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Milhões de católicos fogem da fome em um dos países mais miseráveis do mundo: a Irlanda

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Harry Stevens - publicado em 08/07/14


O Dalmatia era um navio de 358 toneladas, com capacidade para cerca de 150 pessoas. Como a viagem aconteceu antes da grande fome, o navio provavelmente partiu bem equipado e podia proporcionar aos emigrantes uma viagem relativamente segura.

Os passageiros que compartilhavam a terceira classe com a família Hoy vinham do País de Gales, da Alemanha, da Escócia, da Inglaterra e da Irlanda. Estavam preparados para trabalhar duro nos Estados Unidos: os registros do Dalmatia listam profissões como ferreiro, sapateiro, construtor de moinhos, empregada doméstica, alfaiate…

O Dalmatia chega ao porto

A viagem transatlântica deve ter levado de 21 a 30 dias, à mercê do tempo e do vento. Segundo os registros do navio, dois emigrantes morreram no trajeto. O Dalmatia ancorou em Manhattan no dia 30 de setembro de 1836.

Os Hoys se viram então às voltas, já no cais do porto, com ambulantes e aproveitadores de todo tipo, alguns falando gaélico e tentando tirar vantagem dos recém-chegados famintos, cansados, perdidos, sem referências. Eu espero que Patrick tenha se preparado de antemão para evitar esses charlatães e se dirigido em segurança até a paróquia católica mais próxima.

A vida em Nova Iorque

Uma vez na América, a família Hoy deve ter se estabelecido em uma comunidade irlandesa da região de Nova Iorque e encontrado uma paróquia católica, já que era isso o que os irlandeses faziam ao chegar ao Novo Mundo: ficar juntos nas cidades e procurar apoio na própria fé.

A Igreja católica, para os imigrantes, era o ponto de referência da comunidade, um lugar de conforto espiritual e de segurança. Possivelmente, quem ensinou inglês à família, que só falava gaélico, foram as freiras católicas. Também devem ter sido elas que ajudaram Patrick a conseguir o primeiro trabalho. Os padres davam os sacramentos à família e a protegiam da política e das violentas gangues de Nova Iorque.

Quais eram as paróquias irlandesas de Nova Iorque naquele tempo? A primeira foi a velha igreja de São Pedro, construída perto das docas de Manhattan na década de 1790. A pedra angular da catedral velha de São Patrício foi lançada em junho de 1809, para ser a sede do bispado.

Quando os Hoys chegaram, duas novas paróquias estavam surgindo em Nova Iorque: a de São João Evangelista, em 1830, a de Santa Maria na Grand Street, em 1832. Com a chegada das levas de imigrantes em fuga da grande fome, na década seguinte, os primeiros socorros católicos já podiam ser encontrados nas novas igrejas de Santa Brígida, na 8th Street, de São Raimundo, no Bronx, de Santo André, perto da infame favela Five Points, e de São Columba, no West Side.

Os padres irlandeses

Os padres católicos começaram a emigrar da Irlanda para os Estados Unidos na década de 1830: se na Irlanda havia excedente de clero, na América do Norte havia falta de sacerdotes.

No final do século XIX, os padres irlandeses eram os sacerdotes estrangeiros mais numerosos dos EUA: cerca de 4.000 chegaram nas décadas seguintes à de 1840. Em meados do século, 59% dos padres da diocese de Nova Iorque tinham origem irlandesa.

Esses sacerdotes e fiéis enfrentaram um sentimento intensamente anticatólico e anti-irlandês nos Estados Unidos, em grande parte promovido pelo movimento nativo "Know Nothing", cujo objetivo era repelir os irlandeses, a quem chamavam de "papistas". Em 1844, um surto de violência e de queimas de igrejas católicas se espalhou pela Filadélfia. Em Nova Iorque, o arcebispo John Hughes, informado sobre esses ataques, organizou grupos de irlandeses armados para protegerem suas igrejas e fez uma visita ao prefeito de Nova Iorque, a quem advertiu com firmeza: se uma única igreja católica fosse tocada, os irlandeses queimariam Manhattan inteira.

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HistóriaMundo
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