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Em defesa do familismo

Amanda Tipton Photography

John Zmirak - publicado em 06/06/14


A justificativa é que os pais seriam totalmente desqualificados para isso e que o melhor, portanto, é levar as crianças para longe de casa na mais tenra idade e encurralá-las em grandes grupos para serem instruídas por completos estranhos, envolvidos com sindicatos esquerdistas.

Vale lembrar que progressistas como Horace Mann, no século XIX, viram as escolas públicas norte-americanas como uma ferramenta para homogeneizar os filhos de imigrantes católicos (entre outros) e incutir neles “atitudes socialmente produtivas e seculares”, favorecidas por filósofos como John Stuart Mill.

A intenção anticatólica dos pioneiros da educação pública foi uma das principais razões que levaram os bispos de dioceses inundadas por imigrantes pobres a empreender o esforço heroico de construir um sistema completo de educação alternativa para os católicos. Este sistema, infelizmente, está desmoronando diante dos nossos olhos no exato momento em que as famílias católicas mais precisam dele.

Grande parte do crescimento do ensino doméstico (home schooling) entre os católicos norte-americanos é uma resposta à contração trágica das escolas católicas, que não podem mais contar com o trabalho livre de dezenas de milhares de religiosos abnegados. Além disso, as escolas públicas abandonaram há muito tempo o patriotismo que costumava caracterizá-las e hoje se organizam em torno de um princípio muito diferente: o do hedonismo utilitarista.

Este credo, que é o código moral de mais baixo denominador comum imaginável, afirma que aquilo que de fato importa na vida é maximizar a saúde física e o número de momentos felizes que se desfrutam antes da morte. Os únicos pecados não são contra a natureza nem contra Deus, mas contra a reivindicação legítima de um vizinho de ter a sua própria quota de momentos felizes. Este seria, então, o trabalho do governo: providenciar o máximo de momentos felizes para o máximo de pessoas.

Tendo em conta que esta visão de mundo substituiu o cristianismo como religião de Estado em quase todo o Ocidente, não é de estranhar que as crianças cujos pais desejam educá-las em outro credo se vejam em maus lençóis diante do governo e dos seus professores.

Os adeptos de qualquer outra religião que não seja essa “religião de Estado” têm que lutar arduamente para preservar as suas “estranhas” opiniões minoritárias; têm que lutar contra os administradores públicos da educação, contra os assistentes sociais, contra os juízes das varas de família e contra outros vários “profissionais” a fim de resistir a essas medidas “óbvias e sensatas” destinadas a “promover a saúde pública”, tais como a educação sexual explícita, as aulas sobre “formas alternativas de família” e os panfletos sobre contracepção entregues a crianças que ainda estão longe da idade legal de consentimento.

Como os pais cristãos rejeitam o ethos dominante desses tais "momentos felizes", será quase impossível, para eles, discutir com os “especialistas” patrocinados pelo governo, para os quais palavras como "virtude", "inocência" e "castidade" são tão alienígenas quanto o magistério.

Se tentarmos lutar no terreno do inimigo e argumentar que as nossas preferências morais produzirão mais momentos felizes do que as deles, simplesmente vamos perder. A nossa noção de bondade e de felicidade não pode ser quantificada com esse tipo de critério.

A única proteção legal que os pais (e, por conseguinte, os filhos) têm contra a doutrinação patrocinada pelo Estado em favor da sua nova “religião” oficial são os próprios direitos dos pais, que ainda não foram anulados de todo.

Os cristãos devem é lutar com total determinação para defender as suas famílias da invasão insidiosa de um Estado que transforma a laicidade em hostilidade. Quanto maior o setor público, menor a liberdade dos cristãos.

Portanto, para defender a nossa gente, a começar pela nossa família, precisamos lutar contra a falta de limites do Estado. E se isso é "familismo retrógrado", paciência: vamos adotá-lo ao máximo.

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Tags:
CristãosFamíliaSociedade
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