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O diabo e os detalhes da vida cotidiana

GARRY KNIGHT

William Van Ornum - Aleteia Vaticano - publicado em 12/07/14

Grandes santos e mártires aprenderam a combater Satanás nas coisas simples do dia-a-dia

Em maio deste ano, o diabo resolveu fazer uma aparição na Universidade de Harvard, mas acabou não conseguindo roubar todas as almas que tinham estado ao alcance das suas garras. É que a missa negra anunciada para acontecer no campus foi cancelada. Pior ainda: “católicos” começaram a “adorar” em massa o seu inimigo jurado, Jesus Cristo.

Felizmente para Satanás, porém, os seguidores do inimigo só ficaram incandescentes de fervor durante o mínimo tempo suficiente para estragar a sua grande noite. Hoje, eles já estão de novo convencidos de que o diabo voltou para o mundo lá de baixo e mal lhe dedicam alguma lembrança ao longo do dia.

Este é um erro que o escritor C.S. Lewis tentou nos impedir de cometer. Ele compôs uma espécie de cartilha que denuncia as táticas de Satanás: “As Cartas do Coisa-Ruim” [The Screwtape Letters]. Escrito em 1939, quando as bombas começaram a cair sobre a Grã-Bretanha, o livro de Lewis tentava avisar aos seus compatriotas que existe um inimigo dos cristãos que é ainda pior que os nazistas (Lewis recebeu mordazes críticas por causa disso).

O livro é um intercâmbio de cartas entre um jovem diabo em treinamento e seu tio satânico supervisor. O diabinho aprendiz se deleita com a declaração de guerra, na esperança de que os assassinatos, estupros, destruição e males de todo tipo se propaguem exponencialmente. O tio o repreende. As guerras, explica ele, também são oportunidades para o heroísmo e para o sacrifício pessoal. Elas podem ser um catalisador para muitos homens e mulheres salvarem as suas almas.

Quando eu lhe disse para não encher as suas cartas com bobagens sobre a guerra, eu quis dizer, é claro, que não queria ler as suas rapsódias infantis sobre a morte de gente e a destruição de cidades. Se esta guerra tem importância para o estado espiritual do seu paciente, eu quero, naturalmente, relatórios mais completos.



Agora que é certo que os humanos alemães vão bombardear a cidade do seu paciente e que as tarefas dele o manterão no meio do perigo, devemos trabalhar bem a nossa estratégia. Devemos induzi-lo à covardia – ou à coragem, desde seguida do orgulho ou do ódio contra os alemães (Carta 28 do diabo ao sobrinho).


E quanto a nós? Será que passamos os dias pensando em como corrigir os males do mundo ou tentamos cultivar o remorso e a contrição pelas nossas próprias falhas?

As “Cartas do Coisa-Ruim” nos apresentam muitas batalhas menores da vida diária que, no fim, podem importar mais para a nossa salvação do que as grandes campanhas contra os males globais.

O satânico tio supervisor sugere ao diabinho aprendiz que fazer os cristãos se voltarem uns contra os outros em questões morais é uma ótima forma de despertar o orgulho, que é um pecado capital. É possível, afinal, que os cristãos estejam "certos" em sua postura moral, mas "pequem por orgulho". E Satanás sabe o que vem antes de uma queda, não sabe?

Será que não é melhor meditar sobre a própria incapacidade de ser um bom cônjuge em vez de lamentar constantemente a agenda gay? Ou controlar a própria raiva prestes a entrar em erupção em vez de lamentar continuamente os males do terrorismo? Esta lista de prioridades pode, é claro, ser individualizada de sete bilhões de maneiras. Tenho certeza de que, pensando um pouco, você poderá criar a sua.

Grandes santos e mártires são pessoas que se tornaram muito hábeis na luta contra Satanás. Seus locais de combate não eram campos de batalha nem coliseus: eram qualquer lugar onde eles estivessem no dia-a-dia.

Em primeiro lugar, lembre-se de que a sua salvação eterna é a sua prioridade número um. Todo o resto vem por acréscimo. Um artigo recente na Aleteia lembrava aos leitores da facilidade com que o pecado é subestimado e até mesmo esquecido. C.S. Lewis fala sem papas na língua sobre a prioridade que deve ser dada aos aspectos "sobrenaturais" da fé cristã. O psiquiatra Karl Menninger faz o mesmo em seu livro “O que aconteceu com o pecado” [Whatever Became of Sin]. Mesmo os pequenos pecados são importantes, como ensina o Coisa-Ruim ao sobrinho:

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Tags:
DemônioSantossatanismo
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