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“Planeta dos Macacos – O Confronto”: quando a inteligência precisa encarar o livre arbítrio

Chernin Entertainment

David Ives - publicado em 13/07/14


Como você pode imaginar, pouca coisa infunde tanto medo num bando de seres humanos em decadência quanto uma cavalaria de macacos armados de lanças que aparecem às suas portas e começam a falar duro em inglês. Aterrado com o que acaba de ver e convencido de que a comunidade que estiveram reconstruindo ruirá se a energia não for restabelecida, o líder humano Dreyfus prepara seus homens para pegar em armas contra os macacos. Antes que a guerra comece, porém, Malcolm convence o amigo a lhe dar três dias para fazer as pazes com César e para pôr a hidrelétrica em funcionamento.

No início, as coisas parecem ir bem: César e Malcolm conseguem implantar uma trégua inquieta e o trabalho na represa é iniciado. Mas Koba, ainda marcado pelo ódio e pelas cicatrizes de quando sofria abusos na jaula de um laboratório, não confia nos homens. Com alguns macacos leais, ele volta para a cidade e descobre Dreyfus preparando seus homens para a guerra caso as negociações corram mal. Interpretando a cena como um sinal de que os humanos pretendem trair os macacos, Koba corre de volta para convencer César a atacar primeiro ou para convencer os outros macacos a atacarem se César se recusar.

Se você já assistiu a qualquer filme da franquia “PlanetadosMacacos” desde que ela surgiu nos cinemas em 1968, já pode imaginar que as coisas ficarão feias a partir deste ponto. Quando Charlton Heston apareceu pela primeira vez em cima dos fragmentos explodidos da Estátua da Liberdade, estava claro que a série seria pessimista quanto à capacidade humana de sobreviver às próprias deficiências e de se manter como a espécie dominante no planeta. “O Confronto” não é uma exceção.

Mas não se preocupe. É verdade que o filme começa com visões contrastantes: uma idílica cidade símia, cheia de amor familiar e harmonizada com o seu meio ambiente, e uma cidade humana dilapidada, esmagada pelo medo e pelo desejo de obter do planeta mais do que ele oferece. Mas os realizadores não cometem o erro de cair em apenas outra daquelas tediosas histórias do tipo “os humanos são maus, a natureza é boa”. Não. “Planeta dos Macacos – O Confronto” é bem mais inteligente do que isso.

Para grande desgosto de César, ele descobre que a droga experimental proporcionou muito mais aos seus macacos do que apenas o aumento da capacidade mental. Junto com a inteligência e com a autoconsciência, eles desenvolveram o livre arbítrio. E, assim como os seres humanos, que, antes deles, também teriam vivido algum tempo num idílico jardim paradisíaco, os macacos aprendem que o livre arbítrio traz consigo a capacidade de pecar. E, tal como no Éden, não demora muito para que a capacidade de pecar leve alguns deles à desobediência e, pouco depois, ao assassinato.

César fica compreensivelmente abalado ao enxergar tudo isso. No primeiro filme, ele era o Adão dos macacos. Agora, ele é o seu Moisés. Ele trouxe o seu povo para a terra prometida, mas já não pode fazer muito mais do que vê-los escolher o mesmo caminho autodestrutivo que os humanos tinham seguido antes deles. Ao trilhar essa rota, “Planeta dos Macacos – O Confronto” se torna não mais um filme sobre humanos versus natureza, e sim uma reflexão sobre o confronto entre seres inteligentes e as suas próprias naturezas caídas. É uma experiência cinematográfica muito mais rica.

Nada disso funcionaria, é claro, se os macacos não fossem personagens críveis. É raro o momento em que você se lembra de que César, Koba, Olhos Azuis e os outros macacos não são seres vivos reais. O impacto visual que a combinação do movimento de atores humanos com o trabalho de artistas digitais conseguiu neste filme é nada menos que impressionante. Quando você vê na tela atores do calibre de Gary Oldman e mesmo assim os personagens emocionalmente mais convincentes são os macacos digitais, você pode pular a cerimônia do Oscar e entregar o prêmio de melhores efeitos especiais diretamente à Weta Digital, a agência responsável pelos deste filme.

Estou exagerando? Talvez. Mas não tenho como evitar. Numa temporada de filmes que começava a parecer fadada ao fracasso, é um alívio ver Hollywood finalmente entregando um blockbuster que funciona tanto como entretenimento escapista quanto como instigante obra de arte.

Sim, eu também gostei de outros filmes desta temporada, mas precisando de certa vista grossa. “Planeta dos Macacos – O Confronto”, porém, não precisou de condescendência alguma.

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CinemaEntretenimento
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