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Por que estamos aqui?

Jeffrey Bruno

Edward Mulholland - publicado em 09/06/14

As pessoas se dividem entre as que acreditam estar aqui por interesses próprios e as que sabem que estão aqui pelos outros

Percorri recentemente os Museus Vaticanos com uma criança de 7 anos. E com um jovem de 17. E com uma turminha de 16, 14, 12 e 9 anos. E com a minha santa esposa, sempre firme junto comigo e com esses nossos seis filhos.

Teria sido ótimo se não fosse pelas outras 100.000 pessoas que só queriam correr o mais rápido possível para a Capela Sistina, apenas para ouvir os guardas mandarem fazer silêncio e empurrarem a multidão para a saída.

Meus caros classicistas e amantes da arte, eu vi o nosso purgatório! E ele é terrível. Para Tântalo foi menos ruim, porque o tormento dele não incluía cotoveladas nas costas pela bagatela de 120 euros. Mas o momento crítico da experiência foi quando "A Escola de Atenas", de Rafael, passou impávida pela minha vista no meio do fluxo e eu me assombrei com esta pergunta: "Por que estamos aqui?".

A resposta é simples. Nós poupamos para esta viagem desde a nossa lua-de-mel, há 19 anos, e agora, com o mais velho prestes a começar a faculdade, estas podem muito bem ser as nossas últimas férias em família. Aliás, justamente porque o mais velho está prestes a começar a faculdade, esta é também, financeiramente, a coisa mais louca que podíamos ter feito. De novo me vem a pergunta: "Por que estamos aqui?".

Minha esposa tem uma ligação muito forte com seus primos na Itália. Meu sogro passava o verão nas colinas de Benevento, na pequena cidade em que cresceu, e nós queremos que os nossos filhos preservem esse vínculo. Esta é a principal razão de estarmos aqui. E tem sido um festival de apertos na bochecha, explosões de afeto pelas crianças, comidas deliciosíssimas (por que ninguém do nosso lado do Atlântico prepara nada tão gostoso com berinjelas?). Tudo muito italiano.

Além disso, de minha parte, eu estudei 5 anos em Roma e sempre quis que as crianças experimentassem Roma como eu experimentei. Mas esta parte foi menos bem-sucedida. Roma mudou e eu também. Um estudante despreocupado tem muito pouco em comum com um pai de seis filhos, que passa todo o tempo atento aos batedores de carteiras e ao risco de as crianças tropeçarem no meio do turbilhão que é o trânsito romano. E não vamos nem falar dos preços e da taxa de câmbio.

Caos à parte, nós ainda vimos, mesmo que durante breves momentos, o papa Francisco.

Na quarta-feira em que fomos à audiência na Praça de São Pedro, ele falou da viagem para a Terra Santa. Falou dos motivos dessa visita, do porquê de ter ido até lá. E, mesmo ocupado em traduzir tudo em tempo real e responder às perguntas dos meninos sobre quanto tempo teríamos de ficar no sol, eu deduzi que o principal motivo da viagem dele era construir relacionamentos. Não haverá unidade entre os povos sem unidade entre as pessoas. Ele convidou os presidentes de Israel e da Autoridade Palestina a rezarem juntos, com ele, em Roma. Rezar juntos. E isso é tudo. Não será esta, afinal, a melhor maneira de começar uma amizade e desejar juntos a mesma paz?

Estando na Itália, eu tentei desenferrujar o meu italiano depois de quase vinte anos. Estou lendo uma das obras mais famosas da literatura do país (e o livro favorito do papa Francisco), “I Promessi Sposi” (Os noivos), de Alessandro Manzoni. É um prazer absoluto. Na Lombardia da década de 1620, controlada pelos espanhóis, os pérfidos desejos do poderoso Don Rodrigo obrigam Renzo e Lucia a adiar o casamento e fugir. É uma história sobre pressões e sobre os caminhos suaves e inescrutáveis da Providência. Na primeira noite da fuga, um barqueiro os conduz pelo Lago de Como enquanto Lucia chora em silêncio. Na margem oposta, o barqueiro recusa o pagamento e até se incomoda ao ouvir os agradecimentos, respondendo: "Di che cosa? … Siam quaggiù per aiutarci l’uno con l’altro" (Obrigado de quê? Estamos aqui para ajudar uns aos outros).

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DeusVida
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