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“Aprendam com os propagadores do aborto”, sugere uma líder pró-vida

Kristin Hawkins – pt

FOX News

Mark Stricherz - Aleteia Vaticano - publicado em 24/06/14

Kristan Hawkins destaca a relação de proximidade que organizações abortistas criam com mães solteiras assustadas

Antes de Kristan Hawkins subir ao palco de um grande salão de hotel em Washington, uma jovem assessora anunciou a sua biografia, que inclui uma lista de prêmios pró-vida conquistados pela diretora-executiva do Students for Life of America [Estudantes da América pela Vida]. "…e recebeu o Prêmio Weyrich de Liderança Juvenil em 2009", disse a porta-voz, pronunciando de forma errada o sobrenome do inspirador do prêmio.

O falecido Paul Weyrich foi um dos fundadores do movimento conservador na década de 1970, de modo que a pronúncia errada do seu sobrenome não caiu bem aos ouvidos de alguns dos 50 ativistas reunidos para a sessão anual da Coligação Fé e Liberdade.

Kristan Hawkins entrou no palco às 9h58 da manhã, sorrindo abertamente e acenando para a multidão com a mão direita. A jovem, na casa dos 30 anos, casada e mãe de três filhos, vestia com simplicidade um xale preto sobre um vestido azul royal. Os participantes a aplaudiram enquanto ela entrava, mas não a ovacionaram. Ninguém da plateia se levantou para recebê-la. 

Sete minutos e mil palavras depois, Kristan Hawkins fez a multidão gritar entusiasmada. "Amém!", chegou a bradar um punhado de ativistas, após alguns minutos do início do discurso dela. Quando Kristan terminou, metade da plateia estava em pé, aplaudindo e assobiando. Um ativista católico, ao comentar a respeito, disse que "Kristan está fazendo mais para mudar a cultura (do aborto) do que qualquer outra pessoa".

Mas Kristan Hawkins tem alguns detratores. Uma extensa lista de resultados do Google traz comentários negativos e estéreis sobre ela.

A primeira ovação a Kristan na plateia do Omni Sheraton Hotel veio pouco mais de um minuto após o início da sua fala.

Ela deu a entender que as alas libertárias e empresariais do Partido Republicano culpam injustamente os conservadores sociais pelas derrotas dos dois últimos candidatos presidenciais do partido, o senador John McCain e o governador Mitt Romney. "Sempre que os republicanos perdem, as pessoas dizem que a culpa é dos conservadores sociais. Eu estou aqui para dizer que essas pessoas estão erradas!", declarou Hawkins, levantando a voz. "Esta é uma questão da mulher. Nós somos mulheres. Esta é a hora de fazer tudo o que pudermos para acabar com o aborto!".

Embora os analistas políticos neutros concordem que McCain e Romney não foram derrotados por causa da sua oposição ao aborto, Kristan Hawkins agrada mais aos jovens e aos conservadores sociais do que os ativistas políticos e seus assessores. Os Students for Life promovem a proteção legal da criança ainda não nascida em todas as circunstâncias, inclusive em casos de estupro e de incesto.

O firme apoio de Kristan à vida tem limites. Ela não condena os apoiadores do direito ao aborto nem os seus aliados. Ela condena o ato do aborto. Para ela, o aborto não só mata a pessoa ainda não nascida, mas mutila a mãe e todos os envolvidos.

"Nós somos uma nação de pessoas feridas pelo aborto. Nós conhecemos alguém que abortou. Talvez alguns de nós tenham até participado de um aborto. Talvez tenhamos levado alguma mulher até a Planned Parenthood", disse Hawkins, referindo-se abertamente à poderosa organização que promove o aborto como ferramenta de planejamento familiar.

Um silêncio tomou conta da multidão. Hawkins estava fazendo uma observação panorâmica: há mulheres que abortam porque a Planned Parenthood e seus aliados estabelecem uma relação de confiança com elas, que são solteiras, assustadas e têm namorados e pais com quem não há a mesma relação de confiança. "Precisamos de relações e serviços melhores. Não cheguem até as pessoas com estatísticas sobre o aborto. Nós temos que relatar casos e histórias que mostram como o aborto fere a pessoa. As pessoas não querem saber o quanto você domina o assunto, mas o quanto você se importa com elas", afirmou Kristan.

O recente sucesso do movimento a favor do casamento gay é um exemplo, acrescentou ela. "Eles falam de amor e de direitos humanos, não de certo ou errado".

Os Students for Life têm procurado integrar palavras com ações. De acordo com a biografia de Kristan Hawkins, a organização mais que dobrou o número de grupos pró-vida nos campi universitários, passando de 181 em 2006 para mais de 500 hoje. A ativista católica põe esses números em perspectiva: "Talvez haja apenas 10 ou 12 pessoas no grupo, mas, pelo menos, as pessoas começam a ouvir mais alguém além dos grupos pró-aborto dentro do campus".

Participação não é problema na conferência anual dos Studentes for Life que antecede a Marcha pela Vida em Washington. Milhares de estudantes universitários se reúnem num grande hotel de Maryland durante alguns dias para aprender técnicas voltadas a salvar os bebês que ainda não nasceram. Além disso, os Studentes for Life mantêm a iniciativa Gravidez no Campus, que apoia as alunas grávidas com a realização de chás de bebê, ofertas de creche e até mesmo com a construção de alojamentos.

Kristan terminou o discurso com um desafio teórico e prático: "Vocês acham isto possível?", perguntou ela, com ênfase na voz. Depois, soltando um sussurro alto, fez outra pergunta, ligeiramente diferente: "Vocês vão se juntar a nós?".

Enquanto vários participantes aplaudiam de pé, Kristan Hawkins saiu do palco. Ela apareceu no lobby do lado de fora do salão e passou por um grupo de pessoas. O que estava programado era que ela autografasse cópias de seu livro “Courageous: Students Abolishing Abortion in this Lifetime” [Corajosos: estudantes acabando com o aborto nesta geração], mas os assessores informaram que ela tinha outro compromisso e não poderia ficar. Kristan viajou a Nova Iorque para participar, naquela mesma noite, do talkshow de Mike Huckabee.

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