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Divorciados que vão se confessar: eles podem receber absolvição?

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Algumas pessoas divorciadas podem receber a absolvição, sobretudo se são vítimas do divórcio

Questão

Sou padre, administro uma paróquia e me encontro com alguns problemas quanto ao sacramento da reconciliação. Frequentemente pessoas divorciadas vêm se confessar. Gostaria de saber: quem pode se confessar e quem não pode?

Resposta do sacerdote

Caro Padre,

1. É necessário distinguir entre pessoas simplesmente divorciadas, daquelas divorciadas e casadas novamente, ou que convivem.

As pessoas simplesmente divorciadas podem receber a absolvição, sobretudo se são vítimas do divórcio.

2. Se pediram o divórcio, arrependeram-se, mas julgam que é impossível retomar a vida a dois, podem receber a absolvição e comungar.

3. Se casaram novamente, ou convivem, são tratadas segundo os critérios da carta do cardeal Ratzinger, quando era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, de 14 de setembro de 1994. Esta carta lembra a indissolubilidade do matrimônio, recomenda tratar benignamente estas pessoas, que permanecem filhos da Igreja. Embora, no geral, não possam receber a absolvição e nem comungar.

Eis em síntese o que diz a carta, que é normativa para os crentes e que ilumina também os critérios a se adotar com aqueles que são casados somente no civil, ou que convivem.

I. Os fiéis divorciados e casados novamente se encontram em uma situação que contradiz objetivamente a indissolubilidade do matrimônio.

Por fidelidade ao ensinamento de Jesus, a Igreja é firmemente convicta de que o matrimônio é indissolúvel.

O Concílio Vaticano II ensina: "Esta união íntima, já que é o dom recíproco de duas pessoas, exige, do mesmo modo que o bem dos filhos, a inteira fidelidade dos cônjuges e a indissolubilidade da sua união" (GS 48). A Igreja considera também que ninguém, nem mesmo o Papa, tem o poder de dissolver um matrimônio sacramental ratificado e consumado (Cfr. Can. 1141).

Portanto, a Igreja não pode “reconhecer como válida uma nova união, se era válido o matrimônio precedente” (Carta, 4). Assim é proibido “por qualquer motivo, ou pretexto também pastoral, colocar em ato, a favor dos divorciados que se casam novamente, cerimônias de qualquer gênero” (FC 84). 

II. Os fiéis divorciados e casados novamente permanecem membros do Povo de Deus e, portanto, são chamados a experimentar o amor de Cristo e a aproximação materna da Igreja.

Embora estes fiéis vivam em uma situação que contradiz a mensagem do Evangelho, não são excomungados, nem excluídos da comunhão eclesial. Esses são e permanecem membros da Igreja, porque receberam o batismo e conservam íntegra a cristã. Do Diretório da Pastoral familiar da Conferência Episcopal Italiana: “Quantos vivem em uma situação irregular, enquanto continuam a participar da Igreja, não estão em plena comunhão com ela. Não estão porque a condição de vida deles está em contradição com o Evangelho de Jesus, que propõe e exige dos cristãos um matrimônio celebrado no Senhor, indissolúvel e fiel” (DPF 197).

Segundo o exemplo de Jesus que não excluía ninguém do seu amor, a Igreja deve estar próxima deles e colocar a disposição os seus meios de salvação (FC 84).

Os pastores devem discernir as diversas situações porque alguns destruíram a união matrimonial por culpa grave, outros foram abandonados pelo cônjuge; alguns estão convictos da nulidade do matrimônio anterior, outros se casaram novamente para assegurar a educação dos seus filhos nascidos da primeira união; enfim, existem aqueles que na segunda união redescobriram a fé e já percorreram um longo caminho de penitência (Cfr. FC 84).

A partir deste discernimento, que leva em conta a singularidade das diversas situações, os pastores mostrarão aos fiéis interessados vias concretas de conversão e de participação na vida eclesial. Em cada caso “a

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