualificado de trabalhadores do interior de Cleveland. Eles melhoraram as suas competências profissionais e hoje crescem juntos como cooperados.
 
O grande pai do movimento cooperativista de trabalhadores é a Mondragón, da Espanha, que atua em finanças, indústria, varejo e educação. Sediada no País Basco, a
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