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O profundo sofrimento da infertilidade, na perspectiva de um homem

Stu Willis

Shaun A. McAfee - publicado em 06/06/14

Saiba o que me ajudou quando eu me sentia não apenas deprimido, mas também menos homem

No início do nosso casamento, eu pedi que a minha esposa tomasse a pílula. Eu nem imaginava as repercussões dramáticas dessa escolha para a nossa vida futura.

Os médicos não nos avisaram dos efeitos da contracepção no longo prazo. Alguns métodos agem como verdadeiro veneno contra a fertilidade da mulher. Outros descontrolam e confundem o seu corpo, manipulando os hormônios.

Quando eu disse à minha esposa que queria parar de usar a contracepção, não foi por causa de questões morais. Eu simplesmente achei que estava pronto para ser pai. Mal imaginava eu o tempo de sofrimentos que precisaríamos enfrentar para chegar até o sonho da concepção de um filho.

Os hormônios afetados pela contracepção precisam de um bom tempo para voltar às condições adequadas e saudáveis. Tudo o que passa pelo nosso corpo contrariando os ciclos naturais implica tempo para o nosso corpo se recuperar depois.

De maneira alguma esperávamos uma gravidez imediata, é claro, mas, à medida que o tempo ia passando, eu comecei a sentir uma dor angustiante no coração. A depressão não era novidade para mim. Quando garoto, passei por um tratamento que me fazia ter a sensação de nunca estar no controle de mim mesmo.

Na adolescência, o meu comportamento mudava com frequência. Eu cresci incrivelmente apático a tudo, não querendo participar de esportes de equipe, não querendo fazer os trabalhos escolares, lidando com uma autoestima muito baixa. Quem me conhecia, no entanto, nunca teria imaginado isso de mim: eu sempre fui visto, afinal, como o palhaço da turma, como a vida do grupo, como o cara que nunca dizia não ao desafio nem à diversão.

Mas era apenas encenação. Durante muito tempo, eu achei necessário atuar, ser uma pessoa que eu não era, como se fosse ficar sem amigos ou desapontar os meus pais caso não agisse de acordo com certos moldes. Foi aí que eu precisei dos antidepressivos.

Anos depois, quando notei que a minha esposa e eu não conseguíamos a gravidez com que tanto sonhávamos, aqueles sentimentos voltaram. Eu entendia, racionalmente, que as coisas demoravam por causa da questão hormonal. Mas, na minha cabeça, eu dizia a mim mesmo que a culpa era minha. Primeiro, por tê-la forçado a arruinar o seu corpo. Segundo, e principalmente, porque o meu próprio corpo não estava conseguindo “render o que seria de esperar” de um homem sadio.

Como homem, egoísta ou não, eu queria estar sempre em condições de dar à minha mulher o que ela quisesse, na hora que ela quisesse. Depois de tantas "tentativas" e piadas estereotipadas do tipo "a prática leva à perfeição", eu comecei a me sentir menos homem.

Eu estava deprimido. Não desfrutava mais do sexo como antes, porque me sentia incompleto se não atingisse um determinado objetivo. Eu me sentia menos masculino. Meu estresse estava nas alturas. A minha interação social ficava comprometida por causa da minha incapacidade de engravidar a minha esposa.

As pessoas me perguntavam: "E aí, ela já está grávida?". Ou diziam: "Eu já separei umas roupinhas para o bebê de vocês". "Bom, talvez vocês não tenham sido feitos para ter filhos". "Continuem tentando".

Quando uma mulher não pode ser mãe com seu próprio corpo, o máximo que eu posso é supor o que ela sente. Mas, como homem, eu posso afirmar que a infertilidade não é brincadeira. Homens também querem filhos. Queremos ser pais e, como maridos, precisamos estar do lado das nossas esposas nesta problemática da infertilidade.

Para mim, tudo veio com o tempo. Hoje, eu quero deixar algumas sugestões aos casais para manterem seus casamentos sólidos durante a provação da infertilidade

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