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Corpos de vítimas de avião que caiu na Ucrânia são enviados à Holanda

<p>Trem transportando os corpos chega à cidade de Kharkov</p>

AFP - publicado em 23/07/14

A região na qual o avião malaio caiu estava deserta na manhã desta quarta-feira

Os primeiros restos mortais das vítimas do voo MH17 supostamente derrubado na Ucrânia foram enviados nesta quarta-feira à Holanda, onde foi decretado um dia de luto nacional em homenagem aos seus 193 cidadãos mortos na tragédia.

Seis dias depois da catástrofe que deixou 298 mortos em uma zona controlada pelos separatistas pró-russos do leste da Ucrânia, muitos corpos ainda podem estar no local onde o avião caiu, segundo o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott.

A região na qual o avião malaio caiu estava deserta na manhã desta quarta-feira, sem nenhum socorrista ou guarda à vista, indicou um jornalista da AFP.

"É muito possível que continuem havendo ali muitos corpos, ao ar livre, sob o sol em pleno verão europeu, submetidos às interferências e aos estragos do calor e dos animais", considerou Abbott.

Em Kharkov, uma cidade do leste da Ucrânia sob controle do governo de Kiev, foi feito um minuto de silêncio no aeroporto, de onde saiu o primeiro avião com os restos mortais das vítimas, pouco antes do meio-dia local (06h00 de Brasília).

Um total de 40 corpos sairão nesta quarta-feira em dois aviões militares com destino à Holanda.

As caixas-pretas, entregues aos investigadores holandeses, chegaram nesta quarta-feira à Grã-Bretanha e passaram aos cuidados de especialistas britânicos para serem analisadas.

A Holanda dirigirá a investigação internacional sobre a causa do acidente, que provocou uma onda de indignação em todo o mundo, embora seja pouco provável que seja possível determinar a origem do míssil que derrubou o avião.

O Boeing 777 que cobria a rota Amsterdã-Kuala Lumpur foi derrubado na última quinta-feira por um míssil disparado da zona controlada pelos insurgentes com o apoio da Rússia, segundo os Estados Unidos.

Um erro

Um funcionário de alto escalão dos serviços de inteligência americanos que pediu o anonimato afirmou que a explicação mais plausível é que tenha se tratado de um erro.

Segundo esta versão, o míssil teria sido lançado por uma pessoa mal treinada utilizando um sistema de mísseis terra-ar de fabricação russa Buk que requer certa destreza e treinamento.

O presidente americano Barack Obama afirmou, por sua vez, que se a Rússia seguir com sua estratégia de desestabilização na Ucrânia enfrentará custos adicionais.

A União Europeia acusa a Rússia de entregar armas aos insurgentes e prepara novas sanções.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, depositou na noite de terça-feira flores diante da embaixada holandesa em Kiev e conversou por telefone com o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte.

A Holanda propôs enviar em colaboração com a Austrália e com outros países vítimas da catástrofe uma missão policial sob a tutela da ONU para preservar o local do acidente, disse Rutte.

Após vários dias bloqueados pelos insurgentes, a maior parte dos restos mortais chegou na terça-feira a Kharkiv a bordo de um trem refrigerado. Mas, segundo a missão de observação da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), ainda há pedaços de corpos não protegidos no local da catástrofe.

As autoridades holandesas confirmaram apenas o recebimento de 200 corpos de um total de 298 vítimas.

A chefe do governo alemão, Angela Merkel, convocou nesta quarta-feira a Rússia a "fazer mais em relação aos separatistas que impedem de forma inaceitável o controle na região".

Enquanto isso a situação continua sendo tensa nas duas capitais regionais do leste da Ucrânia, Donetsk e Lugansk, controladas pelos separatistas.

Três civis morreram nas últimas 24 horas em Lugansk. Em Donetsk foram registrados combates nos últimos dias e foram ouvidas explosões e disparos durante a noite, segundo a prefeitura.

Seis dias depois da queda do avião comercial, dois caças ucranianos foram abatidos nesta quarta-feira no leste do país.

Os dois aparelhos Sukhoi caíram à altura de Savour-Mogyla, na região de Donetsk. Ainda não se sabe o destino dos pilotos, segundo o porta-voz Oleksii Dmytrachkivskiï.

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