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“Persecuted”: novo filme sobre a perseguição contra os cristãos é detonado pela crítica

Image Courtesy of One Media LLC

David Ives - publicado em 25/07/14


Mas nem mesmo esse texto questionável e esse cenário implausível parecem suficientes para justificar os 0% do Rotten Tomatoes.

Tem que haver algo mais que tenha selado o triste destino de “Persecuted” aos olhos dos críticos norte-americanos. Como é que eu sei disso?

Bem, vamos comparar “Persecuted” com outro glorificado filme B lançado no último fim de semana, “The Purge: Anarchy”.

Situado no também distópico futuro próximo de 2023, “The Purge: Anarchy” especula o que aconteceria se o governo legalizasse todos os crimes de qualquer natureza durante uma única noite por ano, com base na suposição de que isto reduziria a atividade criminosa nos restantes 364 dias e meio.

É uma ideia interessante. O problema é que, assim que você começa a pensar mais a sério nesta premissa, você percebe o quanto ela é simplesmente ridícula. Como poderia ser remotamente possível que, em menos de uma década, o país inteiro se submetesse voluntariamente a uma lei desse naipe? Por que essa noite de criminalidade liberada diminuiria os crimes nos outros dias? Será que todo mundo ficaria pacientemente esperando pela noite do crime livre para poder estuprar, roubar, dirigir embriagado e sonegar impostos? Nada disso faz o menor sentido.

Mas “The Purge: Anarchy” obteve um índice de aprovação de 54% no Rotten Tomatoes.

Parte da razão, sem dúvida, é que os filmes da série “The Purge” contêm um belo quinhão de carnificina sangrenta, e uma igualmente bela percentagem de espectadores vai responder a esse tipo de coisa sem importar o quanto o resto do filme é ruim. Mas a principal diferença entre os dois filmes está na filosofia por trás das premissas centrais.

Histórias distópicas como “The Purge” e “Persecuted” não pretendem prever com precisão o futuro, mas examinar os medos e preocupações sobre tendências que os autores acreditam que estão acontecendo no presente. No caso de “The Purge”, os cineastas dificilmente acreditariam que uma lei dessas pudesse mesmo ser promulgada. O que a história pretende, mais provavelmente, é manifestar a percepção dos realizadores de que os ricos e poderosos de hoje fazem o que bem entendem com os pobres e o governo os ajuda a agir assim. Se o público é capaz de pescar esta mensagem política, isto basta para que os cineastas não fiquem muito preocupados com a lógica da distopia apresentada.

O mesmo vale para a distopia de “Persecuted”. É altamente improvável que os criadores do filme acreditem na possibilidade de promulgação da tal "Lei da Fé". Mas eles enxergam correntes perturbadoras na atual arena política da vida real. Em entrevista concedida ao Hollywood Reporter, o ex-senador norte-americano Fred Thompson, que interpreta o sacerdote mais velho do filme, afirma: "Isto não é um documentário, mas nos lembra que temos que ficar de olho, porque um governo forte e centralizado pode representar o maior dos desafios para os direitos constitucionais das pessoas". A preocupação central, em suma, é a crença dos realizadores de que os cristãos nos Estados Unidos estão tendo os seus direitos constitucionais pouco a pouco surrupiados pelo próprio governo.

E essa ideia parece não comover uma boa parte dos críticos de cinema. “Ridículo”, sentencia Justin Chang, da Variety. “‘Persecuted’ desperdiça o talento do elenco com uma premissa bizarra”, dispara Frank Scheck, do Hollywood Reporter. “O filme não adoça os aspectos mais odiosos da cosmovisão cristã fundamentalista”, opina Tomas Hachard, do Slant. “Essa tentativa terrível de fazer um thriller político sobre os direitos religiosos não se destina aos cristãos em geral, mas a uma determinada porção deles que acha que o resto do mundo está envolvido numa conspiração gigantesca contra a sua interpretação do bem e da verdade”, troveja Neil Genzlinger, do New York Times. E assim por diante.

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ArteCinemaEntretenimento
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