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As 30 horas de vida do pequeno Benedetto

© Giorgia Petrini
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O testemunho de fé de Silvia, uma mãe corajosa “Ali o nosso ‘sim’ se fez carne”

Vestida de branco, muito simples, caminha abraçada ao marido Giovanni. Tudo nela fala de simplicidade: é Silvia, “mãe corajosa”. Seus olhos inchados enquanto falava de Benedetto:

Eu e Giovanni somos casados há quase 10 anos e temos quatro magníficos filhos: Agnese, 9 anos; Pietro, 7; Tommaso, 4 e Benedetto, nascido no dia 4 de abril deste ano e que faleceu no dia sucessivo, após (8 meses e) 30 horas de vida.

Desde que vivo em Cremona, presto serviço como voluntária no Centro Aiuto Vita, que fica no hospital. Isto me permitiu me confrontar mais vezes com a questão do aborto e com histórias difíceis de mulheres que enfrentaram gravidezes com várias dificuldades. Mas vivia tudo isto com uma certa distância e talvez um pouco inconscientemente, porque me achava sortuda, com meus três filhos e a minha vida tranquila.

No último ano tinha conhecido a história de Chiara Corbella Petrillo, que me comoveu muito, deixou-me sem ar, pela evidente simplicidade e alegria com a qual esta jovem mulher tinha afrontado suas provas, junto ao marido: como não desejar uma fé assim também para mim? Parecia-me impossível.

Isto contribuiu a fazer nascer em mim o desejo de acolher uma outra criança, respondendo também a uma questão sempre aberta para meu marido, “já chega?”. Vinham em minha mente muitas coisas como objeção: já temos três filhos, o dinheiro nunca é suficiente, a hipoteca que parece nunca ter fim, a escolha das escolas particulares católicas, os problemas de organização (não tendo avós por perto), o trabalho que levava o tempo e o último medo ligado à possibilidade que desta vez não andasse tudo bem como nas outras, que pudesse nascer um filho com deficiência, ou Síndrome de Down, visto os meus 37 anos.

Mas o desejo em mim crescia. Comecei a rezar e a gravidez aconteceu. Meu coração, porém, não estava tranquilo. A cada dor corria para o hospital para controlar, como se meu coração já soubesse que aquela criança não era para nós. Chegou o dia 23 de dezembro, dia do ultrassom no hospital e quis meu marido perto de mim.

Assim que a ginecologista começou a olhar a nossa criança, o clima passou imediatamente de relaxado a gélido e silencioso. O nosso bebê tinha má formação: o cérebro, o coração, um braço, os pés, uma trissomia 18, incompatível com a vida. Eu estava na vigésima semana, por isso a ginecologista me disse que se tivesse feito antes, teria a possibilidade de “escolher”. Com meu marido, sem ter a necessidade nem mesmo de nos olhar, dissemos “sim”: o nosso bebê estava ali, com seu rosto, suas mãos e pernas que se agitavam. Se viveria ou não, não era escolha nossa.

Ele quis assim e assim nós acolhemos. Ele estava vivo e não seria eu, sua mãe, a matá-lo. O primeiro pensamento foi que o Senhor talvez tivesse entendido que eu não seria capaz de cuidar de uma criança deficiente e me deu uma com um mal ainda maior, que a teria levado de mim, provavelmente ainda antes de nascer. Mas a afeição do nosso bebê se fazia sempre maior, ao ponto de pedir o milagre que pudesse de alguma forma sobreviver. Claro que nos dava medo também a ideia do significado de tudo aquilo para nós e nossos filhos, mas se o Senhor o queria, era para nós.

Assim era forte e tenaz Benedetto, tanto que permaneceu até a trigésima quinta semana. Durante a gravidez, apoiamo-nos na equipe da Dra. Vergani e fomos acompanhados também pelo pediatra do mesmo hospital, Dr. Paterlini, e – mesmo de longe – a pediatra Dra. Parravicini, especialista em comfort care, em New York.

Para nós não foram apenas médicos, mas parte de uma companhia que nos ajudou a acolher Benedetto, a querê-lo bem desde o início e a dar-lhe somente aquilo de que precisava, que é aquilo que todos nós precisamos: ser amado e sentir-se amado. Isto me fez também compreender como ser acompanhado por profissionais que, não somente são extremamente preparados no campo deles, mas têm também um olhar aberto à realidade, seja indispensável nestas delicadas circunstâncias: no primeiro ultra-som que fizemos na cidade de Monza, a Dra. Vergani primeiramente buscou compreender se era menino, ou menina, e não longo elencar as más formações que Benedetto trazia.

Quantas vezes, voltando a ele, disse-nos: “é realmente um mistério”. Isto me ajudou a não vacilar: nunca me apareceu na cabeça a dúvida de que fosse tudo inútil, que aqueles meses de gravidez fossem meses jogados ao vento. Penso que nunca tive momentos mais lindos e intensos com meu marido, nossos filhos e amigos que nos acompanharam como irmãos.

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