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Como o papa Francisco deverá resolver o “problema do celibato”?

AP Photo/Erin Stubblefield

Wissam Akiki, who is married, left, serves his daughter, Perla, communion after being ordained during a ceremony at St. Raymond&rsquo;s Maronite Cathedral Thursday, Feb. 27, 2014, in St. Louis. Akiki is the first married priest to be ordained by the Maronite Catholic Church in the United States in nearly a century. (AP Photo/Erin Stubblefield)<br /> &nbsp;

Pe. Dwight Longenecker - Aleteia Vaticano - publicado em 18/07/14

O ponto de vista de um padre casado

Eu sou um padre católico casado.

Já fui ministro anglicano. Recebi a ordenação sacerdotal católica graças à provisão pastoral criada por São João Paulo II para permitir que ex-ministros protestantes casados fossem dispensados do voto de celibato a fim de se ordenarem na Igreja católica.

Muitas pessoas acham que a permissão de casamento para os padres resolverá a crise das vocações sacerdotais. Pode até ajudar, mas não será, necessariamente, a solução mágica. Permitir que homens casados ​​sejam ordenados trará tantos problemas novos quantas soluções de problemas velhos. Para começar, a Igreja terá que avaliar muito bem se tem condições de sustentar padres casados e suas famílias. Uma fonte confiável no Vaticano me disse, em conversa privada, que, quando a questão dos padres casados ​​é discutida, são os bispos das igrejas de rito oriental, que permitem o casamento do clero, os que na maioria das vezes mais desaconselham a mudança desta disciplina.

Num artigo publicado recentemente pela mídia, afirmou-se que o papa Francisco teria prometido "resolver o problema do celibato". Esta declaração, por si só, já levanta uma série de perguntas. Em primeiro lugar, o que viria a ser esse "problema do celibato"? O celibato já seria em si mesmo um problema? Se a maioria dos padres católicos prometeu e viveu o celibato ao longo dos últimos mil anos, não parece que ele seja um problema tão grande a ponto de precisar de urgente reforma. É claro que existem os críticos do celibato. O ex-monge Richard Sipe, por exemplo, escreveu um contundente questionamento do celibato. O mesmo foi feito pelo dissidente católico Donald Cozzens. Enquanto isso, o padre anglicano Ray Ryland, convertido, escreveu em forte defesa tanto do celibato dos sacerdotes quanto da continência perfeita dos padres já casados​​ (ou seja, da abstenção de todas as relações sexuais).

A primeira pergunta a ser feita, portanto, é esta: o que é esse “problema do celibato?”. Existem muitas pressões contra o celibato em nossa sociedade altamente sexualizada. O acesso e a aceitabilidade do "sexo livre" faz com que o celibato pareça muito estranho neste contexto. Além disso, com a diminuição das vocações sacerdotais, mais sacerdotes vivem o peso crescente da solidão; e com a expectativa de vida aumentando, a perspectiva de um voto de celibato pelo resto da vida se torna uma dificuldade maior ainda. O celibato, em si, pode não ser um problema urgente, mas é certamente verdade que a observância do celibato é muitas vezes bem desafiadora.

E como poderia o papa Francisco "resolver o problema do celibato"?

Poderia não ser mediante a instantânea permissão para que os padres se casem, tal como muita gente imagina. Um jeito de resolver o “problema do celibato” é encontrar novas maneiras de suavizar alguns desafios da sua observância. Onde existem poucos sacerdotes, por exemplo, a diocese poderia juntar paróquias em grupos e pedir que os sacerdotes morassem em comunidade, em alguma casa central. Poderiam também ser criadas novas ordens religiosas de padres, para ajudar a resolver os problemas ligados à prática do celibato. Além disso, as fraternidades já existentes de sacerdotes poderiam ser encorajadas e fortalecidas.

Quem estudou o assunto concorda que o celibato escolhido livremente pode ser um complemento maravilhoso do ministério sacerdotal. Já a aceitação relutante do celibato pode ser um fardo para o próprio ministério. Assim, poderiam ser tomadas outras medidas voltadas a valorizar e fortalecer a disciplina do celibato livremente escolhido em vez de aboli-la só porque a sua prática é difícil. Poderíamos também nos perguntar se o voto do celibato perpétuo precisa ser feito junto com a ordenação. Será que o voto de celibato não pode ser separado do processo de ordenação como tal?

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CelibatoPadresPapa Franciscosacerdotes
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