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Técnica e Tática x Jeitinho e Improvisação

Michael Kappeler/dpa
GERMANY, Berlin : Germany's Bastian Schweinsteiger (L) kisses the World Cup trophy on stage during the welcome reception for Germany's national soccer team in front of the Brandenburg Gate, Berlin, Germany, 15 July 2014. The German team won the Brazil 2014 FIFA Soccer World Cup final against Argentina by 1-0 on 13 July 2014, winning the world cup title for the fourth time after 1954, 1974 and 1990. Photo: Michael Kappeler/dpa
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Uma receita de 2.500 anos para virar um jogo de 7×1 (3ª Parte)

Esta é a terceira parte da série “Uma receita de 2.500 anos para virar um jogo de 7×1”. Traçando um paralelo entre o nosso país e o fracasso da seleção brasileira na Copa de 2014, a série de artigos propõe 10 pontos a repensarmos como sociedade. A primeira parte sugeriu a receita grega de 2.500 anos (leia aqui). A segunda parte propôs as primeiras aplicações da receita: Convocação e Escalação (confira aqui). Prossigamos:
 
3. EXCELÊNCIA TÉCNICA
 
A técnica é, no geral, o polimento do talento. Em muitos casos, a técnica lapidada pelo esforço disciplinado chega até a compensar a falta de talento natural. Em qualquer dos casos, a técnica é, no mínimo, tão importante quanto o talento nato.
 
Houve um tempo em que o nosso futebol quase dispensava a técnica: a nossa "arte malandra" da bola, por si só, fascinava quem não tinha a mesma ginga. Havia bem menos competitividade no futebol internacional e o nosso "jogo de cintura" até se confundia com certa "técnica espontânea". Porque era mesmo espontânea e funcionava com adversários mais ingênuos. Mas, em considerável medida, nós fomos transformando esse estilo característico em vício, contaminando-o com o câncer do jeitinho e do menor esforço.
 
Outros países, enquanto isso, investiram em técnica consciente. É por isso, em boa medida, que, não tendo mais a mesma facilidade para driblar adversários agora mais fortes, nós insistimos em (tentar) cavar pênaltis, simular faltas, nos jogar dramaticamente na grama e fazer caras e bocas (inclusive quando estamos sendo bombardeados na semifinal da #CopaDasCopas). A nossa fama de cai-cai chega a tal ponto que, no instante em que a joelhada de Zúñiga tirou Neymar do campeonato, boa parte das redes sociais nem se deu ao trabalho de imaginar que a lesão pudesse ter sido de verdade.
 
Por mais talentos natos que continuemos tendo, é preciso poli-los com disciplina e técnica, disciplina e técnica, disciplina e técnica. É repetitivo, assim mesmo. E não há nenhuma incompatibilidade entre o futebol-arte e um aprimoramento técnico disciplinado e contínuo, que lance mão de todas as melhores ferramentas que a tecnologia nos oferece. A arte espontânea é sempre capaz de impressionar, mas também é verdade que uma das muitas e boas definições de arte é “a veste que recobre a técnica”.
 
Melhor representante da técnica no futebol atual, a Alemanha treinou e analisou no detalhe cada adversário e a si própria com a ajuda da tecnologia (vêm pipocando reportagens nos últimos dias sobre o software alemão Match Insights), enquanto nós fomos uma das seleções que mais descansaram em vez de se aprimorar e a que mais lacrimejou em vez de suar.
 
Esta é precisamente a mesma negligência técnica da maioria dos candidatos a jogadores que esperam ser convocados por nós no dia 5 de outubro: eles descansam em vez de se aprimorar e lacrimejam em vez de suar, em especial durante a propaganda partidária obrigatória. Assim como grande parte do nosso futebol, grande parte da nossa política insiste na mesma tapeação: disfarçar a carência técnica com malandragem bonachona ultrapassada.
 
Estamos todos firmemente decididos a nunca mais ser esmagados por um 7×1, em casa, com toda a festa ainda por pagar?
 
Pois bem: que tal então, no dia 5 de outubro, convocarmos SOMENTE jogadores com comprovada excelência técnica?
 
Jogadores que, em vez de costas quentes, jeitinho e malandragem, mostrem que têm qualificação técnica de alto nível para jogar nas posições que pleiteiam. Jogadores que, em vez de se acomodar nos seus cabides públicos, tenham se preparado trabalhando duro, com honestidade e comprovada produtividade. Jogadores que, em vez de pirotecnias publicitárias, possam demonstrar conhecimento e experiência prática. Jogadores que, em vez de promessas e devaneios de glória, apresentem um currículo de resultados mensuráveis já consolidados. Jogadores que, em vez de fazer firulas individuais, saibam trabalhar sério em equipe. Jogadores que, em vez de confiar na sorte, demonstrem planejamento e cronograma de metas. Jogadores, enfim, que joguem bonito e levem o Brasil real à Série A dos grandes do mundo.

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