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O amor romântico é machista?

Loving couple – pt

© EMprize/SHUTTERSTOCK

Adiciones - publicado em 16/06/14

Uma igualdade mal entendida pode levar a determinadas situações de violência

Li, atônita, que a diretora do Instituto Canário de Igualdade considera que é preciso “desconstruir o modelo de amor romântico” por ser supostamente machista e promotor da violência contra as mulheres. Li várias vezes e ainda não consigo acreditar, porque acho, com sinceridade, que é exatamente o contrário que acontece. Uma igualdade mal entendida é o que facilita determinadas situações de violência.

Vejo a forma como muitos garotos e homens tratam as mulheres e me dá vergonha. Claro que também sinto vergonha quando vejo o jeito como certas mulheres tratam os homens ou se deixam tratar por eles. É a linguagem, os gestos, enfim, uma pena.

O amor romântico, ainda que haja mil concepções dele, parte de que as mulheres precisam ser muito bem tratadas. Abrem a porta para elas, não as deixam carregar peso e tudo se faz com delicadeza. Um homem enamorado de uma mulher será ainda mais atento.

Então, o cuidado se duplica e se mantém. O amor romântico também parte de que os homens são cavalheiros, ou seja, supõe que têm uma capacidade especial de proteção, de defesa e honra.

O amor romântico não é 14 de fevereiro nem os bombons em formato de coração. E muito menos, como indica a diretora do instituto, que as mulheres tenham de suportar de tudo, precisamente porque o amor romântico prega que, se você me ama, então cuidará de mim como o maior tesouro da sua vida.

Mas hoje somos bobos e passamos das frescuras mais insuportáveis à brutalidade mais evidente. De fato, a estética está unida à moral e, nas relações, isso é palpável. Feios são as formas, o tratamento e o comportamento.

Porque perdemos a mais elementares formas de educação, entre as que se encontrava esse jeito de tratar as mulheres, mais delicado e atencioso que o jeito de tratar seu amigo no futebol. Ao mesmo tempo, acreditamos que podemos usar uns aos outros sem causar danos, como se a vida fosse um esporte no qual todos acabam perdendo.

Nunca houve tanta pressão sobre as mulheres para que tenham um parceiro, e também sobre os homens. Ao mesmo tempo, a sociedade nunca foi tão desfavorável aos casais estáveis, ao casamento.

O panorama dos relacionamentos é desolador: pegue este, depois largue e parte para o seguinte; romper não deve ser um problema, pois o importante é se divertir, não estar sozinho(a).

E sei que as mulheres não são as que mais saem perdendo, porque os homens também perdem. E isso não é consequência do amor romântico: é justamente o contrário.

O amor romântico servia de inspiração para que as mulheres se valorizassem e se dessem a respeitar. E também para que soubessem que um “príncipe” não é o herdeiro da coroa, mas o herói cotidiano em quem se pode confiar até a morte; aquele que vive junto os desafios da vida; aquele que se compromete.

(Escrito por Aurora Pimentel em Adiciones)

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