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Uma receita de 2.500 anos para virar um jogo de 7x1 (1ª Parte)

Paul Gilham / 2014 Getty Images

Neymar

E. Chitolina - publicado em 15/07/14

6 pontos de reflexão para um país que quer a glória - e não só no futebol

Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira já prestaram serviços de excelência ao nosso futebol. Neymar, se quiser a sério, não tardará em se tornar o melhor jogador de futebol do mundo. David Luiz e Thiago Silva não apenas conquistaram as crianças como também se mostraram duas forças promissoras para a volta por cima do futebol brasileiro. Júlio César exorcizou o fantasma que o assombrou nos últimos quatro anos e não precisará carregar a mesma cruz que o Brasil do Maracanazo tinha imposto injustamente às costas de Barbosa. Pelo menos não sozinho e certamente não como principal responsável.

Mas nem estes nem outros vários reconhecimentos positivos eliminam o fato, objetivo e implacável, de que o 7×1 marcado a fogo em nossos anais, sem ânimo de trocadilhos, não foi uma fatalidade. Foi resultado de uma sequência de erros evitáveis e de posturas insuficientes, no campo de jogo e, principalmente, no campo das ideias.

Não são erros inexplicáveis, como, entre soluços, pareceram ser aos jogadores nas primeiras entrevistas de corpo presente, em pleno velório. Há explicações, sim. Mas é preciso querer enxergá-las. Assim como há remédio, mas é preciso querer aplicá-lo. E dificilmente vamos ter na vida qualquer outro momento de tamanho consenso mundial sobre a necessidade de repensar e reabilitar o nosso futebol como este momento.

Ao contrário do que foi declarado com humor negro pelos responsáveis técnicos, foi de sufoco em sufoco que a seleção brasileira chegou ao colapso nervoso pré-adolescente que a derrubou estrondosamente naquela semifinal indigna da várzea. Foi notório que o desempenho em todas as fases anteriores esteve longe de um futebol que se pretende o melhor do mundo.

Logo após uma cerimônia de abertura que, a exemplo da infraestrutura prometida para a #CopaDasCopas, não ficou pronta a tempo, a seleção brasileira entrou em campo e espantou o mundo com o primeiro gol contra da sua história em copas. Virou o placar, mas não apenas não convenceu como ensejou acusações de favorecimento por uma arbitragem que remetia ao padrão Fifa de honestidade. No jogo seguinte, passou aperto para arrancar um heroico zero a zero do México, seu algoz na última final olímpica, mas que tinha entrado nesta copa via porta dos fundos da repescagem. A vitória sobre Camarões, de quem ainda assim tomou gol, não chegou perto de dissipar os questionamentos sobre a solidez do seu futebol, em particular do seu meio-campo. Ex-freguês, o Chile a fez tremer até o último pênalti. E foi até o último minuto do segundo tempo que, à beira do surto, nós todos assistimos a uma aguerrida Colômbia cada vez mais próxima de nos substituir numa semifinal em que muito dificilmente teria sido patrolada por 7×1.

Mas o que é que nós, como país da vida real, temos a ver com tudo isto se, a rigor, foi só uma sequência de partidas de mau futebol?

Pouco teríamos a ver se a seleção fosse apenas um grupo de profissionais representando uma entidade privada. O fiasco teria sido apenas a confirmação da decadência e do fracasso da entidade-mãe, entorpecida pelo fedor do próprio saldo bancário e denunciada em vão, com nomes, fatos, cifras e siglas partidárias, por um Romário que Brasília finge que não ouve.

Mas ao se apropriar de símbolos pátrios, que vão das nossas cores ao nosso hino, da nossa bandeira ao nosso nome, a autoproclamada seleção brasileira atua como representante do nosso país perante o mundo, amparada oficialmente pelo governo federal e patrocinada por bilhões de reais que a vendem como a imagem da nossa própria identidade nacional. Com a nossa concordância, festiva ou tácita, a seleção brasileira passa a ter, sim, um peso relevante na imagem que temos e transmitimos de nós mesmos como nação. E em boa medida, o que a seleção exibiu ao mundo, em altíssima definição e com pouco samba no pé durante a assim chamada #CopaDasCopas, foi uma imagem seriamente próxima do que nós somos hoje como sociedade.

Por mais que sejamos palpiteiros especialistas em todos os assuntos, não conseguiremos dar nenhuma explicação razoável sobre o espetáculo de inconsistência que infligimos a um planeta estarrecido a menos que, de uma vez por todas, tenhamos a vergonha na cara de admitir que aquela seleção desnorteada foi um arremedo de nós mesmos como nação em crise de identidade e de rumo, viciada em improviso, bêbada de jeitinho, chapada de oba-oba e confrontada com a urgência de reagir com atitudes de adulto sóbrio.

Presume-se que não queremos nunca mais nos olhar num espelho como o desta seleção e tomar um choque de realidade a tal ponto devastador que os nossos próprios carrascos em campo tenham que ir às redes sociais e aos microfones para tentar nos incentivar a levantar a cabeça.

Acontece que, antes de nos superarmos, precisamos nos aceitar. E antes de nos aceitarmos, precisamos nos conhecer. É uma fórmula testada e aprovada ao longo de séculos: “Conhece-te. Aceita-te. Supera-te”. Nesta ordem. Ela se baseia numa receita que tem 2.500 anos de lúcida longevidade e que foi prescrita pela sabedoria da Grécia Antiga a todas as gerações de humanos interessados sinceramente na própria evolução: “Conhece a ti mesmo”.

Muito diferente do “Gostou, gostou; não gostou, vai pro inferno”, com que um Luiz Felipe Scolari atordoado agrediu imprensa e torcida, o autoconhecimento, a autoaceitação e a autossuperação é que são a tripla diretriz capaz de nos fazer reagir à vergonha que, no fim das contas, foi mais uma das várias que nos massacram quando o assunto são números reais, resultados mensuráveis e rankings internacionais.

Nos artigos que dão continuidade a esta tentativa de “preleção”, proponho 6 pontos em que nós, como país e como seleção, podemos revisar alguns indicativos básicos sobre nós mesmos:

1. Convocação

2. Escalação

3. Excelência Técnica

4. Inteligência Tática

5. Planejamento, Disciplina e Continuidade

6. Foco em Resultados Mensuráveis.

Clique aqui para acessar a segunda parte.

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