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A história de uma jovem grávida que trocou o aborto pela esperança

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La Nuova Bussola - publicado em 07/07/14

O testemunho de Nicoletta e a ajuda que um centro assistencial italiano lhe deu em um momento de desespero

Por Paola Bonzi

Disseram-me: “o que não entendo é como as pessoas chegam ao Centro de Ajuda à Vida (um centro assistencial na Itália) sem ter nem mesmo alimento para colocar no prato”. Pareceu-me óbvio responder que se uma pessoa trabalha em uma pequena empresa, com seu salário precisa manter o núcleo familiar (pagamento de aluguel incluso). No momento em que a pequena empresa fecha (atualmente situação que não é improvável), naquela família não entra mais nada, quem sabe apenas o mínimo para sobreviver.

Assim aconteceu com Nicoletta, em um dia comum de trabalho do Centro de Ajuda à Vida, chegou uma jovem moça que já era mãe há aproximadamente um ano. “Como se chama o bebê?”. “André, tem dez meses e é um belo bebê!”.

“Eu me chamo Paula – disse para a mãe – e estou muito feliz em ver este menino simpático. E o seu nome?”. “Nicoletta, tenho 25 anos e aqui está o André, que me dá bastante trabalho. Ele quer sempre atenção e ri bastante. A minha mente, porém, não me deixa descansar: estou grávida e meu marido perdeu o trabalho. Sinto que não posso ter este novo bebê e isto me leva a um mal-estar. Não vejo saída. É como se fosse um túnel, mas não vejo a luz. Tudo está escuro e, nesta escuridão, minha ânsia aumenta”.

Senti uma grande compaixão dor aquela moça, mas também por seu pequenino bebê que corria o risco de nunca ver a luz do dia. O túnel mencionado por Nicoletta me levava simbolicamente ao seu útero. É escuro ali dentro, mas se trata de uma escuridão confortável, húmida e quente que não traz medo. Naquela escuridão existe conforto, o batimento do coração materno faz companhia e tranquiliza. Que compaixão! Ter concebido uma vida num túnel que não pode encontrar a saída. Que compaixão por aquele irmãozinho, por aquele pai. Ele se perdoará por não ter sido capaz de tutelar a existência dos seus familiares? 

Com uma voz um pouco ofegante disse: “Nicoletta, e sua família?”. “Minha família está distante. Meus pais moram em Gênova, eu não posso nem pensar em poder contar com eles”. 

Mas, um pouco de cada vez, dou-me o trabalho de tentar desfazer o nó. Mostro a possibilidade de um projeto de ajuda: uma participação começando com os serviços de apoio psicológico e de um subsídio mensal, porém é preciso um encontro periódico para acompanhar o processo. Ela me olha e diz: “entendo como é boa a sua proposta e sinto a possibilidade de aceitar este desafio da vida”. 

Finalmente respiramos! O projeto que aconselho a ela prevê compromissos a serem respeitados. Foram dados os passos em direção à família de origem, eles procuraram emprego e o que fazer. Surgiu uma oferta de trabalho para Marco: período de experiência e depois um contrato indeterminado. O casal não vive mais em Milão, por causa do trabalho de Marco, em Savona; eles precisaram se transferir. 

Chegou o tempo do parto e um telefonema alegre anunciou a chegada de Martina. Mãe e filha estavam muito bem. O acerto, porém, era que continuaríamos a manter a situação monitorada e, da nossa parte, todas as ajudas prometidas. Marina tinha um mês e meio quando Nicoletta voltou para uma entrevista. Contou do parto e dos primeiros momentos.

“Nicoletta, sinto um pouco de tensão. Quer contar algumas coisa?”. “Fico feliz de contar o que pensamos. O trabalho do Marco está muito bom. A casa onde moramos não é grande, mas estamos bem. Minha família agora está perto e meu pai aposentou. Meus pais nos visitam regularmente e levam o que serve para as crianças. Estou feliz. Com Marco estou pensando que as coisas foram a nosso favor e não apenas com a chegada da nossa pequena. Sendo assim, decidimos que não nos serve mais a ajuda preciosa de vocês. Ter-nos oferecido a ajuda fez com que a esperança despertasse em nós e nos deu coragem. Agora, porém, sabemos que vocês podem fazer nascer a esperança em outros que estejam desesperados como estávamos”. 

Não fui capaz de dizer outra coisa a não ser “Obrigada!”. Abracei-a em um abraço repleto de todo o reconhecimento, estima e afeto que não gostaria que fossem dispersos.

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