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#VamosDerrotarAdolf?

Sean Newman

George Weigel - publicado em 05/06/14

A norma agora é fazer política exterior com hashtags?

Os primeiros quinze minutos do filme “O Resgate do Soldado Ryan” e a sequência do desembarque no segundo episódio da série “Band of Brothers” são lembranças vívidas da extraordinária coragem exibida no Dia D, setenta anos atrás.

Quando eu era criança, Hollywood me ensinou sobre o dia 6 junho de 1944 com “The Longest Day” [O mais longo dos dias]: um bom filme, mas um tanto antisséptico em sua representação daquele combate crucial da Segunda Guerra Mundial.

O realismo gritante dos filmes mais recentes traz para dentro de casa, de forma angustiante, o teste de fibra moral que se aplica a um homem quando se pede que ele salte de um C-47 num céu noturno cheio de perigos ou desça correndo pela rampa de um barco rumo ao campo de extermínio da praia de Omaha.

A coragem demonstrada no Dia D foi precedida pela coragem demonstrada antes do Dia D: a dos decisores encarregados de derrotar a barbárie nazista. Eles não fugiram da obrigação e assumiram sobre os ombros o fardo pesado da liderança.

George C. Marshall, por exemplo, insistiu durante dois anos em que a única maneira de derrotar Hitler e a sua máquina de guerra era desembarcar na França, atacar o exército alemão e arrancar dos nazistas o controle do continente europeu. Marshall teve que encarar a oposição quase unânime dos colegas britânicos, que, como Winston Churchill, preferiam uma estratégia de "periferia" antes de uma invasão final rápida que desse o golpe de misericórdia num império alemão em colapso.

Ou a coragem do comandante Dwight D. Eisenhower: houve algum decisor mais sozinho e com mais peso sobre os ombros do que Ike ao fazer a escolha certa em 4 de junho (atrasar em um dia a invasão por causa de tempo) e depois acertar novamente no dia 5 (adiando-a para 6 de junho por causa dos informes dos meteorologistas)?

Como se isto não bastasse, Ike suportou o peso dessa decisão logo depois de ser instado pelo comandante das forças aéreas aliadas, Sir Trafford Leigh-Mallory, a desistir do uso de paraquedistas nas praias invadidas, outra tentação à inércia que Eisenhower sabiamente descartou.

O valor dos Rangers de Pointe du Hoc, dos Screaming Eagles da 101ª Divisão da Força Aérea e dos marinheiros que arriscaram a vida nas praias da Normandia para dar cobertura aos homens dos setores Red Dog e Fox Green de Omaha, assim como a determinação dos seus líderes, contrasta de forma nítida e desconcertante com a ineficiência apresentada por muitos líderes europeus e americanos nos últimos meses, durante os quais a “política exterior das hashtags” parece ter se tornado a norma.

Por acaso Vladimir Putin foi impedido de engolir a Ucrânia depois que o Departamento de Estado norte-americano lançou no Twitter a campanha #WeStandWithUkraine, que parecia ter sido feita num jardim de infância? Por acaso os sequestradores terroristas islâmicos do grupo nigeriano Boko Haram se sentiram impressionados, amedrontados ou forçados a abandonar o mau caminho depois que o primeiro-ministro britânico David Cameron apoiou a hashtag #BringBackOurGirls em um bate-papo de TV?

Essa falta de seriedade na vida pública é, muitas vezes, uma expressão de falta de seriedade moral. Dean Acheson escreveu com admiração que o seu mentor, o advogado J. Harry Covington, nunca disse "Eu tenho que fazer isso", mas sempre "Eu tenho isto para fazer".

A primeira construção sugere alguém choramingando, coagido, obrigado a fazer o que preferiria não fazer se o mundo não fosse tão bestial. Já "Eu tenho isto para fazer" é a frase de um líder moralmente sério, para quem a política das decisões não consiste em se aconselhar com grupos focais, mas em aceitar o peso da liderança como uma obrigação de honra, como Marshall e Eisenhower aceitaram a deles.

Neste 70º aniversário daquele mais longo dos dias, seria bom refletirmos sobre como estariam a Europa e o resto do mundo em 2014 se a resposta a Hitler tivesse sido apenas #VamosDerrotarAdolf.

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