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Em defesa do familismo

Amanda Tipton Photography

John Zmirak - publicado em 06/06/14

Será que um arcebispo realmente sugeriu que não devemos priorizar a nossa família?

Na semana passada, eu recebi um e-mail de um sacerdote brilhante, escritor admirado e velho amigo meu. No texto, ele lamentou a retórica pouco clara que dom Vincenzo Paglia, presidente do Pontifício Conselho para a Família, usou ao discursar na ONU. Li o parágrafo que ele citou e achei verdadeiramente alarmante.

No entanto, eu estudei italiano e sei o quanto uma tradução literal desse idioma para o inglês pode ser distorcida. O que me assustou, inicialmente, foram algumas implicações que eu pensei ter visto na declaração do bispo, em especial quando lida isoladamente. Eis o que ele disse:

“Não podemos ignorar o risco do ‘familismo’, isto é, da incapacidade de pensar num grupo maior [do que a nossa própria família] e da tendência a favorecer, mesmo em questões que não afetam a família diretamente, os membros do núcleo familiar. Essa tendência tem sido causa de inúmeros abusos ‘amorais’, em que o bem do grupo familiar prevalece sobre o bem da comunidade maior. Manter o calor e o carinho familiar sem comprometer o bem público e o ‘universalismo’ necessário em uma sociedade avançada foi e ainda é, pelo menos em algumas áreas, um desafio difícil. Prova disso é a oscilação entre as formas persistentes de ‘familismo’ retrógrado, por um lado, e, por outro, a afirmação de um individualismo radical, que, destruindo a família, reverte o progresso da humanização sem se importar com as consequências disto no longo prazo”.

Ler isto como tendo sido dito por um importante bispo italiano disparou todo tipo de alarmes na minha cabeça. Por acaso o chefe do Conselho da Igreja para a Família estava realmente sugerindo que não devemos cuidar em primeiro lugar dos interesses dos nossos cônjuges, pais, irmãos e filhos?

Por acaso os cristãos são obrigados, como bons kantianos ou seguidores de Rousseau, a lutar por uma objetividade desumana que deixa de lado os laços de sangue? Por acaso devemos nos esforçar para ver os nossos próprios filhos como meros “cidadãozinhos” cujo bem-estar não deveria ser mais importante para nós do que o dos filhos de estranhos?

Não, não era isso.

Quando li o resto do discurso de dom Paglia, percebi que aquela declaração era fortemente contrabalançada por afirmações sólidas e matizadas sobre a primazia da família e dos seus direitos e sobre a realidade de que a família, e não o indivíduo, é a unidade básica da sociedade. Vale a pena, portanto, ler o discurso completo.

A principal razão de eu ter temido o pior é que os ataques contra a família estão vindo, furiosos e velozes, dos nossos melhores e mais brilhantes tribunais e universidades, legisladores e especialistas. Por que, então, eu deveria me surpreender se mais um clérigo tivesse sucumbido à pressão da opinião politicamente correta?

Fiquei aliviado ao ver que dom Paglia não sucumbiu, embora eu tema que as suas concessões aos críticos do "familismo" venham a ser citadas fora de contexto pelos inimigos da família. É muito difícil imaginar que a preocupação prioritária com os cônjuges e com os filhos possa ser um “perigo crescente” no mundo de hoje. O perigo é exatamente o contrário!

O ponto de vista que eu pensei ter farejado na declaração do arcebispo não é tão maluco e ultrajante quanto se poderia pensar. Os esquerdistas que se opõem aos ensinamentos da Igreja em quase todas as questões usam a palavra "familismo" de modo pejorativo e promovem iniciativas que de fato prejudicam os direitos e a unidade das famílias.

A pior e mais recente que me vem à mente, aqui nos EUA, é a proposta de colocar todas as crianças do país na pré-escola. Normalmente, esse tipo de ideia é apresentado como se fosse uma “oportunidade para melhorar o nível de leitura das crianças”, por exemplo.

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Tags:
CristãosFamíliaSociedade
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