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Os cientistas se tornaram os sacerdotes de uma nova religião dogmática

Glen Edelson

M. Anthony Mills - Aleteia Vaticano - publicado em 19/07/14


Assim, os filósofos positivos foram os guardiões de uma “verdade escondida”, recapitulando a noção medieval de que a verdade revelada pela luz da razão natural deve permanecer oculta às massas cuja fé se fundamenta na escritura.

Os novos ateus podem não condenar o uso das probabilidades nem estabelecer limites para a pesquisa científica, mas promulgam, talvez sem se darem conta, a nobre mentira de que o conhecimento científico é inabalavelmente alicerçado em observações incontestáveis​​. Só assim a ciência poderia “roubar o poder da religião”.

Os potenciais perigos desse modo de interpretar a ciência são inúmeros. Mas o que a história do positivismo comteano revela é que a ciência, e não a religião, é quem mais tem a perder com isso.

A nova “religião da humanidade” sonhada por Comte não apenas não se concretizou: a sua nobre mentira teve o efeito oposto ao desejado. A ciência não conseguiu cumprir as promessas do positivismo no final do século XIX e as pessoas começaram a perder a fé no empreendimento científico.

Um historiador escreve: “Os que deificaram a ciência […] tinham em comum o dogma fundamental de que a razão humana pode, através do ‘método científico’, vir a conhecer e a entender tudo […] O positivismo abordou até mesmo problemas relacionados com as origens e os fins últimos, prometendo resultados demais, em especial nas áreas morais, sociais e religiosas […] Mas o contraste entre as promessas e as limitadas realizações do cientificismo levou a uma forte reação antipositivista”.

O assim chamado debate sobre a "falência da ciência" permeou a cultura francesa e viu o confronto entre pensadores religiosos e ideólogos do cientificismo, entre céticos e racionalistas, ameaçando a hegemonia cultural de que a ciência tinha desfrutado durante boa parte do século.

Estamos hoje presenciando os nossos próprios debates sobre a "falência da ciência". Os pilares do empreendimento científico – a reprodutibilidade dos resultados experimentais e, mais recentemente e de forma destacada, o processo de revisão por pares – têm estado na berlinda, corroendo a credibilidade da ciência. E, como nos dias de Comte, esse debate não é questão acadêmica: tem implicações culturais, sociais e políticas mais amplas.

Os cientistas e os seus fanáticos têm razão ao criticar os céticos e os crentes religiosos que exploram as "lacunas" das teorias científicas, as falhas no consenso universal e a falta de evidências indiscutíveis. Ao agirem assim, estes céticos mantêm a ciência, de modo implícito, num patamar impossivelmente alto de certeza epistêmica. Mas o que os defensores da ciência muitas vezes não conseguem perceber é que são eles mesmos, e não os céticos, os primeiros a venderem esse alto patamar.

As razões são evidentes. A ideia de ciência indubitável é reconfortante não só por causa do – excepcionalmente alto – status epistêmico que ela confere à disciplina, mas também porque estabelece limites claros e incontestáveis ​​entre ciência e “não-ciência”. As noções não apenas religiosas, mas também "pseudocientíficas", podem ser firmemente descartadas: são "infantis", carentes de prova, irracionais e assim por diante. Na pior das hipóteses, os esquemas ideológicos e políticos podem ser justificados com base em fatos científicos supostamente incontestáveis​​.

É difícil convencer o público leigo de que certas conclusões devem ser aceitas porque possuem alto grau de probabilidade e são válidas até que surja uma interpretação melhor dos dados que vão sendo descobertos. Seria mais fácil afirmar a descoberta de um fato incontroverso através apenas de meios de observação.

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Tags:
AteismoCiênciaFilosofiaReligião
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